Geek, nerd, cdf. Quem escolhe a Ciência da Computação pode até sofrer com esses rótulos, mas uma coisa é certa: esse é um caminho repleto de oportunidades e com grande chance de sucesso (se você se dedicar bastante, é claro). Afinal, foram os gênios dos algoritmos (códigos matemáticos que fazem toda a magia rolar) que revolucionaram a forma como a gente se comunica, especialmente com a criação das redes sociais.

Nesse episódio da Série Profissões, duas garotas nos contam suas trajetórias e perspectivas na Tecnologia da Informação (TI): a Mariane e a Jacyara. Prepare-se!

Do RS para o Spotify

Mesmo com dúvidas sobre qual curso escolher, a Mariane Machado sempre curtiu a ideia de trabalhar com computadores. “Queria entender, por exemplo, como se faz um jogo de videogame”. Formada em 2008 pela UFRGS, ela confessa que Ciência da Computação não é moleza. “Era muito puxado! Só fui ver o que realmente era estudar e passar noites em claro quando comecei o curso.”

A gaúcha de Santa Maria elogia a infraestrutura da universidade, o ambiente e as várias oportunidades de bolsa. “Eu não gostava muito do fato de ter poucas mulheres no curso, o que me fazia sentir um pouco deslocada. Mas isso está mudando, aos poucos.”

 

Felizmente, várias iniciativas de conscientização têm mostrado a necessidade de mais mulheres na área da Tecnologia.”

 

COMPUTAÇÃO1Hoje, Mari faz parte da equipe do Spotify, na Suécia. Foto tirada na sede de Nova York, durante um encontro de colaboradores de todo o mundo. Arquivo pessoal.

Mari pegou o caminho do desenvolvimento de softwares e hoje, aos 32 anos, faz parte do time do Spotify, em Estocolmo, capital da Suécia. “Eu pesquisei as vagas no site e mandei meu currículo. A partir daí, entraram em contato comigo pra iniciar as entrevistas e testes, até que rolou!”

Mas é claro que ela já tinha uma boa experiência em outras empresas de atuação mundial, como a consultoria ThoughtWorks, na filial de Porto Alegre: “Na TW, a gente conversava com o cliente e, a partir das suas necessidades, implementava o software e dava suporte aos usuários”, diz, contando que, por conta do trabalho, já viajou para a Índia, São Francisco, Islândia, e agora está em Nova York para uma interação de equipes do Spotify (que demais, hein?!).

COMPUTAÇÃO2Lazer&trabalho: boardgames night com os colegas em São Francisco, Califórnia, quando fez parte do time da ThoughtWorks, em 2014. Arquivo pessoal.

Curtiu a possibilidade de viajar a trabalho? Então se liga no toque da Mari: “Como faltam profissionais, as empresas oferecem muitos benefícios, como maiores salários, flexibilidade de horário, videogame e outras opções de lazer no ambiente de trabalho. A demanda é enorme e em escala mundial, o que abre muitas possibilidades. Você pode trabalhar em praticamente qualquer empresa do mundo, se tiver o inglês fluente”.

A desenvolvedora explica que, ao contrário do estereótipo geek e forever alone associado à profissão, esse é um trabalho quase sempre realizado em equipe, e que exige bastante comunicação. “Outro ponto importante é a atualização constante. Você irá aprender coisas novas o tempo todo, e deverá estar sempre pesquisando e debatendo; o que é legal, mas pode ser um pouco estressante às vezes, especialmente quando há prazos envolvidos.”

Para a Mari, que ama viajar, a Ciência da Computação trouxe a possibilidade de conhecer diferentes lugares e pessoas. “Além disso, me permite trabalhar com produtos realmente legais que uso no meu dia a dia (como o Spotify) e que podem causar um impacto positivo na sociedade.”

Guitabytes

A guitarrista catarinense Jacyara Bosse conta que sempre foi muito indecisa com relação ao seu futuro profissional. “Uns três meses antes da inscrição no vestibular, resolvi que queria entrar para a área da Tecnologia. Sempre gostei de acompanhar as novidades, e escolhi Ciência da Computação (entre Sistemas da Informação), pois abrangia mais coisas do meu interesse.”

