Já parou para pensar em todo o planejamento que envolve organizar e manter um hotel funcionando bem? Há muitos detalhes que precisam ser pensados para garantir hospedagem de qualidade, desde a recepção dos clientes até um serviço de quarto impecável. Já imaginou trabalhar nessa área?

 

Você é dinâmico e curte lidar com pessoas? Quem sabe Hotelaria pode ser a sua praia? – 

 

Conversamos com Maira Enger, formada em Bacharel em Hotelaria pela PUCRS, e com Rebeca Zagonel, formada pela Castelli Escola Superior de Hotelaria, que fica em Canela – uma região conhecida no Estado pelo turismo –, Rio Grande do Sul, e vamos te contar um pouco sobre a rotina do curso e a realidade do profissional formado em Hotelaria. Bora! \o/

Vontade de conhecer o mundo

Maira conta que uma de suas grandes motivações para cursar Hotelaria foi a vontade de viajar e explorar o mundo – e fazer disso o seu trabalho. “Falar línguas diferentes, conhecer novas culturas. Esses foram os grandes motivadores de fazer Hotelaria. Eu até pensei em fazer Comércio Exterior, mas é um trabalho mais sério, de negociação, de ficar em frente ao computador, e eu sou uma pessoa bem dinâmica, eu não gosto de ter muita rotina, gosto de estar ao ar livre.

5Maira trabalhando como Guest Relations do Hotel Fasano Rio de Janeiro. Arquivo pessoal.

Rebeca conta que a vontade de trabalhar com algo que envolvesse comunicação e dinamismo veio após um intercâmbio de High School nos Estados Unidos, em 2009: “Cheguei naquele turbilhão, ansiosa, e eu precisava fazer alguma coisa que envolvesse viagens, comunicação com pessoas”. Ela conta que pensou em fazer Relações Internacionais, mas estava em dúvida. Pensou em Hotelaria por ser sempre muito crítica em relação a hospedagens e serviços. Na época, vários conhecidos faziam o curso na Castelli, e ela aproveitou para conversar e tirar suas dúvidas com eles.

Um curso dinâmico

Para Maira, a rotina do curso foi muito legal, com uma diversidade de disciplinas que podem ser utilizadas em outras áreas além da Hotelaria, como Administração, Economia e Marketing. Além disso, havia a parte mais prática, com aulas sobre Gastronomia e serviços, como Laboratórios de Hospedagem:

 

Tinha um quarto, como um apartamento de um hotel, e a gente trabalhava desde saber arrumar as camas até a parte de gestão mesmo de um hotel, que é que nem uma empresa”.

 

3Maira curtindo um dia de folga em Ile aux Cerfs, Ilhas Maurício. Arquivo pessoal.

Maira também conta que eles estudam muitos cases durante a faculdade, situações que os professores vivenciaram no mercado de trabalho. Além de aprender sobre a parte administrativa, se estuda muito sobre situações com os hóspedes, “porque trabalhar com Hotelaria é trabalhar com a expectativa das pessoas”.

 

O hóspede trabalhou o ano inteiro para tirar aqueles dias de férias, então ele quer que sejam os melhores dias possíveis. Nesse sentido, a Hotelaria foca muito na hospitalidade e na cordialidade. Durante a estadia de alguém em um hotel, a ideia é sempre surpreender a pessoa, é trazer a resposta antes dela perguntar, fazer com que ela se sinta em casa, fazer os agrados, os mimos, saber os nomes dos hóspedes, detalhes que fazem muita diferença.”

 

Rebeca conta que não tinha ideia de como seria o curso e por isso foi visitar a faculdade para conhecer. A instituição em que ela estudou oferece uma proposta diferente de outras universidades e cursos:

 

É uma imersão total dentro do ramo hoteleiro (hospedagem/alimentos e bebidas). Tínhamos aula manhã e tarde e nos finais de semana estágios. Foi puxado, muita coisa nunca passou pela minha cabeça que eu iria aprender e me surpreendeu”.

 

2Rebeca (primeira à direita), durante a faculdade. Arquivo pessoal.

A imersão foi profunda mesmo, já que na faculdade Rebeca tinha que usar uniformes, cabelo preso, unhas bem feitas, brinco pequeno, sapato preto, apresentação impecável, o que ela considerou essencial para preparar os alunos para um posicionamento no mercado de trabalho.

Além disso, muito estudo na parte teórica também, com planilhas de Excel, gestão financeira e planos de negócios.

Rebeca conta que o mais gostou no curso foi aprender coisas que não se aplicariam somente à Hotelaria. “O curso me surpreendeu em todos os sentidos e acho até que acabei me tornando uma pessoa mais exigente em certos aspectos.”

Ela garante que não tem nada que não tenha curtido ao longo dos estudos. Segundo ela, apesar dos estágios puxados, as oportunidades foram fantásticas. Maira curtiu aprender todos os cases e botar a mão na massa.

