De fotógrafo e louco, todo mundo tem um pouco. Com a popularização das redes sociais e dos dispositivos móveis, qualquer pessoa se arrisca nas fotos conceituais e elaboradas (e dá-lhe filtro!). Mas pra viver da Fotografia é preciso estudar e praticar muito!

Nessa história da Série Profissões, vamos saber da Alina, do Emmanuel e do professor Rogério como é levar a vida como fotógrafo profissional e quais são as dicas para trilhar esse caminho. Bora conferir?

Fotojornalismo poético

Alina Oliveira de Souza escolheu o Jornalismo porque curtia muito escrever. “Porém, logo nas primeiras disciplinas, eu vi que a objetividade do texto jornalístico me irritava. Me parecia muito seco e eu desejava um pouco mais de literatura, liberdade e emoção.”

  Autoretrato: para Alina, abertura, movimento e emoção são os combustíveis para fotografar bem. Alina Souza.

Foi no 4º semestre da faculdade que a porto-alegrense aprendeu a fotografar. “A poesia da Fotografia me motivou. Eu chegava nas aulas ansiosa pra mostrar as fotos para a professora, que percebeu meu entusiasmo e me indicou para um estágio. Ela perguntou: ‘já pensou em ser fotojornalista?’ Eu respondi: ‘sim, agora estou começando a pensar’.”

 

Na Fotografia, eu me senti realmente solta, criativa, humana, sensível.”

 

Formada em Jornalismo pela PUCRS em 2014, Alina conta que fez estágio em outra área para ter uma experiência diferente: “Gostei, mas faltava algo. Foi aí que enchi o peito de orgulho e disse a mim mesma: repórter fotográfica. É isso que serei daqui pra frente”.

Foto2Tribos urbanas: a fotojornalista aproveita os momentos entre uma pauta e outra para registrar o que chama sua atenção. Alina Souza.

De início, os pais não entenderam muito bem a decisão: “Em uma ocasião, meu pai disse que preferia olhar as “figuras” do jornal. Aí eu disse: ‘pai, o repórter fotográfico faz exatamente essas figuras que você gosta’”, lembra, enfatizando que não deixou de lado a paixão pela literatura. “Ainda gosto de escrever, uma coisa não elimina a outra. Pelo contrário, se fortalecem”.

Mas eu preciso fazer faculdade pra ser fotógrafo? “Quando eu saí da escola, me faltava pensamento crítico e o curso de Jornalismo me ajudou a amadurecer, a repensar paradigmas, a questionar. A fotografia boa não é um mero registro. É interpretação, comunicação, narrativa, discurso, coisas que você vai aprender lá.” Aproveita pra conferir nesse link o post que falamos sobre Jornalismo! 😉

 

Para mim, a faculdade foi o alicerce de um percurso. Meu primeiro passo para a independência.”

 

Foto3Registro de “Frida y Diego”, peça do festival de teatro Porto Alegre Em Cena, em setembro de 2015. Alina Souza.

Alina alerta que o curso não se concentra muito na Fotografia: “Você vai estudar de tudo um pouco. A dinâmica da informação será bastante debatida e isso é o mais importante. Um bom fotojornalista tem que saber captar a informação e reproduzi-la em imagens”.

Foto4Prejuízo dos moradores da região das ilhas após a cheia do Rio Guaíba, em outubro de 2015. Alina Souza.

Hoje, aos 27 anos, Alina está no jornal Correio do Povo um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul e já foi responsável por mais de 50 capas. “A correria é relativa, pois depende dos acontecimentos na cidade e arredores”, diz, explicando que não basta apenas saber fotografar bem: “É necessário planejar o roteiro de atividades com os colegas, além de prestar atenção na pauta para não fazer fotos que destoam do assunto”.

 

Me encanta conhecer histórias de vida, captar a emoção e acompanhar a luta do povo.”

 

E os pontos negativos? “O peso do equipamento. Câmera profissional, lentes e flash pesam muito e haja pilates pra aliviar a dor na coluna. A rapidez exigida para executar determinadas pautas também me desconforta. Às vezes, quero ficar uma tarde inteira explorando uma reportagem, mas não temos tempo pra isso”.

Foto5Olhar constante: clique feito em Capão da Canoa, litoral gaúcho, durante um fim de semana de folga. Alina Souza.

Realizada, Alina se desmancha em elogios: “A Fotografia me desperta a vontade de desbravar o mundo, de fazer recortes e encontrar a beleza dos detalhes. Me faz enxergar nas diferenças o que é comum a toda existência. E, claro, me trouxe um emprego também!”.

De susto à profissão

Emmanuel Denauí conta que a escolha pela Fotografia veio pelo acaso. “Eu era estagiário da agência experimental da faculdade e também de uma rádio bem popular da capital gaúcha. Um dia, tive que cobrir um evento de moda e o fotógrafo que iria me acompanhar teve um piriri. Aí tive que fotografar também.”

Foto6Eclipse lunar de setembro de 2015, em Porto Alegre, clicado com a técnica da múltipla exposição. Emmanuel Denauí.

