Trabalhar com Moda vai além de desenhar aquelas roupas ousadas que atravessam as passarelas internacionais. Você vai precisar conhecer sobre Cultura, Antropologia, Engenharia, Administração, Artes, enfim, um leque de áreas muito diferentes – e muita criatividade – para se dar bem nessa indústria que veste os ricos e famosos e os simples mortais como nós também. 😎

Conversamos com o Gustavo e a Roberta e vamos te contar um pouco mais sobre essa graduação que ainda é pouco conhecida no Brasil!

Começando pelo esboço

Gustavo Duarte tem 24 anos, é formado pela UniRitter, de Porto Alegre, e é designer na Gang.

 

Desde criança eu sempre tive um gosto pelas áreas criativas, só não sabia exatamente em qual eu gostaria de trabalhar.”

 

Ao concluir o Ensino Médio, Gustavo entrou no curso de Design Visual: “[o curso] é ótimo e abrange diversos campos, mas não atendia exatamente as minhas necessidades”. Ele conta que, em todos os seus trabalhos, acabava produzindo alguma coisa voltada para a Moda e percebeu que era nesse campo que queria trabalhar. Acabou trocando de curso e garante que não se arrepende da decisão!

img-20161009-wa0013Peça que fez parte do trabalho de conclusão de curso de Gustavo. Arquivo pessoal.

 

Apesar de ter tido muita dúvida em fazer isso, hoje vejo que fui sábio nessa decisão, porque mesmo esses dois cursos tendo suas semelhanças, a Moda possui particularidades específicas que fazem diferença no mercado de trabalho.”

 

Roberta Weiand se formou em 2006 pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Ela confessa que não conhecia muito sobre o curso de Moda, mas que gostava muito de desenhar e isso serviu como motivação inicial.

3Roberta em uma palestra falando sobre seu app de Moda. Arquivo pessoal.

O curso é mais voltado para a criação, com trabalhos no fim dos semestres ao invés de provas, o que acaba exigindo muita dedicação, especialmente dependendo do número de disciplinas que você cursa por período letivo. A habilidade criativa, porém, é apenas uma das facetas do curso; você vai precisar estudar um pouco de Exatas também:

 

A gente teve muitas disciplinas de Desenvolvimento Criativo, mas outras da área de Engenharia de Produção, por exemplo. No meu caso, eu tive que estudar bastante, por não saber muito dessa parte de Engenharia e Matemática”. Esse foi um dos pontos baixos do curso para Roberta.

 

Gustavo conta que, durante o curso, ele teve que ler muito sobre Teoria da Estética, Sociologia, Administração, Finanças, Marketing, Engenharia de Produção, Psicologia, Antropologia e História da Arte. “Para ser um bom desenvolvedor de produtos, tem de se saber pelo menos um pouco de muita coisa.” Ele garante que o mais pesado na rotina são as aulas de Projeto ou Atelier, que ocorrem quase todos os semestres, e nas quais os alunos devem apresentar uma pequena coleção.

 

Envolve muita pesquisa, desenho, modelagem, costura, mas, principalmente: tentativa, erro, correria e noites mal dormidas. Nem preciso dizer que muita gente acaba desistindo por causa desse ritmo intenso.”

 

A parte favorita do curso para Gustavo eram as disciplinas de projeto, que ensinaram a organizar o tempo de trabalho e o cumprimento de prazos de um atelier de Moda: “Eram corridas e absolutamente estressantes, mas Moda é assim mesmo”. Ele garante que é muito gratificante ver uma ideia sua tomando forma.

img-20161009-wa0011Mais uma das peças de Gustavo. Arquivo pessoal.

Ele não curtiu muito as disciplinas mais gerais dobre Design, que na sua universidade eram ministradas em comum com os alunos Design Gráfico e Design de Produto e, para ele, eram muito abrangentes e não necessariamente relevantes para a área da Moda.

O que Roberta mais curtiu no curso foi toda a parte da criatividade, as aulas de modelagem e de aprender a fazer a roupa nas aulas de costura. Além disso, a pesquisa de Moda e sobre tendências foi um ponto alto para ela.

 

Gostei muito das aulas de História, vendo como ela reflete a nossa vestimenta, como tu pode acompanhar os ciclos históricos e porque as pessoas se vestiam daquela forma.”

 

Roberta desenvolveu seu próprio aplicativo de Moda, o Prêt-à-Template, em que você pode fazer desenhos de peças de vestuário diretamente no seu celular ou tablet.

