Quem aí curte games? Mario, Sonic, Tomb Raider, Resident Evil, Silent Hill e mais recentemente a febre do Pokemon Go. Jogar é muito legal, mas já pensou que bacana deve ser criar e desenvolver esses fenômenos? É isso que você vai aprender no curso de Jogos Digitais!

Nesse post da Série Profissões, a Isabella e o Otto contam como é a vida profissional de quem escolhe esse caminho. Game on!

Jogos Digitas, eu escolho você!

Quando criança, a Isabella Latorre nunca gostou dos brinquedos tradicionais. “Os games fizeram parte da minha infância. Quando eu descobri que existia um curso para formação de desenvolvedores de jogos digitais aqui no Brasil, não pensei duas vezes.

 

Foi meu pai que me falou do curso, eu nem sabia que existia.”

 

E adivinha o que a família dela achou da ideia: “Adoraram! Eu ia prestar vestibular na UFRGS para História, e aí, um dia antes da prova, meu pai veio com um folheto e falou: ‘Tem certeza que quer fazer História? Olha esse curso aqui, acho que é muito mais a sua cara’. E foi!”.

aIsabella abriu a própria empresa para ter mais autonomia na criação. Arquivo pessoal.

Estudante do 5º semestre de Jogos Digitais na Uniritter, ela critica a falta de experiência dos professores no mercado de trabalho. “Acho que poderíamos aprender muito mais se os professores tivessem mais vivência na indústria.” Por outro lado, o clima do curso compensa. “É muito descontraído. Gosto da facilidade que temos pra nos comunicar, afinal, todos nós gostamos e vivemos os games, então é muito divertido.”

2Uma das ilustrações de Isabella. Arquivo pessoal.

A gaúcha de 20 anos confessa que não curte muito as aulas de programação. “Eu gosto bastante de todas as disciplinas de Arte, que incluem ilustração e storyboard, e me identifico muito com as cadeiras de criação.”

Isabella trabalhou alguns meses no estúdio experimental da universidade e decidiu abrir sua empresa (um pequeno estúdio indie, como define) para ter mais liberdade. “Eu queria fazer os games que eu sentia vontade de fazer e até agora estamos indo bem. Já vendemos jogos e, no momento, estamos trabalhando em um projeto próprio.”

 

Muitas pessoas entram na faculdade achando que fazer games é semelhante a jogar, mas esse pensamento é incondicionalmente equivocado!”

 

Isabella diz que existem muitas empresas de games no Brasil, mas que o mercado é acirrado. “Os profissionais precisam estar muito bem preparados para conseguir entrar nesse ramo. O mercado é ‘gentil’ com quem estuda, é focado e esforçado, mas tremendamente cruel com quem não é. Então, não indico o curso pra qualquer um que apenas gosta de games, porque isso não é o suficiente.”

3Modelagem 3D de um goblin feito por Isabella. Arquivo pessoal.

Existe muito preconceito sim.”

 

Sobre a questão de gênero, Isabella diz que nem 10% do total de alunos é composto por meninas. “Existem duas principais formas de preconceito. Você fala que é game designer e automaticamente as pessoas acham que você é um estereótipo nerd, porque, segundo muitos, não existem meninas ‘bonitas’ nessa área. E a outra: pode ter certeza que vão dar em cima de você. É horrível! Esse é o principal motivo de eu ter um nickname unissex em jogos online.

Satisfeita com a escolha e decidida, ela já sabe o que vai ser: “Escultora e modeladora 3D”. E aconselha:

 

Pra você conseguir se formar na faculdade, vai precisar programar e modelar muito. No início do curso, a sala é dividida entre ‘artistas’ e ‘programadores’, então, é bom ter aptidão em uma das áreas. Se tiver nas duas, melhor”.

 

Programador empreendedor

O carioca Otto Lopes Braitback de Oliveira sempre gostou de customizar partes do jogos. “Lembro que fazia edições nos arquivos de uniformes do FIFA e alterava parâmetros nas configurações do jogo.”

dProgramar é preciso: Otto com a mão na massa no seu habitat natural. Arquivo pessoal.

Formado pela Unisinos em 2010, o programador de 27 anos já trabalhou em uma consolidada empresa de games de Porto Alegre fazendo jogos para publicidade (os “advergames”) e, em 2012, montou sua empresa com um modelo de negócios voltado para oferecer serviços de programação.

 

Em 2014, juntei forças com o game designer e ilustrador Leonardo Amora Leite para fazer jogos próprios. Deu muito certo!”

 

Ultra Mercado, game produzido por Otto e Leonardo que conquistou o 3º lugar no concurso de desenvolvimento de jogos sobre empreendedorismo do SEBRAE, em dezembro de 2015. YouTube.

Otto avalia que ainda falta estrutura para a geração de empregos no mercado brasileiro. “Ainda assim, acho que o número de empresas de jogos aumentou consideravelmente nos últimos anos por aqui. Também é possível trabalhar em companhias no exterior ou até mesmo remotamente, mas é um processo mais longo e trabalhoso.

Como bom programador, ele fica feliz quando vê todas as ‘peças’ do jogo se juntando e formando um complexo sistema. “No início do desenvolvimento, quando tudo parece muito rudimentar, é difícil ter noção do que pode vir a ser o jogo.” Nos pontos negativos estão os feedbacks iniciais do projeto, que muitas vezes são duros de ouvir, mas vitais para o sucesso do game.

eOtto (esquerda) com o parceiro Leonardo: diversão, mas muito trabalho! Arquivo pessoal.

A melhor parte é ver a alegria das pessoas em jogar o jogo criado por você. É o ápice!”

 

Realizado profissionalmente? “Sim, muito! Embora, financeiramente, ainda exista uma certa diferença entre o salário do profissional de TI e o de Jogos”.

Onde vou trabalhar?

O setor de games no Brasil é promissor: cresceu cerca 12% nos últimos cinco anos, segundo a Associação Brasileira dos Desenvolvedores (Abragames). Se escolher esse caminho, você poderá trabalhar na criação e desenvolvimento de jogos de entretenimento, educativos, publicitários e empresariais para computadores, celulares, tablets ou consoles de videogame nessas áreas:

  • Áudio – Criar sons e efeitos sonoros;
  • Programação – Programar recursos do jogo utilizando algoritmos;
  • Roteirização – Definir o tema, gênero (ação, aventura, infantil), cenário, regras;
  • Modelagem 2D e 3D – Fazer o acabamento e a animação, incorporando funções de iluminação e tratamento em jogos de duas e três dimensões;
  • Ilustração – Desenhar personagens, cenários e situações.

Dicas, pra que te quero!

Anota as dicas da Isabella e do Otto se você pensou em cursar Jogos Digitais:

  • Tenha em mente que desenvolver é diferente de jogar! Aliás, você quase não terá tempo pra isso;
  • Experimente o processo de criação através das ferramentas gratuitas disponíveis e seus tutoriais. Isso poderá ajudar você a decidir se é com isso mesmo que deseja trabalhar;
  • Defina sua área de interesse. Atualmente, existem dois tipos de curso: alguns mais voltados para a programação e outros para o design;
  • Não se limite ao conhecimento oferecido na faculdade. O curso é muito recente no Brasil, então, você deve aliar o que aprender às experiências reais do mercado de trabalho.

E aí, o curso de Jogos Digitais é como você pensava? Não basta gostar de games, tem que trabalhar muito! Conta nos comentários o que você achou. 😉 E aguarde pelo próximo episódio da saga da escolha profissional!