Foi então que a coisa despertou a atenção de Emmanuel e passou de susto a hobby e de hobby a ofício. “Comecei a aproveitar bem as oportunidades de mostrar a minha fotografia e ousar. Fui atrás de grandes profissionais, até que um deles me apadrinhou e tudo foi se afirmando cada vez mais.”

 

Tenho tesão de estar em novos lugares a cada dia, de conhecer e interagir com pessoas de culturas, crenças e expectativas diferentes.”

 

Foto7Versatilidade: Emmanuel já fez vários trabalhos com catálogos de moda e desfiles. Emmanuel Denauí.

Formado em 2012 no curso de Jornalismo pelo Centro Universitário Metodista (IPA), ele dá a real sobre a necessidade de um diploma: “A graduação me ensinou a ver as coisas de uma forma mais objetiva e ampla. Me ensinou a ser jornalista, não fotógrafo, mas me despertou a curiosidade pela foto. Acho que as duas coisas podem andar juntas, mas não dependem uma da outra”.

Foto8Autoretrato: Uma mão na câmera e outra no celular. Emmanuel Denauí.

No mercado de trabalho, a maioria dos grandes veículos só contrata fotógrafos diplomados, mas há muitas outras possibilidades.”

 

Aos 33 anos, Emmanuel já trabalhou em um grande jornal, foi o fotógrafo principal de uma equipe premiada mundialmente por coberturas sociais e hoje tem sua própria empresa. Muitos de seus cliques circulam pelas agências de imagens e veículos de comunicação. “Ser organizado com seu tempo é bem importante. Utilizar o MEI facilita pra começar no mercado, mas, quando o negócio cresce, você tem que arriscar e abrir uma empresa, o que é um grande desafio.”

Foto9Porto Alegre, junho de 2013: confronto entre a polícia e manifestantes nos protestos contra o aumento da passagem. Emmanuel Denauí.

 

O lance é ralar, estudar, buscar conhecimento e experimentar muito. Clicar até cansar!”

 

Sobre os altos e baixos da profissão, ele reconhece que é preciso rever conceitos e preconceitos. “Muitas vezes, clicamos o que não queremos, mas é aquilo que traz estabilidade financeira. Para isso, uma conversa séria com nosso ego é necessária”, avalia.

Foto10Fim de tarde em Porto Alegre: “Curto ter uma visão diferente da cidade e sempre tento extrair além do que vejo”. Emmanuel Denauí.

E se ele é satisfeito profissionalmente? “A Fotografia me aproximou das pessoas de uma forma que nem como jornalista eu conseguiria. Sou realizado por fazer o que amo e sei que jamais me faltará gás pra continuar!

los_hermanos_poaED_9635Close em Marcelo Camelo, vocalista dos Los Hermanos, no show de despedida da banda em Porto Alegre, 2012. Emmanuel Denauí.

Fala, profe!

O professor universitário de Fotografia, Rogério Soares, conta que a maioria dos seus alunos se interessa pelo fotojornalismo. “Eu diria que o curso de Jornalismo é indispensável para quem almeja se tornar um fotojornalista”, diz, explicando que a disciplina contempla tanto teoria quanto atividades práticas.

Foto12Rogério (à direita, de óculos) no estúdio com alunos quando foi professor na Unisinos. Arquivo pessoal.

E se você curte fotografar, Rogério recomenda o exercício: “Creio que todo aspirante a fotógrafo deve exercitar ao máximo seu olhar. O ideal é que ele procure registrar eventos sociais, esportivos, institucionais, culturais e até mesmo a rotina da sua casa”.

 

Leia muito! Busque bibliografias voltadas para autores e fotógrafos famosos, que explorem a técnica e, principalmente, a arte fotográfica.”

 

Onde vou trabalhar?

Se optar pela Fotografia, algumas das áreas em que você poderá trabalhar são:

  • Fotojornalismo: em veículos de comunicação, como jornais, revistas e sites no registro de acontecimentos diários, nacionais e internacionais;
  • Freelancer: você pode vender seus cliques para agências de fotografia;
  • Festas: fotografia de casamentos, formaturas, aniversários;
  • Estúdio: no registro de ensaios especializados, como de gestantes, bebês, pets, etc.;
  • Eventos: fotos de moda, música e esporte;
  • Assessoria política;
  • Agências de propaganda: fotos publicitárias.

Dicas, pra que te quero!

Dá uma olhada nas dicas dos nossos entrevistados para se aventurar na Fotografia:

  • Seja metido, curioso, criativo e inquieto;
  • Não tenha frescuras. Medos como o de pisar no barro, arruinar o penteado ou de situações de conflito não terão espaço;
  • Prepare o bolso: se você fotografar com equipamento próprio e quiser um material de qualidade, vai ter que desembolsar;
  • Aprenda a trabalhar sob a pressão dos deadlines;
  • Adquira um certo domínio de plataformas digitais, redes sociais e softwares de edição de imagem;
  • Estude sobre os variados tipos de lentes e técnicas, como a velocidade de exposição e a abertura do diafragma;
  • Observe os detalhes. Procure ver aquilo que está além do “comum”.

A profissão do fotógrafo é cheia de momentos emocionantes, né? O que você achou das entrevistas? Conta pra gente! A Série Profissões está aqui pra ajudar você na busca pela escolha profissional. 🙂 We’ll be back!