Provavelmente, enquanto lê esse texto, você está sentado do jeito errado. Sua cadeira, sofá ou cama é muito alta ou muito baixa; o computador não está na altura certa; o sapato que você usa está machucando seu pé; o jeito que você deitou forçou suas costas e por aí vai…

Segundo a gaúcha Mariana Moreira do Nascimento, de 31 anos nossa entrevistada para esse post um fisioterapeuta pode passar uma tarde inteira avaliando um paciente, tamanha é a complexidade do nosso corpo.

 

Quer conhecer a rotina de quem faz Fisioterapia e conferir se essa graduação é pra você? –

 

Aqui, na Série Profissões, a gente conta um pouquinho! 

Massagens como hobby

A Mariana é a prova de que não dá para se contentar só com um resultado de teste vocacional na hora de escolher o que você vai fazer pelo resto da vida. O que ela fez quando estava no Ensino Médio a direcionou para Comércio Exterior. “Fui pesquisar e vi que não tinha nada a ver comigo”, lembra.

FISIO1BConheçam a Mariana! 🙂 Arquivo pessoal.

Sorte que um hobby mudou o rumo dessa importante decisão. Ela adorava fazer massagens relaxantes na família e começou a considerar a Fisioterapia.

 

Eu achava que o curso era só fazer uns exercícios e umas massagens e pronto.”

 

A decisão final veio com a ajuda da mãe: “Ela me deu uma base, por ser enfermeira e conviver com fisioterapeutas no hospital. Foi muito importante!”.

 

Nunca mais pensei em fazer outra coisa!”

 

Muitas cadeiras

Primeiro semestre: muita festa, tempo livre e moleza, certo? Errado. Já na matrícula, a Mariana percebeu que tinha escolhido um curso pesado. “O que mais me assustou foi a quantidade de cadeiras do primeiro semestre. Eram 7 ou 8.”

De cara, disciplinas de anatomia e histologia (estudo dos tecidos do corpo humano) já apareceram. Foi aí que ela descobriu que aquilo que a gente estuda em Biologia, no Ensino Médio, não chega nem perto do que um profissional da área da saúde precisa saber.

FISIO2BDepois de muita teoria e estágios, Mariana chegou lá! Arquivo pessoal.

Além da teoria, se prepare para disciplinas práticas, como: terapia manual (a massoterapia), eletroterapia (onde você aprende a usar aparelhos como laser e ultrassom) e cinesiologia (cálculo de distâncias para fazer os exercícios, pesos, abertura de braços e pernas).

Troca de Faculdade

Quando Mariana ingressou na graduação, em 2004, o curso era novo na Faculdade que escolheu. A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) fica em São Leopoldo, na Grande Porto Alegre e, na época, ainda nem tinha formado a primeira turma de fisioterapeutas.

 

Nós éramos um pouco cobaias.”

 

Além disso, os poucos convênios com hospitais onde os alunos podiam fazer a prática levaram Mariana a trocar de Universidade. “O foco deles era muito a fisioterapia comunitária. A gente ia em postos de saúde, fazia saúde da família, mas eu queria experiências com Fisioterapia Hospitalar.”

A mudança para o Centro Universitário Metodista (IPA, em Porto Alegre/RS) fez a fisioterapeuta perder alguns créditos, mas valeu a pena.

FISIO3Essa é a galera que se formou com a Mariana no IPA. Arquivo pessoal.

Praticando

Como na maioria das profissões, é na hora dos estágios que a gente descobre se é isso mesmo que a gente quer. No caso da Fisioterapia, existem alguns estágios não remunerados, feitos ao longo do curso em lugares onde a Universidade tem convênio.

 

Mariana estagiou no complexo de hospitais Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. –

 

Lá, passou por diversas áreas da profissão, como Traumatologia e Ortopedia, reabilitação, e até trabalhou na prevenção dos funcionários. Depois foi para um posto de saúde, um asilo e, por fim, uma casa de amparo a crianças com distúrbios neurológicos. A cada estágio, era acompanhada por um preceptor (um profissional formado que acompanha os estudantes, prestando assistência ao longo do estágio).

FISIO4Mariana e a galera do estágio na Santa Casa 🙂 Arquivo pessoal.

Mariana lembra que a carga horária do curso era bastante cansativa: aula durante a manhã e estágios à tarde. E alguns colegas ainda trabalhavam para pagar a faculdade. Apesar do cansaço, a prática foi um grande aprendizado sobre a profissão.

 

Não importa se você tem a teoria na ponta da língua; a prática é muito importante. Você precisa saber como lidar com o paciente.”

 

Vida real!

Desde o fim da graduação, em 2010, Mariana já tinha uma preferência pelo trabalho de prevenção e reabilitação com idosos, uma das muitas áreas da Fisioterapia.

FISIO5Mariana no momento em que recebia o diploma. Arquivo pessoal.

 

Foi assim que ela foi trabalhar em uma casa geriátrica particular. –

 

Durante um ano e dois meses, conciliou esse trabalho com atendimentos domiciliares e uma pós-graduação em saúde do idoso. Também trabalhou em uma ONG, onde fazia terapia assistida com animais.

Hoje concilia dois empregos: pela manhã está no Hospital Independência, em Porto Alegre, onde atua na reabilitação de pacientes vítimas de quedas, atropelamentos e baleados; durante a tarde dá aulas de Pilates.

FISIO6Mariana comemorando o aniversário do Hospital Independência com as colegas, em 2014. Arquivo pessoal.

Sobre a remuneração, ela explica que os fisioterapeutas ainda não têm um piso salarial, o que faz com que os salários sejam bastante baixos.

 

Só ganhamos o que querem nos pagar.”

 

Atualmente, a maioria dos profissionais trabalha em clínicas – onde, cada vez mais, tratam pessoas com dores crônicas; atendimentos domiciliares a idosos, crianças ou pessoas que têm dificuldade em se deslocar; atuam em hospitais e na reabilitação de atletas.

E, só para esclarecer, a Mariana lembra que Fisioterapia não é só ir tomar “um choquinho” (existe um aparelho, muito usado pelos fisioterapeutas, que dá um mini choque nos pacientes) e apertar uma bolinha em uma clínica. Tem muita ciência por trás disso tudo!

Dicas, pra que te quero!

Que tal algumas dicas da Mariana pra você que quer cursar Fisioterapia? 🙂

  • Procure textos que falam sobre fisioterapeutas;
  • Assista a vídeos no Youtube com seções de Fisioterapia;
  • Passe algumas horas ao lado de um Fisioterapeuta durante o exercício da profissão (se possível);
  • Resista aos primeiros semestres (mais teóricos). Quando a prática chega, tudo melhora;
  • Se estiver descontente com o curso, converse com os professores;
  • Fisioterapia é uma profissão de muita doação. Prepare-se para conviver e lidar com o outro no dia a dia.

Gostou do nosso papo sobre essa profissão? Se tiver alguma dúvida sobre essa ou qualquer outra carreira, entra em contato com a gente! Até a próxima! 😀