Continuando com nossa Série Profissões, neste post vamos falar um pouquinho sobre o trabalho e a rotina de um pedagogo e, claro, mostrar como é a faculdade de Pedagogia.

Nós conversamos com a Aline, que é pedagoga no Rio Grande do Sul, e com a Maria Clara, estudante de Pedagogia no Rio Grande do Norte. Apesar da distância geográfica, as duas têm impressões comuns sobre a graduação e vão te ajudar,  a descobrir, de uma vez por todas, o que se faz na Pedagogia, como é a rotina da profissão e quais são as partes legais (e as nem tão legais assim) de tudo isso.

 

Afinal de contas, a Pedagogia é só para quem quer dar aulas para crianças? –

 

Formada em 2015 na Universidade Federal de Santa Maria (RS), a Aline Gutierres, 26 anos, trabalha hoje em uma escola privada dando aulas para crianças de 5 anos. Ela ingressou na Pedagogia já com a ideia de ser professora, só que do Ensino Fundamental. Foi após a formatura que resolveu se arriscar na Educação Infantil. “Foi a melhor escolha que poderia ter feito, estou encantada com os pequenos. Eles são incríveis, o reconhecimento pelo teu trabalho não tem preço. Com um beijo e um carinho, a professora ’salva vidas’, e isso é encantador.”

A professora ’salva vidas’, e isso é encantador.”

 

O trabalho que a Aline faz – dar aulas para crianças que estão na educação infantil e no ensino fundamental – ainda é o grande campo da Pedagogia. É pensando nessa área também que a Maria Clara Avelino dos Santos, que tem 18 anos, está fazendo o curso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desde o início do ano. No Ensino Médio, ela já pensava em ser professora. “Então juntei minha vontade com meu gostar – que é de crianças – e vi que esse era o curso certo para mim”, diz ela. “É satisfatório ver que pessoas podem aprender comigo, saber que posso ajudar na formação e até influenciá-las na vida futura.”

Maria Clara (de camiseta com listras brancas e vermelhas) com os colegas do Centro Acadêmico da Pedagogia Paulo Freire, na UFRN, após uma reunião da gestão, com a qual ela colabora. Arquivo pessoal. 

Faculdade: muita teoria

Aline e Maria Clara adoram estar em sala de aula, mas já alertam que, durante a graduação, o que mais se faz é estudar teoria. “Quando entrei, pensei que mexia mais com a prática, não achava que eram estudados tantos fundamentos. Tem muito texto, exige muita dedicação”, diz a estudante da UFRN.

A Aline chegou a fazer o Curso Normal – o antigo Magistério -, antes de ingressar na Pedagogia, e pensou que a graduação fosse semelhante, com práticas mais aprofundadas. “Isso não se confirmou, o curso é muito teórico e temos a oportunidade de estar ligados a escolas e realizando algumas práticas somente na metade do curso.”

 

O curso exige muita dedicação com a leitura! – 

 

Entre as matérias que se estuda na Pedagogia estão Políticas Públicas, Processos de Leitura e Escrita, Filosofia, Matemática, Teatro e Música. Segundo as meninas, como são todas muito teóricas, é comum que os alunos cheguem ao final do curso, na hora de ir para as escolas, e descubram que não era bem o que queriam.

Por isso, a dica que a Aline dá é fazer o Curso Normal antes de ir para a graduação. “Nele podemos ver como é o dia a dia do professor. Me ajudou muito ao entrar na Pedagogia, via com outros olhos.” A estudante da UFRN também fala a real sobre a graduação: “Não indico para aqueles que não são de ‘humanas’. Para quem não gosta de ler, acredito que permanecer no curso vai ser bem complicado.”

 

Mercado de trabalho e salário

Mas então a Pedagogia é só para quem quer dar aulas para crianças? Na real, é uma profissão com um mercado bem amplo. A atuação em sala de aula ainda é a que mais oferta vagas, mas dá para trabalhar em outras áreas da escola também, como na gestão e administração (sendo diretor, orientador, coordenador pedagógico). Se quiser trabalhar com Pedagogia Empresarial, por exemplo, é importante fazer uma pós-graduação na área.

 

O mercado de trabalho não é apenas ligado à área da educação, porém, o curso não te forma para outros caminhos”, avisa Aline.

 

A parte ruim de ser pedagogo, mesmo com tantas vagas à disposição, é o dinheiro. Os salários costumam ser baixos, mesmo que você resolva fazer concurso público. “O salário do professor não é dos melhores, geralmente para ter uma boa renda precisa trabalhar em duas escolas (manhã/tarde) ou outro emprego”, conta Aline. Para ela, o que acontece é que as escolas privadas muitas vezes contratam o pedagogo recém-formado inicialmente como auxiliar, para depois torná-lo professor da turma. “Durante o tempo que tive na faculdade sempre procurei participar de projetos, ampliando meu currículo e experiência para o mercado de trabalho. As escolas valorizam muito também quem tem o Curso Normal. Logo que sai da faculdade fui contratada como auxiliar em uma escola privada, hoje sou professora regente em outra escola.”

A Maria Clara, que ainda está no começo do curso, já está ligada nessa questão financeira, e dá a dica para quem pensa em fazer Pedagogia: “Se quiser ser pedagogo, será por amor, e não pelo dinheiro”.

 

Rotina de um pedagogo

Outra coisa para saber antes de se decidir pela profissão é: na prática, o expediente do pedagogo não termina com o fim da aula. “O professor não consegue ter um trabalho com horário comercial, sempre leva trabalho para casa, seja planejamento, materiais para confeccionar, trabalhos para corrigir”, explica Aline. “Meu horário é das 13h30 às 17h30, com alguns sábados ou finais de tarde de formação, geralmente uma vez no mês. É um trabalho maravilhoso, mas às vezes cansativo, sim”.

 

– O trabalho continua depois da aula – 

 

A Aline gravou um vídeo mostrando um pouquinho do dia a dia dela! Arquivo pessoal. 

Deu para ver que a Pedagogia é para quem gosta lidar com pessoas e educá-las, não é? Pedimos para a Aline deixar um recado para quem ficou com vontade de fazer a graduação:

Minha dica para quem quer fazer é: faça, vá em frente! É um curso maravilhoso, tem que ter muita paciência, criatividade, amor e solidariedade. O salário não é dos melhores, porém é muito gratificante. Tem que gostar e estar disposto a mudar e fazer a diferença.”

 

Dicas, pra que te quero!

Confere aí algumas dicas das nossas entrevistadas:

  • Esquecer o estereótipo de que só mulheres fazem Pedagogia. Hoje há bastante homens cursando!
  • Lembrar que a carreira abre espaço para inúmeras pós-graduações: mesmo gostando de crianças, você não precisa fazer só isso a vida inteira;
  • Aproveitar a faculdade para perder a timidez durante seminários, apresentações: isso vai ajudar muito para exercer a profissão;
  • Não desistir de cursar por causa dos salários baixos: ser professor ainda é um trabalho muito importante no Brasil, e você pode fazer a diferença!

E aí, curtiu a conversa com a Aline e com a Maria Clara? Esperamos que as experiências delas tenham ajudado a desvendar e tirar suas dúvidas sobre a faculdade e a profissão de pedagogo. Até a próxima!