Se você curte estudar e compreender o funcionamento das pequenas partículas que formam “a vida, o universo e tudo mais” (direto do Guia do Mochileiro das Galáxias), a Química pode ser a sua praia. A Série Profissões vai te trazer pra pertinho desse curso que trata da composição, estrutura e propriedades da matéria, assim como as mudanças sofridas por ela durante as reações químicas e sua relação com a energia.

Conversamos com Ketty Correia, estudante de 24 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Alana Klein, que tem 29 anos e é formada em Química Industrial pela mesma universidade.

A escolha

A paixão pela Ciência foi motivadora para Ketty escolher a Química como graduação. Vários professores também a incentivaram.

 

Eu tinha curiosidade pra saber como as coisas aconteciam, porque elas funcionavam daquele jeito, como era o mundo de um ponto de vista muito, muito, muito pequeno.” 

 

Alana nos conta que fez um ano de Farmácia antes de trocar de curso. Durante esse período, a turma realizou várias visitas em indústrias, tanto químicas quanto de cosméticos. “Percebi que a indústria, em geral, era um ambiente em que me sentia familiarizada.” Como ela iria prestar vestibular novamente para tentar entrar em outra universidade, resolveu se inscrever para o curso de Química Industrial.

1Ketty conversou com a gente no dia da banca de Trabalho de Conclusão de Cursoo temido TCC! Foto: Applause Formaturas

Nem só de Química se faz um químico

Ketty afirma que o começo do curso é bastante pesado e que ela teve que estudar bastante, já que várias disciplinas não são da área da Química (disciplinas da Matemática e Física, que eles cursam com as turmas de Engenharia) e tinham carga horária pesada. “Durante vários semestres me questionei se eu realmente estava cursando química ou então Engenharia (por causa das disciplinas que a gente fazia em conjunto). Depois que passa as matemáticas e as físicas, tu entra nas aulas de Química – que são muito aprofundadas – e tu precisas estudar muito!”.

Ela garante que é necessário estudar além da sala de aula.

 

É bom reservar um período para estudar em casa. – 

 

Alana acrescenta que, dependendo da universidade escolhida, as aulas podem ser tanto na parte da manhã, como de tarde ou de noite, até em mais de um turno. Ela acredita que o curso requer dedicação elevada, e que ela estudou bastante, reservando um tempinho nos finais de semana para dar conta.

Alana nos contou que gostou muito de estudar a parte de Química Orgânica, Química Geral, Inorgânica e também as disciplinas experimentais. “Gostei também das diversas visitas [a empresas e indústrias] que fizemos ao longo do curso, momentos em que conseguíamos entender como era o mercado de trabalho.”

 

Já as cadeiras de Cálculo e Física foram a parte que ela não curtiu, porque eram áreas em que tinha mais dificuldade. – 

 

Já Ketty, além de Química Orgânica, curtiu bastante a parte de Ensino em Ciências. Prestes a concluir a graduação, ela se sente realizada em partes:

 

Quando eu entrei no curso, eu queria fazer alguma diferença no mundo, descobrindo algo, enfim. Hoje percebi que o meu lugar é na linha de educação, tentando propor coisas novas para a futura geração.”

 

Alana também se sente satisfeita. Após a graduação, seguiu estudando e concluiu o Mestrado também pela UFRGS, conseguindo uma colocação no mercado de trabalho em seguida. Atualmente, atua no setor de desenvolvimento de produtos.

Da tabela periódica ao mercado de trabalho

A disputa de vagas entre Químicos Industriais e Engenheiros Químicos pode ser um problema. Segundo Ketty, “a maioria das empresas prefere contratar um Engenheiro Químico do que um Químico Industrial pra executar algumas funções. Perdemos muito espaço nesse sentido, mas existem outros espaços de atuação, como laboratórios de análises e pesquisa, consultoria ou ainda como docente.”

Alana confirma essa dificuldade de delinear os espaços de atuação, incluindo os farmacêuticos na equação, mas acredita que o espaço do Químico Industrial está garantido e acrescenta: “conversando com colegas e observando o mercado, vejo que existem vagas nos diversos setores da indústria química e, mais fortemente, no setor de vendas.”

Ketty dá a dica para quem pensa em prestar vestibular e está em dúvida:

 

Se a pessoa quer trabalhar em uma indústria química, vale mais a pena fazer o curso de Engenharia Química, porque o mercado de trabalho é mais farto. Mas se a pessoa gosta da Química, de entender profundamente o que está acontecendo em uma reação, composto, etc., daí sim recomendo o curso de Química. Este curso é mais sobre conhecimento em Química aprofundado.”

 

Alana complementa: você vai estudar muito sobre Química, mas as disciplinas de Cálculo e Física vão lhe acompanhar por boa parte do curs.

 

Esteja preparado para cair de cabeça nos livros. – 

 

A graduação é um período de amadurecimento e aprendizado e, para Ketty, a grande transformação foi a troca de ênfase do curso, do Bacharelado para a Licenciatura: “Troquei para Licenciatura em Química porque, pra mim, era uma oportunidade de modificar uma realidade com a profissão que eu escolhi. Antes disso eu estava na ênfase do Bacharelado (que é voltada para a pesquisa) e era ótimo também.” A partir de sua experiência no mercado de trabalho, Alana garante:

 

Dedicação e persistência sempre levam a bons resultados. – 

 

Dicas, pra que te quero!

  • Esteja preparado para estudar outras áreas das Ciências Exatas, como Cálculo e Física;
  • Pesquise bastante: você pode optar por Licenciatura e Bacharelado em Química, Química Industrial ou Engenharia Química. Compreender as diferenças entre esses cursos vai ajudar a definir melhor sua área de atuação;
  • O começo do curso pode parecer um pouco abstrato por causa das disciplinas de Cálculo e Física, mas nos semestres seguintes você se aprofunda mais na química;
  • Visitar empresas e indústrias pode te ajudar a ver mais de perto a área de atuação da profissão.

Para complementar as dicas, Ketty foi bem sincera (e divertida):

“Se você quer fazer graduação, saiba:

  • Você vai tomar muito café (mesmo que você não tome agora);
  • Você vai passar noites em claro estudando;
  • Você vai acabar um semestre implorando por férias;
  • Muitas vezes você vai se questionar onde está e o que está fazendo da sua vida;
  • Comida do restaurante universitário é barata;
  • [Já falei sobre o café?]
  • Você vai ver muita gente egocêntrica e competitiva;
  • Você vai se ausentar de muitos almoços de família;
  • Você vai parecer um zumbi eventualmente.

Mas no final dá sempre tudo certo. É só manter o foco no que você quer.”

As experiências da Alana e da Ketty te ajudaram a conhecer um pouco mais sobre o curso de Química e tirar suas dúvidas? 🙂 Conta aí pra gente o que você achou! Fica ligado (a), porque a Série Profissões continua. Até mais! \o/