Aqui na Série Intercâmbios a gente mostra experiências bacanas pra inspirar você a tirar da gaveta aquele projeto de estudar e/ou trabalhar em outro país! O intercâmbio é uma ótima maneira de turbinar o currículo e vivenciar na prática o que você aprende na universidade.

E foi justamente isso que o estudante de Administração Felipe Brum fez: foi em busca de uma oportunidade internacional, indo trabalhar no Panamá. 🙂

 

Eu brinco dizendo que eu não escolhi o Panamá, ele me escolheu. Na época, estava entre uma vaga na Hungria e outra no Panamá. Como o Panamá me chamou primeiro e as características da vaga me interessavam, confirmei na hora.”

 

Por meio da AIESEC  empresa que faz a ponte entre ONGs e jovens que desejam fazer trabalho voluntário o estudante buscou informações e se candidatou ao processo seletivo das vagas profissionais. Desde que ingressou no curso de Administração da UFRGS, o objetivo era buscar uma oportunidade internacional.

Aos 23 anos e prestes a se formar, ele considera que a experiência foi fundamental para a carreira.

PANAMA.1De quebra, Felipe ainda aproveitava a praia de San Blas, no Caribe. Arquivo pessoal.

Trampando na Philips

Depois de aprovado no processo seletivo da AIESEC, Felipe saiu de Porto Alegre para a Cidade do Panamá, já contratado para trabalhar como analista no departamento financeiro da Philips.

A seleção da agência permite que jovens vivenciem a rotina de uma grande empresa. Para participar é necessário ter entre 18 e 30 anos, inglês intermediário ou espanhol básico e ter as habilidades requeridas para o projeto que se candidatar.

O escritório onde Felipe trabalhou é considerado um centro de serviços que faz atividades de apoio para todas as unidades da Philips na América Latina. O trabalho era na área de indicadores e planejamento financeiro.

 

O mais bacana é que você acaba por conhecer pessoas de todos os países; tem que falar Espanhol e Inglês e faz ótimos contatos profissionais. Não é raro os intercambistas serem contratados.”

 

PANAMA.2Escritório da Philips onde Felipe teve a oportunidade de trabalhar. Arquivo pessoal.

Mas o melhor é que ele conseguia se manter com o salário que recebia: “Inicialmente, eu paguei passagem, seguro saúde e a taxa de inscrição da AIESEC. Depois que você recebe o primeiro mês de salário, você consegue bancar todos os gastos de aluguel, comida, transporte, etc.”, afirma.

Apesar das boas perspectivas, aquele friozinho na barriga sempre rola, e com o Felipe foi logo no segundo dia! “Cheguei numa quinta-feira e só começava a trabalhar na segunda. Na sexta, já estava pensando que diabos estava fazendo ali, se eu ia gostar das pessoas, do trabalho, se ia me dar bem, se ia entender Espanhol, enfim…”

 

A ansiedade e o sentimento de “que que eu vim fazer aqui?” é super normal. Por isso, é importante pesquisar bem sobre a cidade que você pretende ir. –

 

PANAMA.3Felipe no Canal do Panamá, canal superficial que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Arquivo pessoal.

Depois de ter estudado Espanhol por mais de três anos, essa foi a chance do estudante treinar a língua, embora o Espanhol panamenho pregasse algumas peças. Principalmente na hora de negociar a corrida do táxi, que acabava saindo mais caro.

Segundo Felipe, lá não tem taxímetro e é preciso negociar o preço antes de entrar no táxi ou saber de cor a tabela. Fora que o motorista decide no caminho se irá pegar mais passageiros.

Pablo?” – Uma corrida estranha

A experiência com os taxistas panamenhos foi além. Afinal, histórias inusitadas acontecem em qualquer lugar! Quando se preparava para sair de férias para o Texas (sim, ainda rolou essa maravilha), o intercambista havia combinado por Whatsapp com um taxista para que ele o buscasse e o levasse ao aeroporto.

