Pesquisa mineral, extração e refino de petróleo, captação de águas subterrâneas… são coisas que despertam seu interesse?! Pois então acompanhe mais um post da Série Profissões, desta vez sobre a Engenharia de Minas. Conversamos com a Ana Flávia e com o Kennedy, estudantes do estado que leva Minas até no nome. 😉

Naturais de Belo Horizonte, Ana Flávia Delbem e Kennedy Andrade são alunos de Engenharia de Minas da UFMG. Aos 24 anos, Ana está no nono semestre do curso e Kennedy, aos 21, no sexto.

Os dois jovens ingressaram na faculdade muito motivados, principalmente pelas características bem diferentes que a área apresenta. “A própria grandiosidade das minas me chamou a atenção e me motivou”, conta Ana Flávia.

1O curso habilita profissionais para trabalhar com prospecção de minerais e extração de petróleo, por exemplo. Wikipédia.

Já Kennedy teve contato com a profissão antes mesmo de ser aprovado na universidade. Durante o ensino médio, ele aproveitou a oportunidade de uma bolsa de estudo em um curso técnico de mineração para alunos da rede pública, através do Programa de Educação Profissional do estado.

“Depois desse meu primeiro contato com a mineração, acabei me apaixonando pela área e, consequentemente, definindo qual seria meu caminho a seguir na graduação”, afirma.

Aspectos positivos e negativos

Nos últimos anos tem surgido muitas ofertas de cursos de graduação de Engenharia de Minas. Segundo a Ana, em Minas Gerais também há muitos cursos técnicos de mineração em instituições do estado e a busca pelo curso cresce. Mas, na faculdade, ela conta que diversos professores não se importam muito com o ensino da graduação:

 

É preciso entender que toda disciplina ministrada é importante para a sua formação e para correr atrás do conteúdo você mesmo, sem depender do professor”.

 

A estudante ainda afirma que estar na Engenharia exige amadurecimento, já que ela precisou mudar hábitos e estudar mais. “Demorei um pouco para pegar o ritmo da universidade e isso me custou repetir algumas disciplinas. Hoje amadureci e não cometo os mesmos erros.”

Para Kennedy, o que pode desmotivar é o momento em que as expectativas criadas antes de ingressar na universidade são confrontadas com a realidade dos métodos das faculdades no Brasil.

 

Penso que a faculdade nunca será exatamente o esperado para ninguém”, diz ele.

 

O ciclo básico, de acordo com os dois, é a parte mais complicada. Nesta etapa, são estudadas as disciplinas básicas de Matemática, Química e Física para construir a base para os conteúdos das disciplinas específicas.

Ao concluir essa fase inicial, o aluno passa por diversas matérias do campo da Geologia e também de outras Engenharias, como Engenharia Mecânica, de Estruturas e Elétrica. “As disciplinas ainda apresentam grau de dificuldade, mas se tornam mais prazerosas por trabalharmos algo bem aplicado e palpável”, diz Kennedy.

Muitas pessoas não conhecem o curso ou o que o engenheiro de minas faz, mas atualmente, o cenário vem se modificando com a popularização dessa graduação.

 

Recentemente, o desastre ambiental na cidade de Mariana (MG), com o rompimento da barragem de minérios da empresa Samarco, colocou a área da mineração na mídia. Pessoas morreram e um rio também. Percebemos um pouco da dimensão da responsabilidade que a mineração desempenha. – 

 

“A atividade mineradora é essencial na sociedade; diversos produtos têm suas matérias primas oriundas da mineração”, comenta Kennedy.

3Turma do Kennedy em saída de campo. Arquivo pessoal.

Oportunidades

Ana Flávia é estagiária no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA – MG) e Kennedy estagia no Laboratório de Tecnologia de Rochas da faculdade. Uma sorte, já que o momento é complicado: “Com a crise econômica, as empresas reduziram substancialmente o número de vagas de estágio disponíveis ou até extinguiram o programa”, diz Ana.

 

No entanto, não dá pra desistir. Para a Ana, são os estágios que dão uma contribuição extra para a formação. – 

 

Além do estágio, já no primeiro período, Kennedy participou do processo seletivo da empresa júnior de Engenharia de Minas e Geologia da UFMG, a Minas Júnior Consultoria Mineral. No momento, ele é o vice-presidente. 😉

Dentro da empresa júnior, os estudantes desenvolvem o empreendedorismo e aplicam a teoria abordada em sala de aula em projetos práticos para o mercado. “Através da Minas Júnior também pude participar de capacitações, visitas técnicas, eventos, palestras, trabalhos de campo e me envolver mais com os laboratórios do Departamento de Engenharia de Minas”, conta ele.

Essas atividades são superimportantes para aprimorar o conhecimento, enquanto o estudante não se forma. “Muitos estão atrasando a formatura com programas de intercâmbio ou apenas cursando menos matérias por semestre, para sair da faculdade em um cenário melhor para o emprego”, afirma Ana. Mas o período de crise não é o único desafio para quem quer seguir na profissão, conforme Kennedy diz:

 

Precisamos tornar a mineração mais sustentável, trabalhar com teores cada vez menores dos bens minerais; com o esgotamento de muitas reservas, necessitamos otimizar os processos”.

 

2Turma da Ana no mirante da Serra do Curral, em uma saída de campo da disciplina Geologia do Brasil. Arquivo pessoal.

Dicas, pra que te quero!

E aí, pensando na área da mineração? Confere o que nossos estudantes sugerem:

  • Procure ler e se inteirar sobre a mineração, todos os seus males e benefícios, os desafios futuros, seus produtos e importância;
  • Não se acomode com o conteúdo ministrado apenas em sala de aula;
  • Explore todo o conhecimento que os professores e amigos de curso podem oferecer;
  • Participe das iniciativas existentes na universidade;
  • Valorize as matérias do ciclo básico. Um conhecimento sólido em Matemática, Física, Química e Programação é um diferencial;
  • Aproveite as áreas próximas à mineração, como Geologia, Engenharia Química, Metalurgia, etc.

Diversas profissões têm atividades de grande responsabilidade para a economia do país. Informe-se! É a Engenharia de Minas que te motiva? Então, partiu!