Decidir para onde ir no intercâmbio pode ser tarefa difícil. Existem tantos lugares legais no mundo para conhecer, tantas experiências diferentes para vivenciar. E se a gente te disser que você não precisa escolher um país só? E mais legal ainda, fazendo trabalho social! 

 

Bibiana Ayete viajou – pasmem! – para 7 países diferentes em um ano. – 

 

A Série Intercâmbios vai te contar um pouquinho dessa aventura pela América do Sul. 🙂

Desde que entrou na faculdade de Biologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Bibiana tinha tudo planejado. A escoteira de 22 anos sempre quis fazer intercâmbio, então pretendia cursar 2 anos da faculdade, trancar o curso e morar por um ano no Uruguai – país pelo qual é apaixonada – e depois voltar para Porto Alegre e concluir a graduação. Passados os 2 anos, ela se sentia muito infeliz.

bibi3Essa é a Bibiana! 🙂 Arquivo pessoal.

 

Apesar de trabalhar onde sempre quis, como professora no Instituto de Educação, fazendo o curso desejado na faculdade que sonhava, faltava alguma coisa. – 

 

Ela percebeu que era hora de fazer seu intercâmbio e recebeu total apoio dos pais. Bibiana nos contou que entrou em contato com diversas agências de intercâmbio para conhecer melhor as propostas de viagem que cabiam no seu bolso. E existe todo o tipo de intercâmbio que você possa imaginar, desde viagens para melhorar seu Inglês até trabalhar de babá para uma família. Ela lembrou de um amigo que havia falado sobre a Aiesec, empresa que faz a ponte entre ONGs e jovens que desejam fazer trabalho voluntário.

 

Como ela é escoteira e sempre fez trabalho social, adorou a ideia. – 

 

De Porto Alegre ela já saiu com a ideia de que ia passar um ano viajando. “Eu sempre amei a América Latina, aí eu juntei a fome com a vontade de comer. Eu tinha já a grana guardada, é um intercâmbio barato e foi muito em conta ir pela Aiesec. Gastei menos de 16 mil reais pra ficar um ano viajando por 7 países.” Pela Aiesec, o estudante “compra um projeto”, que pode durar de poucas semanas até um ano.

bibi4Simpáticas lhamas no Equador. Arquivo pessoal.

As pessoas normais compram um projeto, vão viajar e voltam. Eu não sou muito normal (risos). Eu descobri que ninguém no mundo fez o que eu fiz: eu comprei 6 projetos e fiz esses 6 projetos um depois do outro. Fui em fevereiro de 2015 e voltei em janeiro de 2016. Passei o ano inteiro viajando pela América Latina fazendo trabalho social.”

 

Sobre os projetos, Bibiana nos contou que existe todo o tipo de proposta: alguns não te dão nada, outros te dão acomodação, comida e transporte para o projeto onde você vai trabalhar. Como ela estava com a grana apertada, pesquisou por projetos que oferecessem estadia e pelo menos uma refeição por dia.

“Dependendo de onde eu estava, eu conversava com a família [do local], pra ver se eu não ganhava janta também (aí eu pagava só meu café da manhã). Eu conversava com o pessoal que estava me recebendo pra ver se podia negociar. Isso é muito legal, porque rola essa possibilidade de negociação, especialmente se tu for recebido por uma família.”

 

Para ajudar com as despesas, ela teve uma ideia: fazer um financiamento coletivo. –

 

O projeto, chamado Foto na Sardinha (saiba mais aqui) não deu muito certo, ela admite, mas rendeu boas fotos.  A proposta era construir uma câmera fotográfica analógica com uma lata de sardinhas e registrar toda a sua viagem. Como recompensa, os investidores receberiam cartões-postais, fotografias e aulas de como construir a mesma câmera que ela usou.

cameraOs objetos necessários para montar a câmera e o resultado final, à direita. Arquivo pessoal. 

Pé na estrada: Colômbia

Bibiana começou seu intercâmbio pela Colômbia, em um projeto na região metropolitana de Bogotá. Lá ela trabalhou em um colégio no Ensino Médio, com estudantes de 14 a 19 anos. Ela e mais 9 voluntários de 7 nacionalidades trabalhavam o desenvolvimento pessoal dos estudantes, valores e os desafios do milênio.

Proyecto Horizontes: projeto no qual Bibiana trabalhou, em Mosquera, cidade próxima de Bogotá, na Colômbia. Arquivo pessoal.

