Afinal, o que faz um Designer Gráfico? O curso ainda é novo e difícil de definir. Em seus primeiros passos, ainda não é regulamentado. Mas o leque de possibilidades de trabalho é vasto: os graduados podem trabalhar como projetistas, ilustradores, fotógrafos e com modelagem em 3D. É apenas o começo!

Conversamos com Lídia Brancher, formada pela UniRitter em Porto Alegre, e com Gisele Koch, formada pela Universidade Estadual de Londrina, para saber um pouco mais sobre o jovem curso de Design Gráfico.

Por que Design Gráfico?

Para Lídia, a principal motivação para estudar Design Gráfico foi sua curiosidade sobre processos de desenvolvimento de projetos em diferentes vertentes (gráfico, produto, games, moda).


O Gif mostra o passo a passo da transformação da casa da Dona Helena Titton idealizada e realizada por Lidia. Os 7 netos da Donna Helena fizeram uma vaquinha e puderam financiar a pintura, que cobriu as pichações da fachada da residência. Arquivo pessoal.

Gisele conta que não sabia exatamente o que era o curso de Design, mas se interessou muito pela grade de disciplinas do curso, que tem aulas sobre Criatividade, Fotografia, Representação bidimensional. “Eram assuntos que eu já pesquisava e habilidades que eu queria desenvolver.”

Teoria e prática

Lídia conta que gosta de estudar e, por isso, procurou continuar alimentando o intelecto e as habilidades práticas durante o curso: “Tive que estudar muito; fiz cursos extracurriculares de softwares, sempre desenhei. A curiosidade é sempre uma qualidade na área de criação, estudar é um prazer”.

Ela dá a dica para quem pensa em estudar Design:

 

Acho importante, antes de entrar em um curso, o estudante analisar essa grade [de disciplinas] para entender a proposta, assim como para conhecer os docentes, suas pesquisas e possíveis projetos desenvolvidos pelos estudantes”.

 

Gisele nos conta que os primeiros anos do curso foram muito lúdicos e experimentais; depois foi ficando mais teórico. “Não tive que ler tanto quanto num curso de Humanas, por exemplo, mas os projetos práticos exigiram muito tempo.”

Para Lídia, os pontos fortes da graduação foram os novos conhecimentos, a troca com os colegas e professores, as oficinas práticas (que, para ela, poderiam ser mais frequentes), a vasta biblioteca e as atividades além da grade curricular, como palestras.

Clipe da banda Cartolas, com ilustrações de Lídia, que também desenvolveu material gráfico para a banda. Youtube.

Gisele garante que o que mais gostou foram os caminhos que se abriram através das experimentações:

 

O curso possibilitou especializações além do Design Gráfico, pelas diversas introduções a áreas correlatas que tivemos. Por exemplo: muitos colegas e eu não trabalhamos com Design Gráfico hoje, alguns são ilustradores, fotógrafos, modelam em 3D, ou até mesmo iniciaram outra graduação, mas conceitos e bases de design ajudam a ter um diferencial e outros pontos de vista nessas áreas”.

 

carry-on-turn-me-on-ilustracao-digitalCarry on turn me on. Ilustração digital de Lídia Brancher. Arquivo pessoal.

Como ponto negativo, Lídia aponta a falta de disciplinas que ensinem a utilizar softwares dentro do currículo. Além disso, ela acredita que a universidade poderia funcionar como uma incubadora, possibilitando aos alunos criarem startups. “Ter uma parceria entre mercado e universidade, onde os alunos poderiam desenvolver projetos diretamente com o mercado sob supervisão do professor. Existem muitos projetos de alunos que poderiam ser aproveitados em áreas de políticas públicas, sociais e culturais…”.

Para Lídia, a dificuldade de alguns professores de se atualizarem e aceitarem propostas diferentes/inovadoras também é um ponto que poderia melhorar no curso.

Gisele afirma que este enorme leque de opções que ela teve ao longo do curso também gerou insegurança:

 

No final, parecia que dava para ser qualquer coisa, menos designer. Como o curso é novo, e nem mesmo designers sabem muito bem delimitar o que fazem ou o que é a profissão, a sensação que se tem é que não há uma boa perspectiva no mercado para quem se forma. E realmente, ao sair e procurar o primeiro emprego, há muita frustração. A profissão não é regulamentada, ninguém sabe muito bem o que você faz, é difícil explicar, é difícil dar preço aos trabalhos… Só com o amadurecimento profissional e pessoal essa frustração se desfaz”.

 

Apesar dessas dificuldades, ela garante que está satisfeita com sua escolha de graduação. Lídia afirma que nem todas as suas expectativas foram atendidas no curso, mas que “todas que envolvem o campo prático, que conseguiram ir além do universo acadêmico, foram proveitosas”.

eva-_-aquarelaEva, aquarela por Lídia Brancher. Veja mais aqui e aqui. Arquivo pessoal.

Mercado de trabalho

Por ser uma profissão que não é regulamentada, Lídia afirma que o mercado de trabalho não é fácil. “Não existe um piso salarial, você concorre com autônomos, muitas empresas não assinam a carteira de trabalho, pagam mal e os designers lá são iludidos pelo estilo de vida cool do local de trabalho. Designer é trabalhador, deveria ser comum, incluído, respeitado e valorizado em qualquer nicho de ação no mercado, com todos os direitos garantidos.

Ela dá a dica para quem pensa em ser um profissional autônomo: estudar formas de contratos e outras questões administrativas para saber como elaborar e apresentar um cronograma projetual eficiente, que seja respeitado e adaptado ao desenvolvimento do projeto. “Para quem está pensando em fazer Design, essa análise do mercado também é bem importante.”

epahei-oyaEpahei.oya. Ilustração de Lídia Brancher. Arquivo pessoal.

Por causa das diversas ramificações da área, muitas vezes um designer gráfico não atua exatamente na sua área de formação. Além disso, ela afirma que o salário inicial oferecido pode ser bem frustrante para fazer o que você dedicou tanto tempo e esforço estudando. “Mas é possível dissipar a confusão sobre o que se faz, perder o medo de cobrar um preço justo e vencer a frustração inicial.”

Designer Gráfico? Sem dúvida!

Para quem está em dúvida, Gisele recomenda o curso: “A maior parte dos vestibulandos é muito jovem, e Design Gráfico é um curso que não te limita à profissão do nome que carrega. É ótimo para quem ainda tem tanta vida pela frente. Mas é um caminho para corajosos que não têm medo de se redescobrir e reinventar várias vezes”.

 

Relaxa, nenhum curso é ‘certo’. Você ainda vai mudar muito de ideia (e deve!). Continue fazendo o que gosta.”

 

Lídia também recomenda o curso e enfatiza a importância de pesquisar as diversas universidades que o oferecem!

E aí, curtiu conhecer mais sobre o curso de Design Gráfico? Não deixe de ler nosso post sobre Design de Animação. Se você tem interesse em conhecer um curso específico, escreve nos comentários! Até a próxima! 😉