Paixão, intensidade, persistência. São muitos os mitos e verdades que envolvem a faculdade de Teatro, e é isso que vamos desvendar nesse episódio da Série Profissões! Nesse post, o Duda e a Cissa falam sobre o cotidiano do curso e os desafios da profissão. Confere aí!

Teatro é amor

A vocação de Diego Duda se revelou desde cedo: “Meu interesse pela educação e pela arte da interpretação surgiu desde que me conheço por gente. Foi aquela ideia que, um belo dia, na infância, apareceu e nunca mais foi embora”.

 

Comecei a fazer teatro aos 14 anos e nunca mais parei.”

 

Formado em 2006 pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas, Duda conta que a família ficou um pouco receosa com a escolha. “Eles tiveram medo pela questão financeira. Eu sei, é clichê, mas creio que nossos pais temem por amor.”

teatro1Duda no espetáculo “Nada a Dizer”, de 2012, com texto de Marcos Damaceno e direção de Laercio Ruffa. Foto: Chico Nogueira.

Dos tempos do curso, o curitibano de 32 anos lembra do ritmo puxado, com muita leitura, dedicação e pouco sossego. “Confesso que tinha preguiça das disciplinas exclusivamente teóricas, como Filosofia e Antropologia. As que eu mais gostava eram as práticas, que permitiam o exercício da interpretação, o que é uma delícia pra quem ama o que faz.”

E é difícil viver dessa profissão? “Se por ‘difícil’ você quer dizer ‘traz pouco dinheiro’, sim. Ou a gente abraça ou não abraça. Tem que saber dançar conforme a música e ir atrás de tudo o que aparece. Eu sou muito feliz, faço o que amo, passo apertos, mas consigo pagar minhas contas e ter uma situação financeira, pelo menos, tranquila”.

 

Não espero ficar rico, mas eu digo que a gente não vive DESSA profissão, a gente vive ESSA profissão.”

 

Ou seja, versatilidade é um trunfo precioso: “Dentro das capacidades que o Teatro me dá, faço de tudo: aula, peça, dublagem, locução, publicidade, websérie, teatro empresarial. Somando tudo isso, dá pra viver tranquilo sim. Mas sempre tem o fantasma do ‘será que tem trabalho mês que vem?’”.

Duda interpretou Álvaro no curta “Princípio, Email e Fim”, produzido para o programa Revista RPC, da RPC TV, em 2013. YouTube.

Hoje, Duda trabalha com teatro, publicidade e, principalmente, aulas de interpretação para vídeo. “Dou aulas no Brasil inteiro, o que é uma delícia, pois todo mês viajo pra um estado diferente. É o que me sustenta e amo fazer! Na empresa em que trabalho, fazemos seleção de atores e modelos para encaminhar ao mercado televisivo/publicitário.”

 

Tem que amar. Fazendo com amor, tudo dá certo.

 

Duda se define completamente satisfeito com a escolha: “A capacidade de me emocionar e de emocionar o outro é o que mais curto, embora a instabilidade da profissão seja bem difícil de lidar”. E aconselha: “Não adianta tentar um trabalho só pelo boato de que traz dinheiro, porque se você não gosta, não vai render. E se render, você vai odiar aquele dinheiro. Então, faça por amor”.

Apenas verdades

A pergunta sobre a motivação de Cissa Madalozzo vem como uma resposta inspirada: “Dizem que é Dionísio (deus grego da festa, do teatro e do vinho) quem escolhe seus pupilos. Eu improvisava diálogos sem entender que isso poderia ser uma profissão. E, coincidentemente, eu adoro vinho”.

 

Cada dia é um desafio, temos que lidar muito com a criatividade e tolerância. Não existe um padrão.”

 

teatro2Performance na faculdade em uma atividade sobre a diversidade de gênero, em 2014. Foto: Divulgação/UFRGS.