 

Quando cheguei, havia um táxi fazendo o retorno na garagem, ele me viu, eu me aproximei e perguntei ‘Pablo?’, ele respondeu ‘Si’. Entrei e seguimos. Logo ele perguntou ‘Para onde vamos mesmo?’. Eu achei estranho, afinal havia combinado destino e preço, mas confirmei.”

 

Quando chegou no aeroporto e conectou o wi-fi, Felipe havia recebido diversas mensagens de Pablo, inclusive de áudio. “Olhei o horário e não entendi como ele poderia ter enviado aquilo enquanto dirigia e estava comigo!”

Depois de ouvir as mensagens, Felipe entendeu que um taxista aleatório se aproveitou respondendo “sim” ao questionamento se ele era Pablo. “Por sorte, era um taxista que fez exatamente a corrida, mas o fato dele me enganar e eu ter deixado o outro taxista na mão me deixou preocupado”, relembra.

A Dubai da América Latina”

Fora isso, Felipe comenta que a receptividade das pessoas é boa, um lance bem parecido com o Brasil. O fato de ter muitos estrangeiros na cidade também foi, de certa forma, um ponto positivo.

PANAMA.4Jogo em estádio no Texas, durante as férias nos EUA. Arquivo pessoal.

PANAMA.5A importância comercial do Canal do Panamá atrai muitos estrangeiros. Arquivo pessoal.

Além de abrigar o famoso Canal do Panamá (importantíssimo no comércio marítimo internacional), a Cidade do Panamá tem ótimos restaurantes, shoppings e o conhecido bairro boêmio Casco Antiguo. Os bairros são aparentemente seguros e os aluguéis acessíveis.

“O valor do meu salário era bem bom e era possível ter um custo moderado com aluguel, morando muito bem, e um custo muito baixo com comida e transporte. Terminei passando férias nos EUA e poupando para passar um mês no Canadá depois de sair do Panamá”, conta Felipe.

PANAMA.6Já pensou curtir as belezas naturais do arquipélago de San Blas? Arquivo pessoal.

O projeto do país, de atração de multinacionais e trabalhadores estrangeiros, além das belezas naturais, fez com que a cidade fosse apelidada de a “Dubai da América Latina”.

 

– Mas, apesar disso, a irreverência e as dificuldades latinas também são encontradas. –

 

O transporte coletivo tem duas opções: o oficial e o alternativo. Ambos são baratos, com a passagem custando entre US$0,25 e US$0,50. O oficial possui ônibus em bom estado, porém as informações sobre as rotas e a frequência são bem difíceis.

Já o alternativo são vans pequenas ou ônibus escolares americanos reformados (chamados de Diablo Rojo) que reservam surpresas: “Apesar de barato, você tem que aprender a rota na experiência e a frota é bem precária. Procura no Google ‘Diablo Rojo’ pra ter uma ideia da aventura!”, recomenda ele. Ok, Felipe! Vamos procurar 😉

Vídeo Diablo Rojo: Dá uma olhadinha no estilo do bus! Partiu?!  Youtube.

Dicas, pra que te quero!

Confere os toques do intercambista Felipe. Quem sabe você não é o próximo(a)?

  • Se você busca um intercâmbio profissional, procure alinhar a oportunidade com os interesses da carreira;
  • Dê preferência para lugares em que você possa praticar um idioma que já estudou;
  • Pesquise sobre a empresa e as possibilidades de uma contratação;
  • Esteja preparado(a) para um arrependimento inicial, mas relaxe! Depois é só alegria;
  • Aproveite para fazer contatos com diferentes profissionais;
  • Fique tranquilo(a) e vivencie o que a cidade tem a oferecer, inclusive os perrengues!

E aí, o Felipe conseguiu te convencer? Um intercâmbio pode ser uma experiência bem divertida e, além de tudo, uma grande oportunidade profissional. Informe-se! Estamos aqui para te dar essa mão. Até mais!