Falar e ouvir são habilidades fundamentais para se comunicar. E você sabe qual é a profissão que cuida dessas funções tão importantes? A Fonoaudiologia! Quem escolhe esse curso vai aprender os cuidados com a voz e a audição, estudar sobre prevenção e reablitação, além de ter a chance de melhorar a qualidade de vida de muita gente. Vem conhecer as histórias do Matheus, da Isabella e da Carla em mais um capítulo da Série profissões!

Desde cedo

Aos 17 anos, assim que concluiu o Ensino Médio, o Matheus Scheuermann já se interessava pela área da saúde: “Logo que terminei a escola, ingressei no pré-vestibular e comecei a pesquisar sobre os cursos da saúde. Minha ideia inicial era Psicologia, mas, pesquisando, vi que não era o que eu imaginava. Procurei mais, até que encontrei a Fonoaudiologia”.

 

Conversei com uma amiga que já era fonoaudióloga, li bastante sobre o curso e me interessei. Resolvi então prestar o vestibular pra Fono e entrei.”

 

Hoje com 19 anos e cursando o 5º semestre no Centro Universitário Metodista (IPA), Matheus conta que o cotidiano da faculdade é cheio de novas descobertas. “Sempre que precisamos, podemos contar com a ajuda de colegas que estão mais adiantados e também estamos sempre dispostos a auxiliar quem precisa. Essa certamente é a parte que mais gosto: a constante troca de experiências.

FONO.1Matheus (de óculos) na ação desenvolvida pelos estudantes de Fonoaudiologia do IPA para o dia da Voz, em abril deste ano. Arquivo pessoal.

As disciplinas que o gaúcho de Cachoeira do Sul mais curte são as de linguagem, que ensinam como desenvolver a fala, linguística e escrita. “As mais difíceis são as que envolvem neurologia e audiologia (que estuda o sistema auditivo e os sons).”

Matheus já fez um estágio, no qual aprendeu a trabalhar a consciência fonológica (compreensão da linguagem oral) em crianças da pré-escola. Foi uma experiência incrível! O retorno que elas dão é muito gratificante. Foi muito melhor do que eu poderia imaginar, lembra. “No futuro, tenho a intenção de atuar com linguagem infantil, mas isso pode mudar, pois ainda tenho quatro semestres pela frente.”

 

Somos poucos, mas somos muito ativos!”

 

FONO.2Bendito fruto: Matheus é um dos poucos meninos no curso de Fono. Arquivo pessoal.

Mesmo sendo um dos poucos meninos no curso (de quase 80 alunos, não somam nem 10), o estudante diz que nunca teve problemas com a questão de gênero: “Não fez diferença nenhuma na minha decisão e não sofro nenhum preconceito por conta disso”.

Sobre a escolha profissional, Matheus define: “Até agora, me sinto muito satisfeito. Tenho dificuldades em algumas cadeiras, facilidade em outras, mas a satisfação de estar fazendo algo tão importante e de que eu gosto tanto é muito maior do que qualquer obstáculo”.

Vida de fono

A mineira Isabella Bicalho é especialista em Disfagia (dificuldade de deglutir, ou seja, de ingerir alimentos) e trabalha com pacientes tanto no atendimento hospitalar como no domiciliar. Formada em 2001 pelo Centro Universitário Izabela Hendrix, de Belo Horizonte, ela está terminando o mestrado em Neurociências.

 

A Fono tem áreas de atuação para todos os gostos.”

 

FONO.3Participação ativa: Isabella está sempre ligada nos eventos da área. Esse, por exemplo, buscava enfatizar a importância do cuidado com a voz. Arquivo pessoal.

Isabella explica que a Fonoaudiologia descobre novos rumos a cada ano. “Temos uma base bem grande nas áreas médicas (fala, deglutição, linguagem, desenvolvimento neuromotor, emergência, terapia intensiva, do neonatal ao idoso), mas também temos força junto às áreas humanas (coaching, impostação vocal, gerenciamento de equipes, saúde pública, escolas) e exatas (voz e audição).”

