Flashdance, Footloose, Billy Elliot, Cantando na Chuva. Se você curte Dança, esses filmes clássicos são uma baita inspiração. E já pensou como seria fazer esse curso na faculdade? Pois saiba que é possível viver dessa profissão que envolve muita paixão e comprometimento.

E é isso que a Isabelle e a Gabriela vão contar nesse episódio da Série profissões. Prepare-se para ler uma história cheia de movimento! Bora conhecer essas jornadas?

Simplesmente apaixonada

Isabelle Moura, 21 anos, conta que pratica dança desde que se conhece por gente. “Eu sempre dancei balé, jazz e hip hop. Com 15 anos, já ensinava crianças em escolinhas. Eu simplesmente amo dar aula.

2Com alunas da escola onde foi professora de balé de 2010 a 2014. Arquivo pessoal.

Quando terminou o colégio, Belle sabia que não haveria outra opção: “Eu sempre soube que seria Dança. Meus pais já sabiam e tinham até mais certeza que eu. Aliás, eles sempre me apoiaram muito”.

A gaúcha de Porto Alegre está na reta final da faculdade de Licenciatura em Dança na UFRGS. “É um curso pequeno, com poucos professores e somente uma turma por ano. As aulas ocorrem em todos os turnos e temos poucas salas, então, é meio difícil se formar no tempo certo.”

 

Saiba que uma licenciatura é para formar um professor e não um bailarino.”

 

Belle conta que muita gente chega por lá querendo ser artista, mas explica que a habilitação do curso é para a formação de professores da rede de ensino. “O curso é dividido em três pilares: Educação, Anatomia e Arte, a história da dança em si.”

6Coreografia do ballet de repertório “O Lago dos Cisnes” apresentada em uma competição de dança. Arquivo pessoal.

A estudante considera o conteúdo bem equilibrado entre prática e teoria. “Desde que eu ingressei o currículo do curso evoluiu muito e hoje considero ele muito bem estruturado.

Sobre o mercado de trabalho, Belle diz que existem muitas possibilidades que às vezes são desconhecidas. “O campo de atuação é gigantesco. Você pode fazer projetos, atuar em academias e, principalmente, em escolas. Na Educação, o foco é para trabalhar no período de Artes que pode abranger também a música e o teatro.”

 

 

Tem que ficar de olho nos editais que abrem para as escolas públicas.”

 

E dá pra viver numa boa, financeiramente? “Dá, mas é difícil. Aqui as coisas são pouco divulgadas. Tem grana disponível, só que é burocrático. Você tem que ir atrás, fazer projetos e se ligar nos editais públicos”.

 

A minha vocação é trabalhar com crianças. Ver que sou uma figura importante na vida delas, que estou fazendo alguma diferença, me deixa muito realizada.”

 

Para Belle, o menos importante é a técnica; o principal é ver seus alunos se desenvolvendo de alguma forma. “Mesmo sendo algo tão pequeno, pra mim é enorme. Faço questão de conversar com os pais para que eles vejam a evolução dos filhos. É muito gratificante.”

1Belle (camiseta rosa da UFRGS) no estágio de docência em Educação Infantil em uma escola da rede pública, no ano de 2014. Arquivo pessoal.

Hoje, Belle dá aulas em uma escolinha de Educação Infantil, além de fazer estágio como docente no Ensino Médio. “Amo ser professora. Inclusive, estou fazendo um intercâmbio voluntário de oito semanas na Indonésia, onde ensino dança para crianças em uma escola. Esse será o tema do meu TCC.”

Dá uma olhada em uma das aulas da Belle na Indonésia! Arquivo pessoal.

lalaTodo mundo fazendo careta no final da aula. 😛 Arquivo pessoal.

Um capítulo à parte

A história da Belle é digna da nossa Série dos mestres. Em maio de 2015, a gaúcha deu um giro em sua vida. Durante um dos estágios da faculdade de Dança, bateu aquela dúvida se era isso que ela realmente queria:

“Eu era profe em uma zona de conflito da cidade. Às vezes me ligavam pra avisar que não ia ter aula por causa de tiroteio. Eu morava longe e me estressava muito, porque eram crianças carentes e eu não estava conseguindo aplicar o planejamento que fiz com tanto carinho”.

Bem nessa época, ela resolveu mudar sua alimentação e descobriu outra paixão: “Passei a consumir alimentos orgânicos, comida de verdade, e fiz um perfil no Instagram, no qual postava minha rotina e receitas”.

 

A coisa bombou tanto, que ela abriu uma empresa! –

 

No que deu essa iniciativa despretensiosa? A Belle arranjou uma sócia e abriu uma confeitaria/padaria de produtos veganos! Com a grana que juntou das vendas e de cursos que deu, ela viajou para Nova York por dois meses pra estudar na Natural Gourmet – mesma escola onde a Bela Gil se formou – e aperfeiçoar seu novo ofício.

