Existem tantos cursos de Engenharia diferentes que a gente fica até confuso na hora de escolher o curso para prestar vestibular, não é? Que tal conhecer um pouco mais sobre a Engenharia de Materiais para ajudar nessa escolha?

Conversamos com Sabrina Karnopp Forte e Carla Bianchini para entendermos um pouco mais sobre o curso. Vem! \o/

Por que Engenharia de Materiais?

Sabrina tem 23 anos e é estudante de Engenharia de Materiais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente ela cursa o sétimo semestre e está fazendo estágio. Carla tem 30 anos, é formada pela UFRGS e atualmente é estudante de Pós-Graduação em Administração na mesma universidade.

Sabrina conta que a motivação para escolher o curso foi a abrangência do trabalho com os quatro grandes grupos de materiais (metálicos, poliméricos, cerâmicos e compósitos), o que permitiria a ela atuar nas mais diversas áreas.

 

Sempre tive interesse sobre como e do que as coisas são feitas e, durante o colégio, tinha mais facilidade nas matérias Exatas, como Química e Matemática, o que me motivou a cursar Engenharia.”

 

Ela acredita que as engenharias em geral têm despertado mais interesse dos estudantes graças aos avanços tecnológicos, e a Engenharia de Materiais, trabalhando com o desenvolvimento de novos materiais e o aprimoramento dos existentes, além da melhoria de processos, tem grande influência nesse crescimento de procura nos vestibulares.

 

Além disso, o curso possui diversos laboratórios que permitem conciliar a teoria com a prática e incentivam o desenvolvimento científico e tecnológico.”

 

5Sabrina apresentando um trabalho em evento da universidade. Arquivo pessoal.

Carla conta que estava em dúvida antes de prestar vestibular:

“Na verdade, quando eu ia me inscrever no vestibular, eu ia fazer para Publicidade e Propaganda, na época eu tinha 17 anos, e acho que confundi um pouco com Marketing. A sorte é que no colégio onde eu estudava tinha o ‘Dia do Profissional’, e eu acabei me inscrevendo para passar o dia em uma agência de publicidade que tinha na minha cidade, para ver como era o trabalho. Eu aguentei só metade do dia na agência e no fim das contas acabei desistindo de fazer Publicidade”.

Ela conta que tinha facilidade no colégio com as áreas Exatas: Química, Física, Matemática, mas tinha dúvidas sobre cursar Engenharia: “Eu queria desenvolver mais a parte de criatividade e achava que na Engenharia eu não ia poder”.

1Carla, primeira à frente, com os colegas em uma atividade de laboratório. Arquivo pessoal.

Na época o pai da Carla tinha uma fábrica que reciclava plásticos e fazia mangueiras. Ele a convenceu a prestar vestibular para Engenharia de Plásticos em uma universidade particular, e ela descobriu que na UFRGS tinha um curso que também trabalhava com plásticos – que era a Engenharia de Materiais: “Li todo o currículo do curso e achei muito interessante, e foi por isso que me inscrevi no curso, mas meio que sabendo do que se tratava, mas um pouco às cegas também”.

E a rotina do curso?

Sabrina afirma que o curso exige dedicação, estudo e comprometimento.

 

Nos primeiros semestres, como qualquer curso de Engenharia, existem as cadeiras de Matemática, Química e Física que dão embasamento para as cadeiras específicas relacionadas a Materiais, que começam a partir do quarto semestre.”

 

O curso na UFRGS permite conciliar as disciplinas com diversas atividades extracurriculares como bolsas de iniciação científica nos diversos laboratórios; engajamento no Centro dos Estudantes; participação do Programa de Educação Tutorial (PET) – que desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão; e na Empresa Júnior do curso (EME Jr.), que presta consultoria na área de Ciência dos Materiais e permite que o aluno aprenda como é o funcionamento de uma empresa e tenha mais contato com o mercado de trabalho. (Saiba mais sobre como funciona uma Empresa Júnior aqui).

Para Sabrina, essas são atividades de extrema importância para a formação de um profissional que deseja se enquadrar no atual competitivo mercado de trabalho e que podem ser exercidas desde o começo do curso.

 

Carla nos conta que a base do curso – a parte comum das Engenharias, que são os 2 primeiros anos –  é muito difícil. É onde se estuda Cálculo, Física e Matemática mais pesados (e nesse caso, Química também). –

 

A partir do terceiro ano de curso se começa a ter disciplinas que tratam da Engenharia de Materiais propriamente dita, e nesse momento existem muitas oportunidades de trabalhar nos laboratórios do curso em bolsas de iniciação científica.”

2Carla, ao fundo, na esquerda, curtindo um almoço no Restaurante Universitário com os colegas. Arquivo pessoal.

O que Sabrina mais curte na graduação é poder participar das atividades extracurriculares.

Desde o primeiro semestre participei de bolsas de iniciação científica e me envolvi no centro acadêmico ao longo do curso, portanto considero essas experiências de extrema importância para a profissional que desejo ser.”

 

Carla conta que na sua época o curso era pequeno (entravam cerca de 35 alunos por ano) e por isso os colegas se uniam, o que foi um dos pontos fortes da sua experiência universitária.

“Os colegas se unem muito e, sem sombra de dúvidas, isso foi a melhor coisa que o curso me trouxe, que foi uma segunda família que eu tenho aqui em Porto Alegre. As pessoas interagem, fazem churrasco, campeonato de futebol, congressos, tudo juntos.”