Aficcionada por museus, Bibiana aproveitou para conhecer os inúmeros situados no centro histórico de Bogotá, e garante que, nas 6 semanas que ficou na cidade desenvolvendo o projeto, não conseguiu conhecer todos. Ela passou mais duas semanas viajando pelo país e conheceu Cartagena e Santa Marta.

 

Era sempre assim: eu ia para o país, fazia o projeto durante 6 semanas, aí ficava uma ou duas semanas viajando, sempre indo em direção ao próximo país.”

 

Próxima parada: Equador

Da Colômbia, a estudante partiu para o Equador, onde trabalhou em um colégio na cidade de Quito dando aula de educação ambiental para alunos de 6 a 16 anos.

 

Os horários de trabalho não permitiam que ela passeasse muito durante a semana. –

 

A família que recebeu a Bibiana sabia que ela tinha pouca grana e nos finais de semana a levavam para passear por várias cidades pequenas perto de Quito. Nesse projeto ela passou muito mais tempo com a família que a recebeu do que em Bogotá. Acabou conhecendo muitos museus, fez esportes radicais e passou uma semana em Cuenca.

Depois de 6 semanas, os alunos me prepararam uma despedida pra ela. Youtube – Canal Foto na Sardinha.

A seguir, Peru

A parada seguinte foi Trujillo, no Peru, cidade que fica 8 horas ao norte de Lima. Nesse projeto, Bibiana trabalhou numa associação de crianças especiais, passando um pouco de alfabetização básica, bordado e costura. Essa associação foi criada por duas mães pobres de uma comunidade carente, com muita força de vontade para melhorar a vida dos filhos e de crianças da comunidade. Eles vendem bordados e pinturas produzidos pelos estudantes da associação para mantê-la.

Além das 6 semanas de projeto, Bibiana ficou uma semana a mais com a família que a hospedou, porque se deram muito bem. Na última semana que passou no Peru, foi para Cusco conhecer Machu Picchu!

 

Foi o maior rolezão da história porque em caminhei 30 quilômetros em dois dias. Tudo isso porque eu não tinha grana pra pagar o trem. Os dois dias que eu fui pra Machu Picchu eu passei a base de atum com limão e bolacha de água e sal, porque eu não tinha grana pra comer lá e isso foi o que eu consegui levar. Tudo isso pra poder conhecer Machu Picchu”.

 

Bolívia: a jornada continua

De Machu Picchu, Bibiana foi para Sucre, na Bolívia, onde passou 6 semanas trabalhando em uma instituição para meninas de 8 a 17 anos. As crianças vinham de famílias carentes e passavam a semana sob os cuidados dessa instituição, onde dormiam, recebiam alimentação e aconselhamento. Saíam durante o dia para ir à escola ou trabalhar e, nos fins de semana, voltavam para a casa dos pais.

 

Bibiana ajudava na rotina da instituição e no dever de casa. – 

 

Depois de terminar o projeto, ela aproveitou para passar uma semana em Potosí e conhecer o Deserto de Sal.

Bibiana fez um canal no Youtube com alguns vídeos de curiosidades sobre os lugares que passou! Youtube – Canal Foto na Sardinha.

Ela nos contou que falar bem Espanhol ajudou a gastar menos nas viagens turísticas que fez durante o intercâmbio: “Para eles, os brasileiros têm grana. Com o bom Espanhol eu me passava por uruguaia e conseguia baratear alguns custos. Eu sempre achei o Espanhol uma língua muito bonita e sempre fui atrás para aprender. Eu sempre passo as férias no Uruguai e, como a minha família é toda de escoteiros, a gente prefere acampar. Sempre que a gente ia pra lá eu me oferecia pra ir na padaria, essas coisas, e acabava treinando meu Espanhol.”

Em terras argentinas

A aventura continuou no norte da Argentina, em Corrientes, onde Bibiana participou de dois projetos e viveu por 3 meses.

 

O primeiro foi trabalhando com recreação para crianças de 1 a 3 anos, onde ela se divertia bastante brincando com a criançada. – 

 

O segundo projeto foi na parte de Ecologia, ensinando as mães da comunidade a fazer comidas com cascas e restos de frutas e melhorar a horta do local. Como a cidade ficava próxima da fronteira com o Paraguai, ela aproveitou para conhecer Assunção.

A Argentina foi o país em que Bibiana ficou mais tempo, e ela nos explicou o porquê: ela assinou o contrato de 6 intercâmbios antes de sair do Brasil, mas, na hora de procurar os projetos, não podia fazer com tanta antecedência porque eles não estavam disponíveis no sistema da agência de intercâmbios. Então ela sempre começava a procurar o projeto do país seguinte quando estava no anterior. Quando ela chegou na Argentina, procurou projetos no Chile, no Paraguai e no Uruguai na área de Educação, mas não encontrou nada.