 

A interação com a família é tão ou mais importante que a relação com o paciente.”

 

A fonoaudióloga de 38 anos chama atenção para uma parte importante da profissão: o relacionamento. “Na faculdade, temos uma cadeira de Psicologia que nos prepara para trabalhar com os pacientes e suas famílias. A sua opinião, muitas vezes, pode divergir da opinião deles e você deverá ponderar ética e respeito, pois o objetivo maior é a melhora da qualidade de vida.”

FONO.4A fonoaudióloga com uma de suas pacientes, Maria Inês. Arquivo pessoal.

FONO.5Realização profissional: Isabella (esquerda) e a equipe do hospital onde trabalha há 13 anos. Arquivo pessoal.

O equilíbrio emocional é outro elemento crucial. “Eu trabalho com pacientes neurológicos, muitas vezes em estado grave. Acompanhar a evolução da doença até um momento em que eu não consigo mais ajudar é muito frustrante. Já vi alguns morrerem e a sensação de impotência é pesada.”

Mesmo com o revés, ela avalia que o trabalho é uma recompensa. “Conhecer pessoas diferentes, ter a possibilidade de melhorar a qualidade de vida do paciente e poder fazer diferença na vida de uma pessoa é muito gratificante. Eu sou apaixonada pelo que faço e tenho certeza que nenhuma outra profissão me faria mais feliz!”

Fala, profe!

A professora e coordenadora do curso de Fonoaudiologia do IPA, Carla Guterres Graña, alerta que a faculdade exige um ritmo intenso de estudo e leitura. “Os alunos devem se preparar para estudar diversas disciplinas, como Anatomia, Linguística, Neurologia, Psicanálise, Audiologia, entre outras. O estudante também deve ser comunicativo e gostar de lidar com pessoas de diversas idades.”

FONO.6A coordenadora Carla (no centro, de azul) com alunos em Paris para um intercâmbio de aprimoramento na área de primeira infância e detecção precoce de autismo. Arquivo pessoal.

Segundo a fonoaudióloga, o mercado de trabalho é promissor: “As áreas mais procuradas para atuação são a audiologia (realização de exames e indicação de prótese auditiva), setor hospitalar, o trabalho realizado com bebês prematuros e também o aperfeiçoamento da voz e da oratória”.

FONO.7Alunos durante um exame de audição, uma das atividades práticas desenvolvidas na clínica-escola da instituição. Arquivo pessoal.

Onde vou trabalhar?

Ao optar pela Fonoaudiologia, você poderá atuar com:

  • Diagnóstico e prevenção de problemas na voz e audição;
  • Auxílio a crianças com dificuldade de aprendizado, aplicando técnicas para desenvolver a fala e a escrita;
  • Reabilitação de adultos e idosos vítimas de doenças ou acidentes que afetaram a comunicação oral;
  • Pesquisa e testes para fabricação de aparelhos auditivos;
  • Tratamento de problemas relacionados à motricidade oral, como respiração e mastigação;
  • Preparação da voz para atores, cantores, políticos e palestrantes.

Dicas, pra que te quero!

Confere as dicas dos nossos entrevistados se você se interessou pela Fono:

  • Pesquise bastante sobre as áreas de atuação do curso para encontrar algo que desperte prazer, pois o trabalho é onde você irá passar a maior parte do seu dia;
  • Faça Fonoaudiologia porque você tem identificação com o curso e com a área da Saúde; é preciso gostar do curso;
  • Saiba trabalhar em equipe;
  • Não se engane, Fonoaudiologia tem matemática sim. Aguarde pelos cálculos na cadeira de Audiologia;
  • Aproveite ao máximo o tempo na faculdade, pois é quando você poderá aprender, participar e se engajar!

Curtiu os caminhos que a Fonoaudiologia oferece? Conta pra gente nos comentários o que você achou das entrevistas. 🙂 E aguarde pelos próximos capítulos da nossa saga em busca da profissão ideal! Hasta o/