Você é daquelas pessoas que se preocupam com as questões ambientais e que tem verdadeira paixão pelos mares? Então dá uma olhadinha nesse post da Série Profissões. Quem sabe a Oceanografia não é a sua praia?!

 

Um curso diferente, fora dos escritórios, voltado às pesquisas sobre animais e plantas e aos processos marinhos. Esses foram os diversos motivos que inspiraram a Gabriela, a Luisa e o Lucas a ingressarem nessa graduação. – 

 

Aos 22 anos, Gabriela Decker estuda Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina. Até entrar na faculdade, ela pesquisou bastante: “Comecei a pensar sobre o que gostaria de fazer da minha vida e como eu poderia usar minha futura profissão para ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. No início, fiquei entre Biologia e História. Gostava de Biologia Marinha, mas comecei a procurar por cursos mais abrangentes e interdisciplinares. Foi assim que eu achei a Oceanografia”.

1Gabriela em um curso de mergulho ao sul da Ilha do Arvoredo, em 2012. Arquivo pessoal.

Termômetro do mundo!

Apesar de muitas pessoas não conhecerem a profissão, que foi regulamentada apenas em 2008, a atividade é fundamental para entender o funcionamento do nosso planeta.

A oceanógrafa Luisa Fontoura também estudou na UFSC. Ela escolheu a Universidade catarinense “pelo fato de estar situada em uma ilha que possibilita bons campos relacionados ao curso”.

Talvez por ser algo novo, Gabriela diz que a faculdade é muito mais do que as pessoas imaginam.

Normalmente, elas acham que vão estudar golfinhos, tartarugas e o resto da megafauna carismática (que são os bichinhos fofinhos). Nós até os estudamos, mas estudamos muitos outros temas também”, afirma.

 

3Gabi fotografou uma tartaruga cabeçuda na grande barreira de corais (Austrália). Arquivo pessoal.

Além disso, é preciso acostumar-se com as dificuldades da universidade pública, principalmente em cursos em que é necessário ter laboratórios e fazer saídas de campo. “Depois do REUNI, a UFSC abriu vários cursos novos. Só que o programa focou apenas na expansão. A parte da reestruturação ficou pela metade”, diz Gabriela.

O baiano Lucas Medeiros formou-se em 2016 na UFBA. Apesar dos muitos problemas que ele também encontrou por lá, garante que a faculdade lhe abriu um mundo que não esperava encontrar.

Ter um profissional oceanógrafo no mercado de trabalho é bastante importante para se ter uma visão multi/interdisciplinar do âmbito sócio-ambiental. Somos profissionais que, teoricamente, sabem enxergar o meio como um todo”, afirma Lucas.

 

Meu escritório é no mar

Aos 26 anos, Lucas é mestrando em Geoquímica na UFBA. Ele comenta que conseguir trabalho na área é uma das dificuldades. Por isso, é importante o aluno estar sempre ligado em oportunidades em laboratórios na universidade.

“Ao longo de toda minha graduação, tive oportunidade de trabalhar em dois laboratórios. Alguns alunos também têm oportunidades de fazer estágios em empresas de consultoria e engenharia costeira (encontradas na cidade)”, conta a oceanógrafa Luisa.

5Luisa em uma expedição no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (Pernambuco). Arquivo pessoal.

Aproveitar a universidade é o que Gabriela tem feito bem. A estudante participa de palestras e seminários e já realizou um intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras. Também trabalhou em dois laboratórios da faculdade e em outro durante o intercâmbio.

“Trabalhei com a identificação de peixes por meio de chaves taxonômicas, medição e pesagem. Fui para a Austrália pelo Ciência Sem Fronteiras, e, de agosto de 2014 a janeiro de 2015, trabalhei no Grupo de Ecologia Marinha da University of Western Australia (UWA), na equipe que estuda peixes.”

2Gabriela e a equipe do Marine Ecology Group: Fish Research, na Austrália. Arquivo pessoal.

Atualmente, Gabi estagia no Laboratório de Biogeografia e Macroecologia Marinha da faculdade, trabalhando com ecologia de peixes recifais.