3Carla com parte da equipe de um congresso de Engenharia de Materiais que ajudou a organizar em Porto Alegre em 2005. Arquivo pessoal.

Sobre o curso em si, ela garante que, por ser um curso relativamente jovem dentro da UFRGS, tem professores e laboratórios novos, com pesquisas de ponta, com professores que estão à frente de diversas áreas de pesquisa e são referência tanto no Brasil quanto no exterior.

 

Esses professores trazem muitas coisas novas para a sala de aula, não é um curso com professores acomodados, não é um curso onde se vai ver coisas ultrapassadas, especialmente na área da pesquisa, que é um grande diferencial.”

 

Esse destaque na pesquisa também pode ser um ponto negativo, já que pode faltar uma ênfase nas necessidades para o mercado de trabalho. Carla garante, porém, que a vivência do estágio obrigatório ajuda nesse sentido: “Eu me senti muito amparada teoricamente, em termos de qualidade de ensino, quando fui fazer o estágio.

Fora isso, ela afirma que os 2 primeiros anos de curso geram um grande número de desistência dos colegas, justamente por causa da dificuldade das disciplinas ou porque o estudante não chega a estudar a área específica da Engenharia: fica sem saber do que o curso se trata.

Para ela, esse nível de dificuldade e uma falta de suporte institucional acaba afetando a política de Ações Afirmativas (políticas/medidas que visam garantir a permanência de estudantes de baixa renda e/ou de grupos específicos) na universidade:

 

Esses dois primeiros anos de curso dificultam a permanência de quem vem de escola pública ou é de baixa renda, que acaba tendo mais dificuldade nas matérias exatas. Muitos alunos que entraram pelas ações afirmativas acabam desistindo da universidade por não terem um suporte institucional. Eu acho que a universidade em geral deveria discutir esse assunto. Criar um programa de reforço, para que esses estudantes consigam acompanhar as aulas e chegar até o fim do curso”.

 

Expectativas e o amplo mercado do Engenheiro de Materiais

Sabrina afirma que suas expectativas estão se realizando agora que o fim da graduação se aproxima: “Atualmente, estou fazendo estágio, o que está me permitindo aprender ainda mais com a prática da indústria, conhecer o mercado de trabalho e conciliar isso tudo com todo o conhecimento adquirido ao longo dos semestres”.

Carla conta que, apesar de ter trocado de área na pós-graduação, trabalhou por anos na indústria e suas expectativas em relação ao curso foram atendidas e superadas. Sabrina acredita que o mercado de trabalho é competitivo, mas que o estudante de Engenharia de Materiais pode estagiar nas mais diversas empresas, desde pequenas às grandes indústrias.

 

Há vagas de estágio, principalmente aos que se demonstram interessados e vão em busca de uma oportunidade.”

 

Carla se formou em 2009, em meio a uma crise, mas, como estagiou e trabalhou desde o começo da faculdade, conseguiu ser contratada pela empresa onde estagiava. Ela garante que a formação dinâmica do curso é um facilitador no mercado de trabalho.

“A Engenharia de Materiais, por essa formação bastante dinâmica, tem um mercado de trabalho excelente, inclusive, possibilitando vagas que seriam preferencialmente de outras Engenharias.”

No Brasil, no entanto, o mercado para a formação específica ainda é pequeno:

 

Por isso os graduados acabam sendo contratados para atuarem em áreas correlatas. É difícil tu conseguir trabalhar, por exemplo, no desenvolvimento de novos materiais, mas fora do país esse campo é forte, então quem sai do Brasil acaba conseguindo trabalhar com desenvolvimento ou design, por exemplo”.

 

Partiu?

Sabrina recomenda o curso para quem está interessado nas áreas da Engenharia:

 

Recomendo fortemente o curso, com certeza foi uma grande escolha que fiz e me orgulho disso, pois o Engenheiro de Materiais pode se enquadrar nas mais diversas atuações, o que facilita ingressar no mercado de trabalho”.

 

Sabrina dá duas grandes dicas para os vestibulandos: conversar com profissionais já formados na sua área de interesse e conhecer a sua universidade de escolha antes de se matricular, aproveitando os eventos de “Portas Abertas”.

Carla garante que sempre recomenda o curso, mas faz algumas ressalvas: é difícil trabalhar na área fora em pesquisa e existem poucos concursos públicos para os graduados. No entanto, a demanda de profissionais na área tende a aumentar.

Ela dá uma grande dica para quem está pensando em prestar vestibular para o curso:

 

Tenha paciência, especialmente para aguentar os dois primeiros anos de curso; a partir daí é que tu efetivamente vai começar a estudar Engenharia de Materiais”.

 

Dicas, pra que te quero!

Saca só as dicas da Sabrina e da Carla para os aspirantes a Engenheiro(a) de Materiais.

  • Converse com profissionais graduados para saber se essa área da Engenharia condiz com suas expectativas;
  • Visite sua(s) universidade(s) de interesse, se for possível. Sempre é legal conhecer o espaço físico e os laboratórios para não se decepcionar depois;
  • Tenha paciência e sobreviva aos 2 primeiros anos de curso: vale a pena, elas garantem;
  • Saiba que talvez você não trabalhe especificamente na sua área depois de formado.

Curtiu conhecer as histórias da Carla e da Sabrina? Ficou com vontade de cursar Engenharia de Materiais? Nos conta nos comentários o que você achou! E se liga na nossa Série Profissões, sempre te dando uma força na hora de escolher o seu curso de graduação. 😉