Medicamentos, cosméticos, pesquisa científica. Você já se perguntou o que faz uma pessoa formada em Farmácia? Se você acha que é só ficar atrás do balcão, está enganado(a)! As respostas para essa pergunta são muitas, e pode crer que quem trabalha nessa área lida diariamente com Química, Biologia e muita pesquisa!

Nesse episódio da Série profissões, trazemos a trajetória profissional do Simon e da Ludmila pra mostrar de perto como é a rotina de quem escolhe esse caminho dentro das Ciências da Saúde. Bora conferir? 👊

Reações químicas zo/

Simon Teixeira Costa queria cursar Biologia desde o Ensino Fundamental, mas foi no Ensino Médio que a magia rolou: “Tive contato com a Química Orgânica e comecei a gostar muito. Tirava as melhores notas, além de querer sempre pesquisar mais do que o professor dava na sala de aula”.

 

Pensei em fazer Farmácia, já que eu poderia estudar a Biologia que eu tanto gostava, junto a um aprofundamento da Química Orgânica.”

 

A família curtiu a escolha: “Eles acharam uma boa ideia, um bom curso, com amplas áreas de atuação. Mas viviam me dizendo pra seguir na carreira de cosméticos, pois é uma área bastante promissora e que me daria muito dinheiro se eu me dedicasse”.

4Simon na lida, durante a Semana de Integração Farmacêutica da faculdade, em 2011. Arquivo pessoal.

O goiano de 24 anos está cursando o 9º semestre de Farmácia na Universidade Federal de Goiás (UFG) e conta que o dia a dia é bem dinâmico. “Nós estamos sempre alternando entre aulas teóricas e práticas em laboratórios. É sempre necessário ter atenção e seguir à risca as orientações dos professores, já que mexemos com ácidos e bases fortes.”

Para Simon, a matéria de Tecnologia Farmacêutica é a mais interessante: “Nela, nós vemos como os compostos se comportam dentro de uma formulação (uma pomada, um creme) a um nível micro e macro, e isso é sensacional! Mas, ao mesmo tempo que é interessante, é bem difícil”.

 

Algumas matérias do começo do curso são difíceis, mas imagino que seja porque alguns alunos (assim como eu), têm uma visão meio infantil da faculdade. Foi o que me fez cometer muitos erros no começo.”

 

Simon alerta que rever conceitos é preciso: “As pessoas costumam pensar que o papel do farmacêutico é apenas ficar atrás de um balcão de farmácia dispensando remédios o dia todo. Ao fazer o curso, o aluno vai entender a real função de um farmacêutico em todo o sistema de saúde, em indústrias, e como o papel dele é importante na sociedade.”

2Simon durante o estágio de Farmácia Hospitalar no Hospital das Clínicas da UFG, em outubro deste ano. Arquivo pessoal.

Sobre o mercado de trabalho, o estudante explica que o piso do farmacêutico no Brasil varia de acordo com o estado. “Em Goiás, está em cerca de R$ 3 mil, o que é um bom início de carreira, na minha opinião. Tenho interesse pela área acadêmica, mas estou tentando trilhar um caminho na Pesquisa e Desenvolvimento em uma empresa nacional ou estrangeira.”

 

Farmácia é um curso lindo! É muito prazeroso aprender como ajudar as pessoas e como as reações funcionam.”

 

Simon se diz satisfeito com a escolha: “Ter entrado na Farmácia me fez conhecer professores maravilhosos que me fizeram progredir muito, como aluno e como pessoa. Devo tudo o que aprendi a esse curso e às pessoas que conheci ali. Tenho muito orgulho disso tudo!”.

Farmácia na França

Em julho de 2015, Simon conseguiu uma bolsa de um ano no último edital para graduações do Ciência sem Fronteiras. Nos dois primeiros meses, ele ficou só aprimorando o idioma para depois seguir na sua área de estudos.

“Eu estudei o terceiro ano de Farmácia na Faculté de Pharmacie de Chatenay Malabry, que faz parte da Université Paris-Sud. A faculdade não é exatamente em Paris, e sim na região metropolitana, que fica a 15 minutos de metrô do centro (Arco do Triunfo, torre Eiffel).”

3Simon (de gorro) com os colegas brasileiros do intercâmbio aos pés da Torre Eiffel, em março de 2016. Arquivo pessoal.

E esse intercâmbio vai ajudar na carreira? “Eu acredito que sim. Não foi apenas uma porta profissional aberta, mas também uma porta pessoal. Me sinto preparado para morar em qualquer lugar do mundo, sem medo de procurar um emprego”.

