Se você acha que Economia é apenas Bolsa de Valores, taxas de juros e gráficos, está enganado. Pra se dar bem na área, você vai precisar estudar muito além da Matemática: História, Sociologia, Política; tudo faz parte do que move a economia (e o dinheiro) no mundo.

 

Está em dúvida entre Administração, Marketing e curte gestão de empresas? – 

 

Curte as questões de atualidade, se inquieta com a realidade do país (e do planeta)? Então Economia pode ser o curso para você! Conversamos com Dyeggo Guedes, formado em Economia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e André Sommer, formado pela Univates e Gerente de Pessoas Jurídicas em um banco.

Bem-vindo a mais um post da Série Profissões! 😉

Economia é realidade

Assistir ao jornal na televisão foi uma das coisas que instigou Dyeggo a se interessar pela profissão. As questões da atualidade que envolviam pensar o que acontecia na economia do país durante um determinado período histórico o deixavam inquieto. Ele nos conta um pouco sobre como foi a escolha do curso: “Fui pesquisar um pouco na internet, ver como as profissões lidavam com essas coisas, fiz alguns testes [vocacionais] em sites pra ver qual era o meu perfil profissional. Mas no fundo, no fundo, foi mais curiosidade de ver no jornal as coisas e tentar entender. Eu via que geralmente o comentário de economia era mais importante em determinado momento na televisão”.

 

Eu sabia que era uma área do conhecimento que lidava tanto com história e botava os gráficos lá na televisão pra gente ver; eu achava isso interessante, curioso.”

 

1Dyeggo (primeiro à direita) com os colegas de faculdade. Arquivo pessoal.

Para André, além da ligação com a atualidade, o interesse pela Economia veio ligado ao mundo dos negócios: “Na época, quando eu saí do colégio, eu gostava muito de Matemática, gostava de ciências objetivas. Eu queria estudar algo no ramo da Administração também, porque meu pai tem uma empresa. Na época, a decisão foi mais em cima dessa questão de gostar de Matemática e estar no ramo de negócios, e eu achei que a Economia era uma ciência muito boa pra isso”. André também se motivou com a opinião de amigos, além de um tio, que é formado na área e tem uma carreira bem-sucedida.

O curso

Dyeggo nos conta que um dos motivos de ter estudado na UEFS foi que, além de morar na cidade, o curso era noturno, então ele poderia estagiar ou trabalhar durante a faculdade. Ele acredita que a dificuldade do curso depende muito se você trabalha ou não e do tempo que tem disponível para estudar:

 

Se tu tiver uma rotina mais tranquila, talvez o curso não seja tão exigente. Se tiver uma rotina mais pesada de trabalho e estudo, fica mais exigente”.

 

Para André, o curso começa de forma mais abrangente, com disciplinas mais soltas, e vai se tornando cada vez mais interessante com o passar do tempo. “Uma disciplina que eu gostei muito na época era Economia Internacional. Acho que os professores têm muito a ver também se tu gosta da disciplina ou não.” Ele garante que é muito motivador quando você consegue estudar o momento do país e do mundo.

2Mais uma do Dyeggo com a galera. Arquivo pessoal.

A possibilidade de ter acesso à área de pesquisa foi um dos pontos altos do curso para Dyeggo. Ele participou do Programa de Educação Tutorial (PET) e fez um ano de Iniciação Científica. No PET ele participou de um curso em parceria com o professor da disciplina de Introdução à Economia, que ensinava a pegar dados sobre economia na internet e escrever sobre o tema. Essa experiência possibilitou contato com colegas mais velhos e ajudou a entender mais sobre a graduação, que, na visão dele, tem muita teoria no começo.

 

Para Dyeggo a parte ruim do curso é que é difícil você entender o que está fazendo no início. – 

 

“Depois que tu entende, aí o negócio engrena. No começo fica um pouco vago. Mas acho que isso não é erro da grade curricular do curso, eu acho que é de como a gente pensa a universidade antes de entrar nela. A gente pensa a universidade como espaço de formação para o mercado de trabalho, a gente quer ver logo as ferramentas, ter acesso aos instrumentos de pesquisa. Mas se a gente fosse orientado para entender a universidade no sentido mais amplo que ela é, pensar na formação além do mercado de trabalho, na formação cidadã, eu teria curtido mais desde o início.”  Como exemplo ele usa a disciplina de Introdução à Sociologia, que hoje ele pensa como base, mas na época não entendia porque estudava aquilo.

