Quando a gente pensa em Tailândia, de cara já imagina praias de águas azuis e areias brancas. Luciana tinha algo diferente em mente: queria conhecer mais de perto o Budismo e fazer um intercâmbio. Bora conhecer a história dela aqui na Série Intercâmbios? ✈✈✈

Luciana Costa Brandão é estudante de Relações Internacionais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Eu sempre gostei de viajar, acho que é uma característica comum entre estudantes de Relações Internacionais.”

6Luciana conheceu de perto esse elefantinho em uma reserva natural de recuperação de elefantes traumatizados. Arquivo pessoal.

Por onde começar?

Luciana conta que ela e as amigas estavam a fim de viajar e fazer um mochilão. Uma colega trabalhava na AIESEC e contou sobre o Programa Cidadão Global, para jovens universitários ou recém-formados realizarem trabalho voluntário. Na época, ela curtia muito Budismo e participava de algumas atividades no templo de Três Coroas.

 

Ela e mais 5 colegas decidiram fazer o programa ao mesmo tempo, para países diferentes. – 

 

“Por conta disso eu me aproximei muito pela cultura dos países que têm o Budismo como religião principal.” Ela aproveitou a oportunidade que o trabalho voluntário proporcionava de viajar para países bem diferentes. Entre os diversos países com a religião budista, como Nepal, Tailândia, Myanmar e Camboja, ela optou pela Tailândia porque o programa de trabalho voluntário parecia mais interessante. Suas amigas viajaram para a Índia, Egito, Sri Lanka e Uganda.

2A estátua de elefante faz parte de um retiro de final de semana em que Luciana participou com uma professora da sua escola. Arquivo pessoal.

Desafios e aprendizados

Em janeiro de 2013, com apenas 17 anos, ela embarcou para a Tailândia, onde passaria um mês e meio dando aulas de inglês para crianças.

“O programa que eu fui era bem legal, organizado por estudantes da universidade de Bangcoc.” Lá, ela e mais 39 voluntários receberam treinamento e foram realocados, em duplas, para cidades do interior do norte da Tailândia para dar aulas de inglês. Ela conta que essa foi a parte que mais pesou, porque ela ficou na zona rural muito distante.

 

A barreira do idioma foi um ponto difícil da experiência de Luciana. –

 

Apesar de receber o treinamento básico de tailandês, era difícil se comunicar com as pessoas porque quase ninguém falava inglês. Ninguém falava o idioma na casa da família que a hospedou. Ela conseguia manter mais contato com a professora de inglês da escola onde trabalhou.

7Fotos com as crianças da escola onde Luciana deu aula, em Non Han, em um dia de atividades ao ar livre. Arquivo pessoal.

Outro ponto difícil foi a barreira cultural: “A regra da AIESEC é que tu trabalha durante a semana e final de semana tu é livre para fazer o que tu quiser, como viajar para uma cidade próxima. Mas a minha host mother não me deixava fazer as coisas sozinha, eu só poderia ir acompanhada”.

 

– Ela explica que a cultura do país é bem conservadora, como, por exemplo, não permitir que ela viajasse sozinha ou com uma pessoa de outro gênero. Como ela tinha ficado mais próxima da sua dupla de trabalho, um rapaz da Indonésia, ela acabou não podendo viajar com ele. – 

 

“Nesse sentido foi bem limitador. As cinco semanas que eu fiquei lá dando aula eu não pude viajar no final de semana. Durante a semana eu ficava só na escola dando aulas de inglês e, como eles não falavam nada do idioma, foi desafiador.”

8Fotos com as crianças da escola onde Luciana deu aula, em Non Han, em um dia de atividades ao ar livre. Arquivo pessoal.

A rotina de Luciana era digna de uma cidade interiorana: acordava às 5 da manhã com o galo cantando e ia dormir antes das 21h.

 

Foi um período de autodescoberta, de aprender a lidar com os desafios.”

 

Na escola havia internet, mas a conexão era ruim, então não tinha como usar o Skype. Ela escrevia muito em cadernos e mandava cartas para os amigos; tirava muitas fotografias e conseguia falar com a mãe por telefone de vez em quando. Ela tinha 17 anos na época, e a mãe ficou bastante preocupada.