A gaúcha está no 4º semestre do curso de Teatro – Direção Teatral na UFRGS, após ter concluído a faculdade de Jornalismo. “Eu tinha 19 anos e já fazia teatro há três. Encontrei muita resistência do meu pai, que era o meu fornecedor financeiro, e fui ‘induzida’ a fazer uma faculdade de ‘verdade’. Então, na época, parei o teatro pra dar andamento à formação acadêmica.”

 

Até na teoria, fazemos prática.

 

Cissa diz que o curso é uma mescla de tudo. “Aprendemos desde a Grécia antiga de Aristóteles até a Commedia dell’arte, Brecht, literatura brasileira, contemporânea, simbolismo, realismo. Aprendi a gostar de Stanislavski e me dei conta que Hamlet é um garoto mimado de Shakespeare.”

teatro3Em 2013, Cissa atuou na peça “Hamlet”, de Shakespeare, apresentada na Casa de Teatro de Porto Alegre. Foto: Gisa Fenner.

A estudante de 31 anos conta que rola muita discussão e trabalhos experimentais. “Somos uma imensa célula criativa e pulsante, as famosas mentes inquietas, e isso, às vezes, gera problemas de ego. Mas uma coisa me chama atenção: se não gostamos de alguém, não o destratamos. Existe uma política forte da boa vizinhança.”

 

Nunca me senti tão abraçada em um curso.

 

Cissa já fez parte de um coletivo de teatro, deu aulas para crianças e atualmente trabalha no projeto de uma peça como diretora. “Com 21 anos, eu queria carreira e dinheiro no jornal. Aos 31, quero realização na vida e arte. Equilíbrio, felicidade, tocar, instigar, observar pra poder ser observada. Aí sim é possível compreender a imensidão do curso que escolhemos.”

Para a porto-alegrense, honestidade é a palavra-chave: “Vejo que muitos que parecem ingênuos, com o tempo, são comidos por toda uma academia e estética elitista. Sim, este é um curso alternativo, mas sejamos sinceros: a maioria que sobrevive ou já tem grana ou conta moedas no fim do mês”.

 

Satisfação plena não existe. Todos têm seus dias. Mas ainda sim, não me arrependo.

 

teatro4Cissa (direita) em cena da peça “O Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, em 2014. Foto: Luciane Pires Ferreira.

Sobre o tempo afastada do Teatro, Cissa cita uma entrevista em que Fernanda Montenegro diz o seguinte: “O que eu diria para quem está começando? ‘Desista! Agora, se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte, aí venha aqui. Mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo! Não é do ramo!’”.

Onde vou trabalhar?

Se você optar pelo curso de Teatro, estas são algumas das áreas que você poderá seguir:

  • Interpretação: atuar em espetáculos, cinema, TV, coletivos de teatro, shows de stand up;
  • Cenografia: construir a ambientação, escolhendo todos os elementos que criam o cenário de uma trama;
  • Direção: coordenar o elenco e todo o processo de encenação da história;
  • Teatro empresarial: aplicar técnicas no treinamento de funcionários;
  • Dramaturgia: escrever roteiros para peças de teatro, novelas, seriados;
  • Dublagem e locução: emprestar sua voz para personagens de filmes estrangeiros ou animações e propagandas;
  • Ensino: a Licenciatura habilita a dar aulas de atuação em escolas;
  • Figurino: conceber e orientar o vestuários dos atores;
  • Produção: viabilizar a execução dos espetáculos a partir de questões administrativas, como patrocínio.

Dicas, pra que te quero!

Anota aí as dicas do Duda e da Cissa se você quer seguir esse caminho:

  • Não desanime: no início da carreira, você vai estudar muito e ganhar pouco;
  • Saiba observar;
  • Faça cursos livres de atuação para aprimorar suas técnicas e praticar;
  • Comunique-se! Ao longo do tempo, você vai aprender a montar uma rede importante de contatos;
  • Leia, leia de novo e mais uma vez. Estude muito!
  • Solte-se! Você vai encarar situações onde vergonha e inibição não terão espaço.

A faculdade de Teatro é como você pensava? Compartilha com a gente as suas dúvidas! 🙂 E não deixe de conferir os posts da nossa saga da escolha profissional. Até!