É super normal ficar perdido na hora de escolher qual o curso seguir. Por isso, a Série Profissões vai te dar uma forcinha. Desta vez, vamos desvendar um pouco sobre o tradicional Direito, um dos cursos mais antigos do Brasil e que não dispensa o uso de terninhos! Veja as dicas da Julia, que está passando pela aventura de ser caloura, e as da Carolina, que já concluiu o curso e agora vive os desafios do mundo lá fora.

“O que eu vou fazer da minha vida”? Em 2015, muita gente respondeu essa pergunta escolhendo o Direito, já que o curso foi o segundo mais procurado no Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Apesar da grande concorrência, seguir na profissão é uma boa. Não pelo status com a família da namorada ou com a avó, mas porque é a área mais abrangente de todas.

 

Você pode ser advogado, delegado, tentar inúmeras vagas em concursos públicos, ou então, atuar em causas mais populares – 

 

Para Carolina Ferret, a escolha foi bem racional. Apaixonada pela Educação Física, ela acabou desistindo por falta de apoio dos pais e por saber que não ganharia dinheiro (viu, é mais comum do que você pensa!). “Sempre gostei de ler bastante, então acabei optando pelo Direito para ter mais chances em um bom cargo público”. Carol chegou a cursar um semestre na PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), mas logo conseguiu ingressar na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Ela conta que o modelo de aulas, a forma de exposição do conteúdo e, até mesmo, o formato das provas são pontos negativos. “Tudo ainda é muito tradicional, muito mecânico e por consequência, meio cansativo”. Com 27 anos e formada, as rotinas de estudo continuam para prestar concursos.

 

– Há experiências que podem ser vivenciadas no primeiro semestre – 

 

Julia Monteiro tem 20 anos e é caloura na UFRGS. Ela já participa do Grupo Justiça Popular vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica da universidade. Assim, a estudante tem a oportunidade de atuar na área ao lado de profissionais já formados, orientando comunidades em Porto Alegre.

 

 “Participei de ações que não apenas ampliaram meu conhecimento jurídico, mas também contribuíram para o meu amadurecimento.”

 

O grupo acompanha desde 2009 a Vila Chocolatão, comunidade removida em 2011, do centro para o bairro Mario Quintana, periferia da cidade. Além de orientar os moradores durante o processo, os estudantes contribuem na organização de ofícios e na realização das eleições da associação de moradores. Durante a remoção das famílias, o grupo chegou a ir para frente das máquinas para que as casas das pessoas não fossem derrubadas enquanto a Prefeitura não garantisse para onde elas iriam.  

Conteudo2Exibição de documentário que marca os 5 anos da remoção da vila Chocolatão, organizada pelo Grupo Justiça Popular da UFRGS. Arquivo pessoal.

Atualmente, o trabalho vem sendo renovado com a participação de novos integrantes, assim como a Julia. “Qualquer situação de injustiça e desigualdade sempre me incomodou muito, sempre tive vontade de atuar para que elas fossem evitadas ou reparadas”. O SAJU da UFRGS possui mais de dez grupos, que tratam desde assuntos de defesa do consumidor até questões de menores infratores e refugiados.

 

Não dá pra ficar só na sala de aula, ainda mais quando se quer atuar no meio popular.”

 

O mais legal é que você pode ser estudante de qualquer faculdade e participar das seleções dos grupos. Para complementar o curso, Julia diz que é importante ficar ligado nas atividades extraclasse, como palestras, grupos de pesquisa e congressos em outras cidades.  

Dicas, pra que te quero!

  • Não escolha o Direito sem gostar de ler  (já viu o tamanho dos Códigos?);
  • Peça referências sobre os horários das aulas. Na UFRGS, por exemplo, o volume de estudo exige dedicação quase que exclusiva;
  • Procure aproveitar bem as oportunidades que a faculdade oferece, como palestras e grupos de assessoria;
  • Participe de atividades em outras faculdades;
  • Mantenha-se bem informado sobre o que está rolando no país;
  • Diploma na mão e mais estudo por aí! Os concursos públicos exigem boa preparação e se você for atuar como advogado, precisa fazer o difícil exame da OAB para ter a carteirinha.

 

Essas foram as dicas da Carol e da Julia. E aí, partiu? Se você ainda está indeciso, fica tranquilo! Não vamos desistir de ajudar você. Fica esperto no nosso próximo post, que mais estudantes irão contar como estão se saindo na faculdade ou no mercado de trabalho.