A sua matéria preferida na escola é o Português? Gosta de ler? Fazer a Redação é fichinha pra você? Se sim, provavelmente já disseram para você fazer Letras. Mas o curso é mais que isso! Confira a conversa que tivemos com a Larissa, estudante da UERJ, e com a Isabela, professora de Italiano. 🙂

Aos 22 anos, Larissa Castro cursa o oitavo semestre de Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Inspirada a gostar das palavras por uma antiga professora do Ensino Fundamental, todos os vestibulares que prestou foi para Letras.

 

 “A faculdade superou minhas expectativas. Ampliou meu leque cultural, me deu a oportunidade de fazer grandes amigos, crescer como pessoa e me ensinou a superar os meus limites.”

 

Já Isabela Fruet formou-se em 2008 na Licenciatura da UFRGS. Aos 34 anos de idade, é professora de Italiano há dez, em cursinhos de idiomas, além de dar aulas particulares.

Professores motivam… professores!

Assim como a Larissa, foram as aulas de bons professores que motivaram Isabela a prestar o vestibular.

Mesmo com a influência da família para seguir no Jornalismo e as primeiras tentativas para Medicina Veterinária (vejam só!), foi no curso pré-vestibular que outro caminho apareceu: “Nas aulas do cursinho, tive ótimos professores de Português e Literatura; as aulas eram muito empolgantes. Pouco a pouco, eu comecei a me ver naquela vida!”, conta Isabela.

Apesar de compartilharem as mesmas inspirações, as duas têm percepções diferentes sobre o interesse pelo curso em seus estados.

 

Faz oito anos que me formei, mas o que eu tenho notado é que a procura pelas licenciaturas tem diminuído. O motivo já é previsível: baixos salários e um trabalho com alta carga de estresse”, afirma Isabela.

 

Na UERJ, Larissa diz que a busca é grande e majoritariamente feminina. As ênfases Português/ Espanhol e Português/Inglês são as mais concorridas. Para ela, é a permanência que se torna difícil: “As salas começam lotadas, mas, ao longo dos quatro anos, vai diminuindo o número de alunos”.

Dificuldades?

Cada dificuldade é muito pessoal. No caso da Larissa, que vivencia a rotina da universidade pública, as questões de estrutura influenciam bastante. Recentemente, a UERJ tem enfrentado diversos problemas por falta de investimentos.

Já em sala de aula, quem tem interesse por línguas estrangeiras precisa ter algum conhecimento:

 

O mais importante é não entrar sem saber nada, porque os professores não vão ensinar com a mesma didática de um curso de idiomas; pelo contrário, eles vão partir do pressuposto que, se você escolheu aquele curso. é porque quer se aprofundar nos aspectos daquela língua”.

 

2Larissa em campanha por melhorias na faculdade. Arquivo pessoal.

“No meu caso, a timidez me atrapalhou um pouco, seja para a apresentação de seminários, seja para a participação dos debates em sala de aula”, conta Isabela. Ela também explica que disciplinas como Morfologia e Sintaxe são mais complicadas.

“Parece que o Português que aprendi na escola não foi o suficiente para eu estudar a nossa língua de modo tão profundo. Não cheguei a ensinar Língua Portuguesa em escolas (a não ser no estágio), mas, mesmo assim, se eu resolvesse ir para esse meio, eu teria que correr muito atrás”, diz Isabela.

Boa notícia: o mercado é amplo!

O mercado para quem faz Letras é bem amplo. Ao contrário do que se pensa, lecionar não é a única alternativa. Quem faz Licenciatura pode dar aulas de Português, Literatura, Redação e Língua Estrangeira em escolas públicas ou particulares (é onde há a maior oferta de empregos). E com mestrado, as universidades também são uma opção.

Quem faz Bacharelado pode atuar como tradutor e intérprete, além de trabalhar como revisor de textos em editoras, revistas, ou agências (aliás, um beijo para nossa revisora. Graças a ela você pode ler nossos posts com o Português bem lindão!😉).

1O universo da Letras é bem amplo: pode-se trabalhar também com tradução e revisão. Foto: Amador Loureiro/Unsplash.

 

Para Isabela, um fato tem chamado a atenção: independente de Licenciatura ou Bacharelado, há mais alunos cursando outras línguas que não seja só o Inglês. –

 

“Quando entrei, o número de alunos nas aulas de Italiano era baixíssimo. Agora, conversando com colegas e ex-professores, notei que esse número tem aumentado consideravelmente. Parece que as pessoas estão percebendo que há um ótimo mercado também para outras línguas estrangeiras”, comenta.

Ao ingressar no curso de Letras, Isabela pensava em ser professora de Português e Literatura. Mas, ao mesmo tempo, não queria perder a oportunidade de aprender um novo idioma.

Motivada simplesmente pela curiosidade, já que não tinha intenção em dar aulas de língua estrangeira, ela decidiu pelo Italiano. “Para mim, seria só um ‘luxo’ no meu currículo. O começo foi bem despretensioso, pois não imaginava que iria se tornar uma grande paixão.”

 

Além dos estágios obrigatórios, é possível encontrar estágios remunerados. Mas, apesar das várias opções, nem sempre uma vaga é fácil. – 

 

“Eu venho tentando um estágio desde o início do curso e só agora, no último período e depois de esperar quase seis meses consegui em uma escola da Prefeitura”, conta a estudante Larissa.

3Isabela dá aulas de Italiano para alunos de várias idades. Arquivo pessoal.

Isabela nos conta que a rotina de um professor de língua estrangeira não é muito tradicional, pois trabalha-se em vários lugares e em vários períodos do dia. O que, segundo ela, também permite descansar ou se dedicar a outras atividades.

Por outro lado, há uma desvantagem: muitas pessoas procuram ter aulas por um curto período de tempo. Assim, a renda é variável a cada mês, seja nas escolas de idiomas, seja com alunos particulares.

Ela destaca que é preciso ter empenho: “É importante ficar de olho nas oportunidades e, de certo modo, saber fazer o seu marketing pessoal para conseguir mais alunos e mais oportunidades para complementar a renda”, afirma.

Dicas, pra que te quero!

Confira mais dicas para aproveitar o curso:

  • Um dos requisitos básicos é: gostar de ler (você deve imaginar pelo nome do curso!). A graduação em Letras requer muita leitura: textos teóricos de Literatura, Linguística e Pedagogia, obras literárias clássicas e modernas de vários períodos, etc.;
  • A gramática não é nada parecida com aquela que foi vista na escola! A matéria é apresentada de forma mais complexa;
  • É importante já ter um bom conhecimento sintático-morfológico de Português. Mesmo formado(a), é comum sentir-se inseguro(a) para ministrar aulas nas escolas, mas isso muda com a prática;
  • Se você quer trabalhar com ensino ou tradução de Inglês, vá se preparando: na faculdade a língua já é estudada a partir de um nível mais avançado;
  • Para quem deseja trabalhar com línguas estrangeiras, é bom estar sempre ligado(a) nas oportunidades de bolsas e intercâmbios no exterior, pois são ótimas oportunidades para aprimorar o idioma. 

E aí, as meninas também conseguiram te inspirar? Esperamos que você tenha curtido conhecer as diferentes alternativas que o curso de Letras proporciona. Até mais. 😉