Bibiana passou uma semana lá, hospedada na casa de uma menina que conheceu durante o intercâmbio no Equador.

Com crianças do projeto na Fundación Conin, em Corrientes. Arquivo pessoal.

Quanto terminei meu projeto em Corrientes, fiz uma das maiores loucuras da minha vida, que foi ir de carona até Buenos Aires. Foram dois dias pedindo carona pra chegar até lá. Se eu faria isso de novo eu não sei, eu pensaria bem. Mas no momento eu estava sem grana e queria muito conhecer Buenos Aires. Valeu muito a pena, porque eu me apaixonei pela cidade.”

Time lapse (técnica de fotografia para vídeo) da escultura metálica Floralis Generica em Buenos Aires. Arquivo pessoal.

Chile, destino final

 

Depois de perambular por boa parte da América Latina, Bibiana ainda não havia conhecido o Chile. – 

 

Um amigo chileno com quem trabalhou na Colômbia ofereceu estadia com sua família no período do Natal e Ano Novo. Ela ficou hospedada com ele em Santiago por uma semana e depois conheceu Viña del Mar e outras pequenas cidades litorâneas. “O intercâmbio foi muito orgânico nesse sentido; muitos momentos fiquei na casa de amigos ou conhecidos que fiz durante o intercâmbio. Gastei pouco com estadia; muito mais com alimentação e transporte.” Quase um ano depois de sair de Porto Alegre, Bibiana embarcou no Chile de volta à capital.

Passeio pelas Cordilheiras e mais algumas lhamas pelo caminho 🙂 Arquivo pessoal.

De volta para casa

 

Além da incrível bagagem cultural, Bibiana trouxe na mala a vontade de trocar de curso na faculdade para Letras-Espanhol. – 

 

Sua matéria favorita, a Ecologia, é tratada de forma breve no curso de Biologia. A vontade de aprofundar os conhecimentos sobre a língua e a cultura Latinas bateu forte: “O que eu aprendi de História, Geografia e coisas da América Latina foi demais.”

A UFRGS não abriu nenhuma vaga para mobilidade acadêmica, então ela vai encarar o Enem para tentar uma vaga. Desde que voltou para o Brasil, Bibiana trabalha como voluntária na mesma organização com a qual fez o intercâmbio, tentando passar o sonho adiante além de trabalhar na universidade também.

 

E ainda promete: uma hora dessas vai lançar um livro sobre o seu  intercâmbio! – 

 

Confere o trajeto da Bibiana no mapa abaixo! Os pontos vermelhos indicam onde ela trabalhou como voluntária. Os azuis, lugares que ela aproveitou para conhecer durante o intercâmbio. 😉

Dicas, pra que te quero!

Curtiu conhecer um pouco da jornada da Bibiana? Se liga nas dicas que ela deu pra quem pensa em encarar o mesmo desafio (e conta pra gente o que você achou!):

  • Pesquise muito sobre diferentes propostas de intercâmbios em diversas agências;
  • Escolhendo um intercâmbio social, pense nos seus interesses pessoas: gostar ou não de trabalhar com crianças, por exemplo. Existem opções para todos os gostos;
  • É possível trabalhar em algo que você nunca fez antes, não relacionado à sua área de  graduação, e isso pode engrandecer seu currículo;
  • Dê preferência por programas que ajudem a desenvolver alguma de suas capacidades, em vez de basear sua escolha somente no país onde você quer ficar. Isso pode restringir suas opções, além de que pode não ser tão legal passar o intercâmbio todo trabalhando em algo que você não tem interesse.
  • “Faça! Não tenha dúvida sobre fazer ou não intercâmbio. O que tu leu nos livros de História e o que tu vê na televisão não é o que tu vai viver lá. Só vivendo a cultura desse país é que tu vai saber como é estar lá. Nenhum vídeo, nenhum filme, vai substituir essa experiência.”  

 

Você pode conhecer mais sobre o projeto da Bibiana, o Foto na Sardinha, acessando a página no Facebook, o Canal no Youtube ou o perfil do Instagram!

 

Curtiu as experiências da Bibiana no intercâmbio? Conte pra gente nos comentários e continue ligado (a) na nossa série pra conhecer outras histórias que podem te inspirar. Até! 🙂