Budismo: contato direto

Durante o intercâmbio, Luciana pôde entrar em contato com o Budismo tailandês, que é uma vertente mais conservadora, e se sentiu um pouco decepcionada. Ela conta que essa aproximação mostrou que essa vertente era muito sexista e hierárquica, muito diferente do que ela esperava e do que havia vivenciado no Brasil, onde conheceu uma vertente mais progressista da religião.

3Templo Budista que Luciana visitou em Bangcoc. Arquivo pessoal.

Ela visitou templos, conheceu monges e garante que foi muito legal, um grande aprendizado.

De volta a Bangcoc

Depois de terminar o período de trabalho voluntário, todos os intercambistas voltaram para Bangcoc para fazer um encerramento juntos, contando sobre suas experiências.

 

No Budismo eles tem esse costume de amarrar um cordão de algodão no teu pulso, e isso tem um significado muito importante de boa sorte. Se alguém amarra esse cordão no teu pulso, está te desejando muito bem, está querendo te proteger. Nessa cerimônia de encerramento todos eles amarraram muitos cordões ao redor dos nossos pulsos.”

 

4Uma senhora fazendo pose no templo Budista que Luciana visitou em Chiang Mai. Arquivo pessoal.

Ela conta que a própria população na rua reconhecia essas pulseiras e que a tratavam de maneira diferente por causa disso, como se ela fosse parte da comunidade. Depois do encerramento do projeto, ela aproveitou para viajar um pouco pelo país. Para Luciana, o ponto alto de sua experiência foi o processo de amadurecimento, já que ela teve que aprender a lidar com várias coisas enquanto esteve lá, como as diferenças culturais.

5 Na imagem, o templo Budista que Luciana visitou em Chiang Mai. Arquivo pessoal.

 

A sensação que eu tive quando estava voltando para o Brasil foi: eu sou capaz de fazer qualquer coisa, se eu fui capaz de viver um mês e meio em um país que eu não conhecia dando aulas de inglês e depois viajando sozinha. Foi uma sensação de empoderamento.”

 

Luciana conta que acabou engordando durante o intercâmbio, porque a comida tailandesa era maravilhosa: “A comida típica da Tailândia também foi um ponto alto (risos)”.

Em solo brasileiro

Luciana conta como foi trazer essa experiência na bagagem:

“Foi bem legal poder trocar meus conhecimentos com meus colegas quando eu voltei, pensar nas conjunturas políticas. Voltei com muita vontade de viajar de novo.  Aí eu fiz um intercâmbio durante a faculdade, me inscrevi para um intercâmbio pela UFRGS e acabei estudando e morando por um ano na Holanda. Ter feito essa viagem curta para um país tão diferente abriu essa porta, eu passei a me sentir madura e segura o suficiente para morar em outro país por mais tempo”.

 

– A experiência foi tão inspiradora que Luciana publicou um livro que reúne boa parte dos textos que ela escreveu enquanto estava na Tailândia. – 

 

1Mulher fazendo uma oração no templo Budista que Luciana visitou em Chiang Mai. Arquivo pessoal.

Ela dá a dica para quem pensa em viajar fazendo trabalho voluntário: pesquisar bem em diversas plataformas de intercâmbio voluntário, procurar montar um roteiro de trabalho com mais flexibilidade e conseguir conversar com a família com quem tu vai ficar antes de viajar. Além disso, é sempre importante levar uma grana extra para caso de algo dar errado se você ficar sem ter onde dormir, se não tiver como conseguir contato com o seu projeto, por exemplo.

 

A experiência de fazer trabalho voluntário e viver em outro país é uma perspectiva diferente do que tu teria indo só como turista. E isso não te impede de fazer programas turísticos também.”

 

Dicas, pra que te quero!

Veja o que você pode aprender com a experiência da Luciana:

  • Aprenda um pouco do idioma e da cultura local, isso pode facilitar muito sua estadia no país;
  • Encare as contrariedades como um desafio: esse é um período de aprendizado e você vai precisar de um pouco de “jogo de cintura”;
  • Procure pesquisar diferentes agências e propostas de intercâmbio: um projeto mais flexível te dá mais liberdade durante seu período de permanência no país.

Curtiu conhecer a experiência da Luciana? Já pensou em viajar e conhecer um país com uma cultura e um idioma tão diferentes? Conta nos comentários pra onde você quer viajar! Até a próxima! 😉