41Roberta desenvolveu seu próprio app de Moda, o Prêt-à-Template. Divulgação.

A indústria da Moda

Gustavo conta que começou a trabalhar no mesmo dia em que se formou e que, na medida do possível, acha que suas expectativas estão se realizando. “Mas muitas das minhas expectativas foram se modificando e eu fui me tornando mais realista conforme o passar da faculdade e das minhas experiências particulares”, ele reflete.

Para Gustavo, o mercado de trabalho é extremamente difícil:

 

Não estou exagerando. Se alguém acha que será contratado como designer apenas por ter um diploma, está absolutamente enganado. Precisa de experiência prévia, ter ganho concurso, ter feito intercâmbio e, acima de tudo, ter um bom portfólio e bons contatos”.

 

img-20161009-wa0007Outra peça participante do trabalho de conclusão do Gustavo. Arquivo pessoal.

Apesar da alta competitividade, com um grande número de formandos a cada semestre, ele acredita que Porto Alegre tem um mercado interessante e crescente de moda alternativa, o que pode ser muito bom para quem pensa em produzir e trabalhar de forma independente.

Ao concluir a graduação, Roberta sentiu que precisava aprofundar ainda mais seus conhecimentos, em virtude do que considera um dos pontos negativos do curso de Moda:

Os cursos de Moda, principalmente aqui no Brasil, são voltados a um público sempre feminino e adulto, não tem aquela especialização em sapatos, ou moda infantil, por exemplo. […] Acho que isso deixa um pouco a desejar nos cursos de Moda e foi o que eu senti que precisava buscar. Não me senti totalmente preparada para aquilo que eu queria somente me graduando; senti necessidade de fazer pós-graduação e também fiz mestrado”.

 

Roberta acredita que o mercado da Moda é muito vasto e que, como em qualquer profissão, você precisa estar sempre buscando o seu melhor. Ela dá a dica para quem está considerando trabalhar no ramo: a construção de um bom portfólio.

“O mais importante de tudo é conseguir sempre carregar contigo o teu portfólio. Por isso é sempre importante levar a sério as cadeiras da faculdade e conseguir compilar o máximo daquilo que tu consegue fazer, para conseguir uma vaga de trabalho”.

Amor e dedicação

Gustavo recomenda o curso para quem realmente conhece e ama Moda, mas adverte:

“A não ser que tu seja o Martin Margiela ou a Rei Kawakubo (se tu quer cursar moda e não sabe quem são esses, reveja teus conceitos), ninguém vai se interessar pela tua visão individual. As pessoas, quando procuram uma roupa, querem encontrar um pouco de si naquele produto. Moda é mais sobre entender o outro e menos sobre expressar o próprio âmago artístico. Pode ser desanimador algumas vezes, mas no final é isso que torna a profissão do designer de moda tão estimulante”.

 

Roberta enfatiza a importância de ir além da grade curricular da graduação para ser um profissional mais completo – 

 

“Se tu gostaria de ter uma ênfase maior na moda masculina, na moda infantil ou em calçados, busque esses conhecimentos já na graduação. Acho extremamente importante, depois que terminar a graduação, buscar um estudo a mais, uma pós-graduação, algo que te complemente ainda mais fora, é claro, os estágios, que eu acho extremamente importante para conseguir entender realmente como funciona o mercado de Moda, porque a graduação não consegue te passar 100% o que é um trabalho numa empresa da área.”

Dicas, pra que te quero!

Está pensando em estudar Moda? Dá uma olhada nas dicas da Roberta e do Gustavo para os aspirantes a Designers de Moda:

  • Prepare um bom portfólio durante a graduação, aproveitando os trabalhos das disciplinas;
  • Existem diversas áreas de trabalho para o graduado: busque conhecimentos além da Moda para público feminino;
  • Faça estágios em áreas diferentes para conhecer mais a fundo os diversos ramos da indústria da Moda;
  • Faça uma especialização ou uma pós-graduação. Conhecimento nunca é demais;
  • Esteja preparado para estudar um pouco de Exatas, como Matemática ou Engenharia;
  • Pesquise sobre cursos de Moda fora de sua região e até fora do Brasil. Existem bolsas de estudos em universidades do exterior.

Inspirado(a) para se tornar um Designer de Moda? Esperamos que você tenha curtido as dicas da Roberta e do Gustavo. Nos conta o que você achou e até a próxima! 😉