 

A ideia de poder criar, inventar e reinventar me deixava bem empolgada!”

 

COMPUTAÇÃO3As atividades práticas no laboratório de eletrônica estão entre as preferidas de Jacyara. Arquivo pessoal.

Cursando o 6º semestre da UFSC, em Florianópolis, a estudante de 21 anos curte as aulas práticas de eletrônica, além das disciplinas de cálculo e matemática, que despertaram seu interesse por banco de dados: “Nas matérias mais avançadas, programamos sistemas, jogos e aplicativos. As possibilidades são infinitas, pois a tecnologia está sempre evoluindo, e você pode inventar coisas também. Isso é maravilhoso!”.

 

Você aprende desde programar e gerencias sistemas, até saber como funciona a memória do computador.”

 

Integrante de uma girlband de rock, ela comenta a delicada questão de gênero na profissão. “Algumas mulheres são desmotivadas pela visão machista (tanto de homens, quanto de outras mulheres) de que elas não teriam capacidade para atuar na TI . Mas as coisas estão mudando.”

 

Jacyara faz parte de um grupo de meninas estudantes de TI que batalha pela inclusão feminina na área. –

 

“Estamos sempre muito unidas para ativar a mudança, pouco a pouco. O que mais me deixa contente é que, em Florianópolis, existem grupos que incentivam o empoderamento feminino na área, como o Anitas e JS4Girls Floripa. São realizadas reuniões, cursos e palestras, em uma troca de experiências e incentivos.”    

Mesmo sem saber em que vai atuar quando se formar, Jacyara comemora o vasto leque de possibilidades. “Já fiz estágio em Front-end, criando toda a apresentação visual de sites, e na área de telecomunicações. Agora, vou começar um estágio no laboratório da Universidade, testando a qualidade de softwares que ela desenvolve para o Ministério da Saúde. Estou animada para encarar mais esse desafio!

COMPUTAÇÃO4Jacyara posando faceira com a camiseta da turma, recém saída do forno. Arquivo pessoal.

E olha só esse recado que a estudante dá: “Eu nunca fui nerd, louca por jogos, nem nada do que as pessoas esperam de alguém que faz Ciência da Computação. Nunca deixe que alguém diga o que você pode ou não pode ser. A área da Tecnologia é incrível, desafiadora, está em constante crescimento, e você pode contribuir com isso. Se você pensar assim, com certeza será um ótimo cientista da computação”.

Onde vou trabalhar?

Você fica confuso com os diferentes cursos na área de TI? Calma, que a gente explica:

Ciência da Computação: você irá aprender a desenvolver softwares. Após analisar as necessidades do cliente, você irá criar programas e aplicativos, além de gerenciar equipes. Você poderá trabalhar com: programação e desenvolvimento de softwares, em empresas privadas ou no governo; suporte ao usuário do software; pesquisa e consultoria, em companhias de alta tecnologia; docência, em instituições de ensino; infraestrutura de redes; web design.

Engenharia da Computação: é indicado para quem busca o planejamento, a construção de computadores (equipamentos) e a criação de sistemas que integram hardware e software.

Sistemas de Informação: você vai se tornar um especialista em organização, armazenamento e recuperação de dados.

Dicas, pra que te quero!

Confere as dicas da Mariane e da Jacyara pra se dar bem na Ciência da Computação:

  • Seja persistente;
  • Curta buscar a solução de problemas;
  • Leia e pesquise bastante;
  • Estude inglês! Esse idioma é fundamental para conseguir boas vagas na área;
  • Busque na internet por tutoriais bem básicos de programação. Chegar na faculdade sabendo programar não é um pré-requisito (a maior parte das pessoas chega sem saber), mas é bom dar uma olhada, se você já gosta.

E aí, a Ciência da Computação fez a sua cabeça? São muitas as possibilidades! Tomara que a gente tenha ajudado na sua busca implacável pela profissão ideal. Mas não acabou! Aguarde pelo próximo capítulo da nossa série. Até \o/