7Mão na massa! Imagem registrada durante as gravações dos cursos online que a empresa de Belle oferece. Arquivo pessoal.

Nos EUA, a gaúcha também aproveitou pra fazer algumas aulas de dança na Broadway 💃 “Comprei 15 aulas antes de ir e acabei fazendo 55. Tinha gente do mundo inteiro! Fiquei próxima dos profes e até dancei em alguns flash mobs, como em um pedido de casamento no Central Park.”

 

Essa viagem foi uma das experiências mais incríveis da minha vida!” 🛫

 

Mas a Belle não largou o curso durante essa jornada alternativa, só deu um tempo. “Eu nunca vou conseguir deixar a dança, é uma paixão muito grande, ela sempre vai fazer parte da minha vida, como bailarina ou como professora.

3Fazendo pose com o background da Brooklyn Brigde, em Nova York, no ano passado. Arquivo pessoal.

Belle segue como empresária e em breve vai se formar. Ela também atua como professora e ainda fez um curso técnico de confeitaria. E a dúvida, passou? “Hoje tenho 100% de convicção que fiz a escolha certa. Amo a dança e sou muito realizada”.

Educação especial 💕

A Gabriela Cruz, formada no curso de Licenciatura em Dança pela UFRGS em 2012, confessa que não é tão fácil viver da profissão. “O mercado é meio fechado. Se você já dançava em algum lugar e conhece gente do meio, tem mais facilidade de se colocar depois.”

 

Me apaixonei pela Educação Especial.”

 

5Liderando a garotada durante o estágio de Educação Infantil, em 2011. Arquivo pessoal.

A porto-alegrense de 26 anos conta que fez muitos estágios em escolas e projetos de extensão da faculdade com deficientes visuais, cadeirantes e na APAE. “Foi um baita aprendizado. Fiz especialização em Educação Especial e também em Psicopedagogia. Hoje, faço mestrado em reabilitação e inclusão, na tentativa de juntar tudo que eu gosto.”

Entre os estudos, Gabriela atualmente trabalha em uma academia como professora e coordenadora de ginástica e aulas de dança. “Adoro o que faço. Acho que descobri outra paixão aqui. O lado negativo é que ganho por hora, então, se eu não trabalho, não recebo.”

4bGabriela (de frente) em uma das apresentações do grupo de folclore no qual dançava, também em 2011. Arquivo pessoal.

E aconselha: “Fazer as coisas por obrigação é o pior que pode acontecer. Não opte por um curso que seus pais querem ou porque dá dinheiro. Tem que pensar se todo dia quando você for acordar, vai ir feliz para o trabalho”.

 

Escolher e fazer uma coisa que a gente gosta é uma questão de saúde!”

 

Gabriela diz que não se arrepende da escolha. “Se eu não tivesse cursado Dança talvez jamais soubesse que AMO Educação Especial. Cada desenho que recebo dizendo ‘Prof, eu te amo’, cada mini abraço sincero me faz olhar para trás e ver que essa caminhada valeu muito a pena.”

Onde vou trabalhar?

Se você se formar em Dança, vai poder atuar com:

  • Espetáculos: na execução de coreografas, individualmente ou em conjunto, no teatro, TV e cinema, além de participar de grupos de dança;
  • Coreografia: no planejamento de movimentos que serão executados pelos bailarinos;
  • Direção: na coordenação de apresentações, nas quais vai escolher e dirigir os dançarinos, definir detalhes de cenografia, figurinos e iluminação;
  • Educação Básica: em 2016, foi aprovada uma lei que garante o ensino de Dança dentro do escopo da disciplina de Artes. Com a graduação em licenciatura, você poderá dar aulas em escolas do ensino Fundamental e Médio, além de cursos livres;
  • Produção: na organização de espetáculos de dança, buscando patrocínios e administrando orçamentos.

Dicas, pra que te quero!

Saca só as dicas da Belle e da Gabriela se você quer fazer faculdade de Dança:

  • Não tenha medo: você não precisa ter uma experiência enorme em dança se quiser ser professor(a). Você pode se desenvolver muito durante o curso, basta se dedicar e correr atrás;
  • Aproveite todas as oportunidades que aparecerem, como projetos de extensão, palestras, oficinas ou atividades com professores.
  • Tenha o máximo de experiências que puder;
  • Visite a faculdade que pretende cursar e frequente a semana acadêmica para conhecer o dia a dia do curso;
  • Siga seus instintos. Se você acha que é isso que vai te fazer feliz, vá e faça! 💪

E então, se interessou pelo curso de Dança? Se você ainda tem dúvidas sobre a faculdade que vai escolher, confere os posts da nossa Série profissões. Em breve tem mais!