A missão da Série Profissões continua! E aí, já pensou em Engenharia Civil? Então dá uma olhada no que as graduandas Bruna e Debora e a engenheira Maria Eliza vão nos contar.

Parece clichê, mas é isso mesmo: tem que curtir matemática para ir para a área das Engenharias. E isso desde o vestibular, já que a matéria tem peso maior. Depois, vem mais cálculo por aí.

 

Mas se engana quem pensa que Engenharia Civil é só construção de prédios – 

 

A área é bem abrangente: o engenheiro pode estudar a viabilidade técnica ou elaborar projetos de fundações, de hidráulica, de mecânica dos solos, de saneamento e até de transportes. E foi essa a grande motivação para ingressar no curso, tanto para a estudante da UFRGS, Bruna Nedel, como para a estudante da PUCRS, Debora Benetti. “O que mais me chamou atenção foi o enorme leque de oportunidades”, diz Debora.

“Escolhi a Civil porque tem um currículo mais amplo. Tem noções de todas as outras Engenharias, como elétrica, mecânica, química, etc.”, conta Bruna. Aos 24 anos, ela está no oitavo semestre da faculdade e se diz satisfeita em poder conhecer ideias diferentes, mas ao mesmo tempo se decepciona quando as inovações não são seguidas.

 

Infelizmente, os currículos são antigos na maior parte das faculdades federais e, pela burocracia brasileira, é muito difícil mudar”.

 

E se tem alguém que pode comparar é a Bruna mesmo, já que ela também chegou a fazer o curso na federal de Santa Maria. “Na UFSM tive dois anos de desenho à mão, mas no mercado de trabalho ninguém desenha à mão. A maior parte das matérias que são super atuais no mercado de trabalho estão nas disciplinas eletivas”.

Se você está acostumado com professores engraçados dos cursinhos ou com aulas que facilitam sua vida, como as do Me Salva!, saiba que na universidade o clima é diferente. Na Engenharia Civil, os professores são mais fechados.

A engenheira Maria Eliza Baggio vai além. Formada em 2013 pela UFPR, ela tem outras críticas: “Falta de infraestrutura e professores sem didática ou sem prática no exercício da profissão foram algumas das dificuldades”. Já para a Bruna, a quantidade de teoria sem o equilíbrio com a prática acaba desmotivando.

 

Debora alerta que não será no primeiro, nem no segundo semestre que você estará decidido se deseja ou não continuar no curso – 

 

É uma questão de tempo. “Por ser um curso que exige muita atenção, não só pelos inúmeros cálculos, é preciso ter muita organização para que no final do semestre os resultados sejam positivos”.

Conteudo1Desenhos e cálculos fazem parte da rotina intensa de estudos, diz Debora. Arquivo pessoal.

Um peixe fora d’água?

Embora as mulheres sejam maioria nas universidades, cursos da área de Exatas ainda costumam ter mais homens. “Na UFRGS tem muito mais homens. Às vezes acabo passando pela situação de ser subestimada por ser mulher, em trabalhos ou atividades em grupo. Alguns lugares ainda tem a ideia de homem na obra e mulher no escritório”, conta Bruna. Quando Maria Eliza ingressou na federal do Paraná, a turma era meio a meio, mas ela reconhece alguns problemas ainda hoje:

 

No mercado de trabalho ainda é visível a preferência de algumas empresas pela contratação de homens para serviços de campo (obras)”.

 

Para não se sentir um peixinho fora d’água, é importante a aproximação com as colegas. As próprias alunas e universidades já pensam em iniciativas para debater a situação. Na UFRGS, existe o grupo “Empoderando as Engenheiras”, que discute questões feministas e organiza encontros e palestras com mulheres que se deram bem na Engenharia.

A vida lá fora

No caso da Debora, natural de Sananduva (interior do Rio Grande do Sul), não são só os estudos que precisam de organização, mas a vida! Não importa a quantidade de quilômetros de distância de casa, estar longe da família aos 20 anos é sempre um desafio (essa é a realidade de uma galera, né?!). A Bruna sabe bem o que é isso, mora sozinha e vive a rotina de conciliar os estudos com o trabalhoPor isso são tão importantes as oportunidades de estágio, para também rolar uma graninha durante a graduação.

 

Para a Bruna, quem está na universidade particular tem vantagem, pois os horários das federais costumam ser bem “desconexos” – 

 

É importante entender que o mercado de trabalho é promissor, mas flutua conforme nossa economia. Com esse lance de crise atualmente, fica difícil tanto para quem precisa estagiar como para quem está com o diploma na mão.

conteudo2Turma da Bruna em visita técnica ao parque de Itaipu. Arquivo pessoal. 

“A longo prazo, acredito que a Engenharia no Brasil tem muito para evoluir e expandir”, espera a profissional Maria Eliza. Mesmo com as dificuldades do curso, nossas estudantes seguem otimistas. Bruna tem procurado aproveitar as oportunidades de pesquisa na universidade e Debora acredita estar no caminho certo 😉

Dicas, pra que te quero!

  • Fique atento. Além da matemática, física e química também fazem parte da rotina de estudos;
  • Procure informações complementares às da faculdade. Você terá contato com diferentes conhecimentos sobre água, solo, concreto, programação, etc.;
  • Se possível, faça cursos que melhorem seu conhecimento sobre Autocad (esse é um software que auxilia na elaboração de desenhos técnicos 🙂
  • Anote tudo durante as aulas, é preciso revisar muito conteúdo para as provas;
  • Tenha paciência, pois os primeiros semestres costumam colocar em dúvida a permanência no curso;
  • Aproveite as experiências dos estágios para se preparar para o mercado de trabalho;
  • Participe dos encontros que debatem a profissão, como o EREDS (Encontro Regional de Engenharia e Desenvolvimento Social);
  • Mantenha a mente aberta, o curso é mais abrangente do que a maioria das pessoas pensa!

 

E então, curtiu as dicas das meninas? É a Engenharia Civil mesmo que faz a sua cabeça? Esperamos que você tenha conhecido um pouquinho mais sobre essa profissão. Até a próxima!