Já Luisa se desdobra nas expedições: para conseguir responder a essa entrevista, precisou chegar ao continente para ter internet! Neste momento, ela está se preparando para se mudar para Sydney (AUS), onde realizará o doutorado.

6Luisa em um treinamento na Base Naval de Natal (RN). Arquivo pessoal.

 

Escolhi seguir a academia e a pesquisa voltada para os ecossistemas marinhos. Durante esses anos, trabalhei muito na frente do computador, aprendendo sobre a dinâmica dos ecossistemas, aprendendo inúmeros nomes de espécies”, diz Luisa.

 

Abrindo os horizontes

Diante da enorme devastação desses ambientes na última década, a profissão é cada vez mais importante. Além do conhecimento das atividades da Terra e da participação do homem nesse contexto, a atividade também é fundamental para desmistificar algumas coisas.

“Ano passado auxiliei o Laboratório de Teleósteos e Elasmobrânquios no projeto de extensão ‘Desmistificando tubarões e raias: para educar e conservar’. Foi uma experiência muito gratificante atuar junto ao público para ajudar esses bichos, que sofrem tanto pela má reputação injusta que têm”, diz Gabriela.

4Luisa já participou de diversas pesquisas e expedições científicas. Arquivo pessoal.

A interdisciplinaridade da Oceanografia é o que abre muitas portas na área de atuação do mercado.

“Como qualquer outra profissão, existe uma grande competição. Com a atual situação econômica do nosso país, achar um emprego logo após a formação vai depender da dedicação do aluno durante o curso”, diz Luisa.

O setor público que inclui as universidades e os órgãos federais, estaduais e municipais vinculados à temática ambiental representa boa parte do mercado de trabalho do oceanógrafo.

 

No setor privado, empresas que atuam na pesca, na consultoria socioambiental e na prospecção e produção de petróleo são uma opção promissora. Há ainda a possibilidade de se trabalhar em ONGs ou no turismo aquático. –

 

Luisa comenta que há ainda problemas de assinaturas para projetos ou reconhecimento da profissão para determinadas questões. Mas ela acredita que a profissão está começando a ascender no cenário brasileiro.

“Faça o curso sempre buscando as oportunidades que ele tem a oferecer, tente ir pra todas as áreas da Oceanografia e veja com qual você tem mais afinidade. E que ‘a que mais dá dinheiro’ seja o último pensamento”, aconselha Lucas.

E se tem uma coisa que o Lucas, a Luisa e a Gabriela citaram a todo momento foi paixão. “A paixão pelos oceanos é uma motivação essencial para a formação de bons profissionais”, afirma Luisa.

 

Sou completamente apaixonada pelo que estudo. Nunca imaginei que entenderia o funcionamento do planeta Terra de uma forma tão impressionante e completa”, diz a estudante Gabriela.

 

Gabi lembra de uma frase de Sylvia Earle, uma das maiores oceanógrafas da atualidade, que diz: ‘Sem água, não há vida. Sem azul, não existe o verde’. E aí, partiu?!

7Registro de um tubarão gralha branca na Austrália, feito pela Gabi. Arquivo pessoal.

Dicas, pra que te quero!

Confira o que os nossos entrevistados explicam sobre a Oceanografia:

  • O curso proporciona visuais incríveis, mas é preciso estudar muito;
  • A carga de Cálculo, Física e Química é bem puxada;
  • A Oceanografia tem cinco grandes áreas: Química, Física, Geologia, Biologia e Socioambiental (não é à toa que é uma Ciência Exata e da Terra!);
  • Um dos pré-requisitos para adquirir o diploma é ter cem horas de atividade embarcada, mas nem sempre a grade curricular oferece oportunidades suficientes de embarque para que se consiga cumprir a determinação do MEC;
  • É bom também ter uma certificação de mergulho e fazer o curso de marinheiro auxiliar de convés (MAC), organizado pela Marinha;
  • Para quem tiver interesse de conhecer o trabalho em laboratórios, pode acessar o LABITEL e o Marine Ecology Group: Fish Research;
  • De resto, é só amor <3

Já imaginou você nesse ambiente de trabalho incrível, ajudando a construir um mundo melhor?! Então, se joga na Oceanografia! Até mais 😉