 

Eu acho que é importante tu, quando estiver no mercado de trabalho, saber fazer o que tem de mais simples pra depois poder coordenar uma equipe. Tu vai ter que saber arrumar uma cama, por exemplo, pra poder coordenar a tua equipe de camareiras. Essa foi uma parte legal, saber fazer do básico até o mais complexo, que seria a parte de gestão mesmo, pra conseguir obter um resultado legal.”

 

6Village Club Med Albion, nas Ilhas Maurício, onde Maira trabalhou. Arquivo pessoal.

Para Maira, a parte ruim do trabalho é o salário. “Eu acho que é uma profissão que ainda é desvalorizada no Brasil.”

Além disso, o estudante tem que estar preparado para um regime de trabalho puxado (geralmente 6 dias de trabalho e 1 de descanso), com as folgas durante a semana. “É uma profissão muito corrida e intensa, tem sempre bastante serviço. Mas, existem cargos na Hotelaria em que tu só trabalha de segunda a sexta, no setor do Marketing, por exemplo.”

Estou formado, e agora?

Quando se formou em 2012, Rebeca conta que enfrentou a pergunta: e agora, o que faço? Ela conta que na cidade dela o ramo hoteleiro não era muito desenvolvido.

“Pensei em apostar na Hotelaria Hospitalar, e no início de 2013 estava com duas propostas de emprego: uma para a parte de Hotelaria Hospitalar e outra no setor de grupos internacionais de uma agência de viagens.”

1Rebeca (à direita), no dia de sua formatura. Arquivo pessoal.

O conselho-pergunta do pai foi decisivo na escolha de Rebeca. Ele perguntou “O que tu quer? Tu quer o mundo?”, e ela aceitou a proposta da agência de viagens, onde utiliza muito do que aprendeu na graduação e tem a oportunidade de conhecer lugares incríveis, fazer visitas técnicas em hotéis e manter contato com diversas redes hoteleiras.

Maira conta que, ainda na faculdade, ouvindo todas as histórias dos professores, tinha vontade de terminar o curso logo e viajar, começar a trabalhar e ver como era na prática.

 

Eu fui muito realizada quando eu me formei, porque eu trabalhei no Club Med em Cancun, nas Ilhas Maurício e no Egito. Depois disso consegui uma vaga no Hotel Fasano no Rio de Janeiro, que foi meu último trabalho direto com Hotelaria.”

 

Ela pôde vivenciar na prática as histórias dos professores que falavam sobre os vínculos de amizade criados com os hóspedes.

“Viajei para Nova York em outubro e visitei em Nova Jersey uma família que eu conheci no Club Med. Quando eu viajei para a Europa há alguns anos, fiquei hospedada na casa de um casal de franceses que também conheci no trabalho em Cancun, e eles me receberam na casa deles. Ele era chefe de cozinha e a cada noite queria me apresentar um prato francês. Isso eu adorei muito da profissão, tu acaba ficando próximo das pessoas, porque elas estão em um momento de lazer, querem ter essa troca contigo.

Um aprendizado para a vida

Para Maira, o grande aprendizado que teve no curso foram os exemplos dos professores, que batalharam para chegar onde chegaram: “Se tu realmente quer alguma coisa, tu consegue. Tu tem que correr atrás, dar o teu melhor. Durante o período da faculdade eu tinha muito essa vontade de morar fora. Corri atrás, me esforcei e tive a oportunidade de fazer trabalho voluntário no Canadá e em Gramado”.

4Maira em um luau para os hóspedes em Ilhas Maurício. Arquivo pessoal.

Maira não trabalha mais no ramo de Hotelaria, mas garante que coloca em prática no seu atual trabalho o que aprendeu no curso: tratar bem e surpreender as pessoas e estar sempre um passo à frente das necessidades do cliente, algo que ela considera ainda muito escasso no Brasil.

Rebeca garante que Hotelaria é uma boa escolha profissional:

“Acho que é algo que só tende a crescer e, para quem quer ter uma experiência profissional diferente, contato com a possibilidade de trabalhar fora, deve investir na área. A Hotelaria abre muitas oportunidades, vai muito além do profissional da recepção responsável pelo check-in e check-out. Acho válido e superapoio quem tem vontade”.

Dicas, pra que te quero!

Saca só que legais as Dicas da Rebeca e da Maira para quem pensa em cursar Hotelaria (e, quem sabe, dominar o mundo!).

  • Falar mais de uma língua (Inglês é fundamental) vai te ajudar a conseguir uma boa vaga no mercado;
  • Ser proativo, bem-disposto e tratar os clientes com educação;
  • Estar preparado para trabalhar nos finais de semana e feriados e talvez receber um salário um pouco mais baixo do que o esperado;
  • Aprender de tudo, do trabalho mais simples ao mais complexo no funcionamento de um hotel.

Curtiu as dicas e experiências da Maira e da Rebeca? Ficou com vontade de estudar Hotelaria? A Maira tem um blog onde conta sobre as suas experiências viajando. Clica aqui pra conhecer melhor. E aproveite para conhecer mais sobre outras profissões na nossa série. Até mais!