 

Viver uma experiência dessas pode demonstrar a sua capacidade de adaptação e ser um belo atrativo no currículo.”

 

Pesquisa, mon amour!

Logo que Ludmila Pinheiro do Nascimento terminou o Ensino Médio, tentou o vestibular pra Direito, já que curtia História e Literatura. “Estava na angústia de escolher uma profissão. Não passei; então, no ano seguinte, fiz cursinho pré-vestibular e vi que gostava muito de Química. Foi quando me decidi por Farmácia.”

 

Quanto maior a experiência e a especialização, maiores as chances de inserção.”

 

Formada pela UFRGS em 2004, a gaúcha de 35 anos já trabalhou na indústria de produtos para a saúde (produtos médicos); como pesquisadora (setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação); Responsável Técnica e Responsável pelo setor de Assuntos Regulatórios (em órgãos como Anvisa e CEVS-RS).

1Lud fazendo selfie na entrada da faculdade onde faz doutorado, na França. Arquivo pessoal.

Hoje, Lud mora em Paris e faz doutorado na Université Paris-Sud/Paris-Saclay na área de nanotecnologia da saúde. “Em 2014, decidi que queria voltar a estudar. O doutorado era um sonho que foi sendo deixado de lado em prol da vida profissional na indústria. Pesquisei as possibilidades de bolsa e consegui na França, enviando projeto para os órgãos de fomento (CAPES e CNPq).”

 

O que realmente gosto de fazer é pesquisa. Amo trabalhar com isso!”

 

Apesar de algumas vezes os resultados não serem os esperados, Lud diz que “é nessa hora que mais se aprende, ao tentar explicar o revés encontrado”. E o intercâmbio, está sendo positivo? “Tenho colegas de diversas partes do mundo, o que soma muito no crescimento pessoal. Poder viver isso todos os dias é muito gratificante!

 

Não me vejo fazendo algo diferente. Mesmo nos momentos de frustração (que obviamente ocorrem e vão ocorrer sempre), tenho certeza que fiz a escolha certa.”

 

Onde vou trabalhar?

Se você quiser cursar Farmácia, poderá trabalhar com:

  • Análises clínicas e toxicológicas: na análise de material biológico para detecção de doenças;
  • Alimentos: com a análise da ação de determinadas substâncias no organismo humano e no controle de qualidade de alimentos;
  • Cosmetologia: você vai formular cosméticos e produtos de higiene em indústrias e farmácias de manipulação, além de atuar no controle de qualidade;
  • Atenção farmacêutica: na orientação de pacientes em drogarias, laboratórios e indústrias farmacêuticas;
  • Biologia molecular: fará análises laboratoriais envolvendo técnicas de biologia molecular – o exame de paternidade é um exemplo desse trabalho;
  • Área ambiental: no controle da qualidade da água, do solo e do ar em determinadas regiões;
  • Farmacovigilância: vai analisar medicamentos e cosméticos para saber se cumprem o que prometem ao consumidor;
  • Gestão: comandar um departamento na indústria farmacêutica, administrando custos, projetos e pessoal;
  • Medicamentos: Pesquisa e Desenvolvimento de novas medicações;
  • Pesquisa clínica: observação de pacientes que recebem medicamentos novos;
  • Vigilância sanitária: analisar e controlar medicamentos, insumos para laboratórios ou alimentos;
  • Vendas: no comércio de medicamentos em drogarias ou diretamente para hospitais e postos de saúde.

Dicas, pra que te quero!

Se liga nas dicas do Simon e da Lud se você curtiu o curso de Farmácia:

  • Estude inglês! É importante ter um conhecimento básico/intermediário porque você vai ter que ler muitos artigos científicos estrangeiros. Os tradutores disponíveis na internet sempre ajudam, mas ter independência na leitura é ainda melhor;
  • Se informe! Um(a) estudante de Farmácia deve ser curioso e estar sempre por dentro das novidades no mundo científico;
  • Observe qual o foco da faculdade que você escolheu. Por exemplo: Análises Clínicas, Bioquímica, Atenção ao Paciente, etc. Isso vai ser importante no futuro;
  • Procure informações sobre o mercado de trabalho e as áreas de atuação do farmacêutico, porque são muitas. Quanto mais especialista você for, mais chances terá.

Que tal o curso de Farmácia? Conta pra gente o que você achou dessa profissão 🙂 E não deixa de conferir nossos posts sobre a saga da escolha profissional. Até a próxima!