Ficou com vontade de fazer intercâmbio durante a faculdade, mas não sabe para onde ir? Que tal a Suécia? “Suécia? Mas eu não falo Sueco!” A gente te conta um segredo: não tem problema. Nós conversamos com César Costa, estudante de Administração de 24 anos, e ele nos contou sobre a experiência dele nesse gélido país europeu.

Desde que entrou na faculdade, César já tinha vontade de passar um tempo morando fora do Brasil. Como ele não teve a oportunidade de fazer um intercâmbio durante o Ensino Médio, sentia falta da experiência de morar sozinho e do processo de amadurecimento que é consequência. Depois de anos trabalhando em empresa júnior na faculdade e com o fim de um relacionamento, decidiu ir atrás desse sonho.

 

Pra quem cursa Administração, faz total sentido ter essa experiência”. 

 

O porto-alegrense, estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nos conta que já havia se inscrito em um curso de curta duração em Los Angeles, mas decidiu tentar um intercâmbio pela própria universidade também, mesmo sabendo que era mais difícil conseguir. Entre as opções de parceria que a universidade oferecia, César escolheu a Suécia.

Como, onde, quando?

Depois de decidido o destino, César procurou os editais da universidade, que disponibilizam intercâmbio com ou sem bolsa. Como as oportunidades com bolsa tinham a inscrição e pré-requisitos bastante burocráticos e complicados, optou direto por uma vaga sem bolsa. Dentro da universidade existe um órgão para ajudar os estudantes nesse processo todo, mas ele admite que não recebeu muito auxílio e acabou dependendo das dicas e conselhos de estudantes que viajaram para outros países da Europa antes dele. Para escolher a universidade, ele buscou a lista das instituições parceiras da UFRGS e o ranking das melhores universidades do mundo, entrando no site de cada uma para conhecer melhor.

 

As aulas da universidade eram em Sueco, mas o curso dele tinha disciplinas em Inglês (viu?) – 

 

César decidiu pela Universidade de Lund, na cidade de mesmo nome, localizada no sul da Suécia. Essa pequena cidade, de cerca de 80 mil habitantes, fica pertinho da Dinamarca e a maioria de seus habitantes é de universitários, o que ajudou a diminuir um pouco os gastos da viagem, já que o custo de vida no país é um dos mais caros da Europa. “Lund tem a melhor estrutura do país para receber intercambistas internacionais, toda a cidade é preparada para isso. Tem prédios da universidade espalhados por tudo e é fácil se deslocar de bike porque a cidade é pequena.” César frequentou o curso de Management (Business), similar ao curso de Administração, vinculado à faculdade de Economia. Como tinha aulas em inglês, ele conheceu mais intercambistas do que suecos e acabou fazendo amizade com muitos asiáticos que viajaram com o mesmo objetivo que ele.

Conteudo3Na imagem da esquerda, César depois da “welcome party” da universidade, em pleno inverno sueco. Na direita, uma das várias bibliotecas espalhadas pela cidade. Arquivo pessoal.

As acomodações tinham uma ótima infra! – 

 

Explicando um pouco sobre a burocracia da universidade, ele contou que, em Lund, o estudante se inscreve nas disciplinas e, então, pode conseguir acomodação que é paga em vários prédios que ficam espalhados pela cidade e que têm ligação com a instituição. As acomodações têm cozinha, lavanderia e salas comunitárias; os dormitórios contam com móveis, frigobar, micro-ondas e um banheiro.

Faz frio lá fora…

Por ser um país muito ao norte da Europa, César nos conta que foi muito difícil se adaptar ao clima no começo: “A Suécia é um país que no inverno é complicado de morar, porque é muito frio, mas principalmente pela falta de luminosidade, falta de sol. Quimicamente tu fica deprimido porque falta vitamina D no teu corpo. Janeiro e fevereiro amanhecia 9 da manhã e escurecia 4 da tarde. Os dias eram nublados. Quando tinha sol todo mundo ia pra rua.” Com a chegada da primavera e do verão a situação ficou mais fácil, já que o clima do inverno mudou bastante, com o amanhecer por volta das 5 da manhã e o pôr-do-sol depois das 9.

 

No final do intercâmbio eu queria ficar mais. No início foi difícil de aguentar, mas, depois que tu aguenta aquele início, é bem legal”.

 

César contou que os suecos eram um pouco mais reservados e, por isso, ele acabou fazendo mais amizades com outros intercambistas internacionais, que estavam passando pela mesma situação, querendo fazer novos amigos. Para ele, o clima certamente influenciava na receptividade das pessoas. Para se enturmar mais, ele se inscreveu em um time de futebol e participava das festas da universidade. César nos contou que os suecos bebem bastante, fazendo muitas festas e happy hours, e essa é uma boa oportunidade para conhecer pessoas novas. Uma outra atividade que ele gostava de fazer era caminhar e explorar a cidade.