 

Isso é importante, em Economia a gente estuda a dinâmica da sociedade e precisa entender como essa sociedade se forma. Como é que você pensa a sociedade se você não sabe como ela foi gerada?”

 

Para André, o curso tem disciplinas bastante complexas, como Econometria e Economia Internacional, mas ele acredita que o nível de complexidade também depende do professor. “Economia é uma ciência mais objetiva, então tu tem que entender. Não existe saber mais ou menos. Algumas cadeiras são realmente difíceis, mas depois que tu começa a estudar e criar uma base com as primeiras disciplinas, tu começa a entender.”

 

Hoje quando tu liga uma televisão, toda hora tem matérias sobre problemas econômicos, desemprego, sobre qual é a política brasileira, qual é a política dos Estados Unidos, por exemplo. Tu começa a te interessar pelo mundo e isso torna o curso mais fácil. Entrar nesse meio político e econômico te faz querer entender e aproveitar mais o curso também.”

 

André curtiu muito as disciplinas de Macroeconomia, porque elas abrangem uma escala global e usam a Matemática para isso. Ele afirma que, para entender o mundo em escala econômica, a Macroeconomia é fundamental e acredita que a parte de finanças e Bolsa de Valores pode ser bem atrativa para quem pensa em entrar no curso.

“Eu acho que todo mundo hoje deveria conhecer um pouco disso [de mercado, de câmbio, de taxa de juros]. Agora que eu estou na fase profissional, eu vejo o quanto foi importante a Macroeconomia.” Por outro lado, estudar Microeconomia, que trata do comportamento de consumo mais exato, não foi tão interessante. Para ele, essa parte foi mais maçante, além de utilizar teorias mais antigas.

3Dyeggo (primeiro à esquerda) com os colegas do Diretório Acadêmico do curso de Economia. Arquivo pessoal.

Afinal, onde trabalha um economista?

Dyeggo nos conta que, como se voltou para a área acadêmica, nunca se preocupou muito com o mercado de trabalho, mas garante que há flexibilidade: “Existe um mercado de trabalho amplo, como concursos públicos, trabalho em ONGs, etc., mas eu, pelo menos, não fui apresentado tão bem a isso por escolha minha mesmo, por não querer isso durante a graduação e já ter focado na experiência com pesquisa”. A dica, então, é buscar o seu foco de trabalho já durante o curso.

 

Procurar inserção, isso é fundamental.”

 

Ele nos conta que Feira de Santana, onde ele cursou a graduação, não tinha um mercado de trabalho consolidado. Já os amigos que cursaram Economia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) tiveram a oportunidade de trabalhar em agências de pesquisa e desenvolvimento, porque Salvador já tinha um mercado de trabalho mais sólido. Para André, o mercado de trabalho é amplo e abarca vários gostos.

 

É como qualquer curso. Tu pode fazer Medicina e virar Pediatra, ou quem sabe um cirurgião. Na Economia, tu pode ir para a área de cálculo e estatística como tu pode ser um cara mais teórico, isso vem de cada um.”

 

Dyeggo garante que o curso é uma boa escolha e acredita que é fundamental estar aberto às possibilidades e como a graduação vai te modificar. “Acho que não tem como fazer Economia e sair do mesmo jeito que entrou.”

André também recomenda o curso, enfatizando como ele é importante para quem pensa em trabalhar com gestão, finanças e empreendedorismo: “Um profissional que entende hoje de finanças é um profissional que tem emprego em qualquer empresa”.

André dá a dica para quem está em dúvida entre Administração, Marketing e Economia: o curso de Economia é uma excelente escolha para quem quer entrar nessa área de gestão.

Dicas, pra que te quero!

André e Dyeggo tem algumas dicas pra quem pensa em estudar Economia. Saca só!

  • Você vai precisar estudar Matemática, mas História, Sociologia e Política, por exemplo, serão fundamentais para compreender os cenários econômicos;
  • Fazer iniciação científica (ou PET) é uma boa ideia se você pensa em permanecer na área acadêmica;
  • Se prepare para estudar bastante, especialmente se você estiver trabalhando ou estagiando;
  • O mercado é amplo: estagiar é uma boa maneira de descobrir se o mercado corresponde ao seu interesse.

Curtiu ler sobre a experiência do André e do Dyeggo? Esperamos que a história deles tenha te inspirado. A Série Profissões continua, buscando te dar aquela força na hora de decidir o curso seguir. Até mais!