Você já pensou em viajar para estudar ou trabalhar fora do Brasil? Sendo por um ano ou um mês, conhecer novas culturas pode ser uma experiência transformadora. Sair da sua zona de conforto e dar de cara com realidades totalmente diferentes é um aprendizado que só se encontra fora da sala de aula. Nesse post da Série Intercâmbios, o Guilherme nos conta como o tempo que passou no Marrocos mexeu com a vida dele. Confere aí!

Aperte o start

Sabia que você pode fazer um intercâmbio durante as férias? Essa foi a escolha do Guilherme Ceolin, estudante do 5º semestre de Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): “Sempre me interessei por estudar no exterior. Ouvia as experiências do Ciência sem Fronteiras e pensava em como queria viver coisas assim. Acabei fazendo um mochilão com amigos pela América do Sul e, quando voltei, decidi que não ia parar por aí”.

 

Viajar durante as férias pode ser um bom jeito de ter novas experiências! –

 

A oportunidade surgiu quando uma agência de intercâmbios visitou a universidade para apresentar seus destinos. “A primeira vaga que apareceu foi para o Marrocos e eu topei na hora. ‘Vamos ver no que vai dar’, pensei”. O gaúcho de 20 anos passou um mês e meio no país africano, durante janeiro de 2016, na cidade de Fez.

“Optei por um projeto de intercâmbio social, que é quando você presta um trabalho voluntário, sem remuneração. Paguei uma taxa para a agência, que incluiu hospedagem e alimentação, mas os custos com passagem e deslocamento ficaram por minha conta”, explica, dizendo que contou com a ajuda dos pais para financiar a viagem. O projeto do qual participou buscava alternativas para impulsionar o turismo na cidade. “Minha tarefa foi conhecer a cultura e conversar com as pessoas, até que tive a ideia de produzir um banco de fotos para divulgação nas redes sociais, o que foi bem legal”.


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Conteudo5Imagens do dia a dia na Medina de Fez (patrimônio cultural da UNESCO) e de um casamento marroquino. Arquivo pessoal.

Expectativa x Realidade

Antes de viajar, a agência oferece uma preparação cultural com aspectos gerais, mas que não adianta muito. “Você só descobre a real lá. Se prepara para uma coisa, mas chegando é totalmente diferente”.

Guilherme ficou em uma acomodação com mais dez pessoas do mundo inteiro, como China, Nova Zelândia, Indonésia e Colômbia. “Foi um exercício de convivência muito interessante, mas também desafiador”. Mesmo com uma viagem planejada, ele diz que encarou alguns apertos. “Você chega lá achando que vai ter tudo nas mãos, mas não é bem assim. Tem que correr atrás. Os idiomas do país são apenas Árabe e Francês. No início, o pessoal local da agência ficou junto, mas depois, ficamos por conta. Fomos nos virando, seja no Inglês, aprendendo algumas frases básicas em árabe ou por gestos”.

 

Você só descobre a real lá. Se prepara para uma coisa, mas chegando é totalmente diferente.”

 

Como o país é pequeno, não há grandes problemas para se deslocar, seja de trem ou ônibus. “O táxi é muito barato. Cruzamos a cidade de Fez e deu cerca de R$15 (1 real vale 2,40 dirhams). Lá, nosso poder de compra é relativamente bom”. Os marroquinos também são super receptivos! Mesmo sem entender o idioma, sempre tentavam ajudar Guilherme e os outros: “Uma vez, um taxista se deu ao trabalho de nos levar até um amigo dele para traduzir a conversa”.

Diferenças que fazem a Diferença

O Marrocos é um país muçulmano e vive essa religião intensamente. As mulheres ainda sofrem muitas restrições por conta disso, como a proibição de frequentar cafés, por exemplo. Na rua, a maioria usa burca ou véus. “Um dia, fui cumprimentar uma menina com um aperto de mão e ela recuou. Depois eu soube que ela não podia me tocar. Nas famílias mais conservadoras, a mulher não pode sequer tocar em outro homem antes de casar”.

Guilherme fez amizades por lá e chegou a frequentar a casa de uma típica família marroquina. “É tudo muito grande e colorido, cheio de sofás e tapetes. As salas são enormes e têm cômodos separados para homens e mulheres”. Nas mesquitas, locais de oração, só é permitida a entrada de muçulmanos. “Só pude visitar a Hassan II, mesquita turística que fica na cidade de Casablanca”.Conteudo3Guilherme com seus colegas de intercâmbio e amigos marroquinos em frente ao “castelo do rei”, casa onde o monarca se hospeda quando visita a cidade de Fez. Arquivo pessoal.

Ficou pra vida!

Respeito, tolerância, empatia. Para Guilherme, o intercâmbio proporcionou uma visão do real, além da sensibilidade para entender a cultura do outro e aprender a respeitar opiniões contrárias. “O que mais curti foi ter entrado em uma cultura totalmente diferente. Pude viver como um marroquino, comer como um marroquino, observar seus costumes e o jeito como levam a vida. Ter noção de como é viver entre muçulmanos foi uma das melhores partes”.

 

Respeito, tolerância, empatia –

 

Ele lembra que a visita ao deserto do Saara foi uma das coisas mais fantásticas que já fez. “Passamos a noite lá! Foi incrível acordar com o nascer do sol entre as dunas”. Das amizades feitas, ficou a saudade e o aprendizado. “Se abrir a ponto de aceitar a visão do outro, mesmo que não seja o que você acredita. Essa foi uma das coisas que mais mudei em mim”.

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Guilherme passou uma noite no deserto do Saara, andou de camelo e ainda curtiu o nascer do sol entre as dunas 🙂 Arquivo pessoal.

Dicas para que te quero!

Anota aí as dicas do Guilherme!

Para ir ao Marrocos:
  • Estude um pouco de francês. Será essencial para pedir direções e informações básicas;
  • Não use roupas que deixam o corpo à mostra, especialmente para as mulheres. Você está visitando um país muçulmano, então, é aconselhável respeitar seus costumes;
  • Viaje no inverno, pois o clima é bem mais agradável para passeios.
Para qualquer destino:
  • Procure um lugar que possa oferecer algo direcionado aos seus objetivos;
  • Pesquise sobre o país que deseja visitar: cultura, idioma, religião;
  • Faça um planejamento com a estimativa de gastos;
  • Não se estresse com eventuais apertos. Esfrie a cabeça e lide com eles;
  • Tente entender e respeitar a cultura do local, pois você é o visitante.

Pronto para fazer as malas? Conta aí, pra onde você gostaria de viajar e fazer um intercâmbio? Não perca os próximos posts da nossa série pra conhecer mais experiências interessantes que podem te inspirar 🙂 Até o/