 

Na Suécia era muito seguro, a gente podia andar de madrugada na rua com muita tranquilidade”.

 

ConteudoCésar foi recepcionado com muita neve na Suécia. Arquivo pessoal.

Durante o intercâmbio ele aproveitou para viajar pela Europa. Como já conhecia a parte ocidental do continente, viajou para a Noruega, para Estocolmo (capital sueca), para a Rússia e, no final do intercâmbio, fez um mochilão de 30 dias pelo leste europeu. Como os horários das disciplinas não eram tão rígidos como aqui (algumas semanas sem aula, outras com várias), ele pode viajar sem faltar. Além disso, o período letivo é dividido em trimestres, então ele aproveitou um pequeno período de férias para fazer a viagem à Rússia.

En, två, tre, fyra (um, dois, três, quatro)

Sobre a barreira do idioma, César admite que não aprendeu Sueco além do básico para se comunicar. Havia um curso gratuito de duas semanas, que ele optou por não fazer, temendo que a carga de estudos fosse muito pesada somada à faculdade. No entanto, ele se arrependeu quando descobriu que o curso era mais tranquilo do que imaginava e indica para quem for estudar no país. Ele cursou duas disciplinas na Universidade de Lund semelhantes às que tinha feito na UFRGS e garante que lá foi completamente diferente e que valeu muito a pena:

 

Lá eles conseguem fazer teoria e prática juntas. Tu estudavas antes a teoria em casa e depois na aula aprendia como colocar em prática”.

 

Para quem pensa em retornar ao país depois da faculdade, César contou que a maioria das vagas de trabalho é para engenheiros e que na área da Administração é interessante buscar as multinacionais, onde se pode utilizar a Língua Inglesa. “As condições de trabalho são muito boas. Como o país é rico, tem muita assistência pro trabalhador, tu ganha bem. Para os empreendedores é um bom país.”

Como grande aprendizado, o gaúcho trouxe na bagagem o conhecimento sobre as diferenças culturais (tanto em relação aos europeus quanto aos colegas asiáticos): “Achei interessante como o europeu, principalmente, e o asiático, enxergam o Brasil. Por exemplo: eles mal sabem onde fica o Brasil, eles não sabem que a gente fala Português, não sabem qual é a nossa moeda. A gente não existe pra eles. Então é bem complicado esse choque do quão insignificante a gente é na visão dos europeus”.

César com os amigos Annabelle (da Holanda) e Timothy (de Singapura). Arquivo pessoal. 

Conteudo4Churrasco feito por ele para os amigos em um parque durante a primavera. Arquivo pessoal.

César indica o intercâmbio não somente para quem pensa em viajar e viver outras culturas, mas especialmente para estudar bastante, buscando as melhores universidades e um aprendizado que o estudante não teria no Brasil. Para quem pensa em viajar mais, outro país mais central pode ser melhor, já que a Suécia não tem posição estratégica geograficamente, com pouca saída para o continente europeu.

$$$

Por fim, César alerta sobre a questão financeira, especialmente para quem fizer o intercâmbio sem bolsa, como ele: “O país é muito caro, mas a cidade era um pouco mais barata em relação ao resto do país, por ser universitária.”

 

A única coisa gratuita era a universidade – 

 

Ele poupou uma graninha para pagar as passagens aéreas e contou com a ajuda dos pais para pagar os 40 mil reais que gastou para passar 6 meses no país, incluindo as viagens que fez.

Resumindo porque indica o intercâmbio, César afirma: “Em relação à experiência como um todo, foi muito bom. O que eu não gostei foi a questão do clima e em relação a esse choque cultural, que a gente (Brasil) passa uma visão errada para o mundo. Mas é mais uma experiência que tu leva pra vida, saber que essas coisas são assim.”

 

Nosso entrevistado deixou algumas dicas para quem planeja fazer intercâmbio:

  • Buscar aprender e não só se divertir;
  • Pesquisar bastante sobre o país e a universidade para onde pretende ir;
  • Planejar muito e com antecedência: onde morar, quais disciplinas cursar;
  • Deixar o planejamento das viagens flexível, já que você pode fazer amigos e mudar os planos;
  • Tentar fazer coisas que você não faria no Brasil;
  • Ser você mesmo e tentar fazer muitos amigos;
  • Participar das festas, se inscrever em atividades para conhecer pessoas e aproveitar a experiência plenamente;
  • Buscar oportunidades presentes e futuras.

Para o César, a experiência foi especialmente importante em termos de amadurecimento:

 

Lá tu pode ser qualquer pessoa que tu quiser ser, ser tu mesmo. Eu vivi quem eu realmente sou e acho muito legal isso”.

 

E você, também gostaria de viver uma experiência assim, de poder ser você mesmo (a) e desenvolver potencialidades? Se sim, fica ligado (a) nos posts da Série Intercâmbios pra descobrir outras histórias legais que podem te inspirar! Até o/