Arte, arquitetura e muita comida boa! Barcelona respira cultura e agitação por todos os cantos. Mas você sabia que essa cidade não fica na Espanha (como assim?!)? Na verdade, Barcelona pertence à região autônoma da Catalunha no nordeste da península Ibérica que teve sua autonomia reconhecida em 2006.

E foi por lá que a Camila, nossa entrevistada nesse post da Série Intercâmbios, viveu uma experiência incrível. Bora descobrir?

Pontos pra você!

Camila Viegas conta que sempre foi muito independente: “Desde pequena, sempre gostei muito de viajar e explorar”. Quando estava começando o 5º ano da faculdade de Medicina na Universidade Regional de Blumenau (FURB), a chance de viajar rolou: “No período das disciplinas optativas, surgiu a opção de fazer um intercâmbio de um mês e pensei que não poderia perder. Queria muito viver essa experiência”.

 

Quando veio a oportunidade, pensei: vou pegar, vambora porque eu quero é viajar!”

 

Em 2014, a carioca de 25 anos passou um mês em Barcelona por intermédio da International Federation of Medical Students Associations (IFMSA). A fundação, criada em 1951, promove atividades e intercâmbios para estudantes de Medicina em todo o mundo por meio de um sistema de pontos.

1Selfie: Camila (de óculos) e a amiga no primeiro dia de estágio no hospital em Barcelona. Arquivo pessoal.

“A sua universidade deve preencher uma série de requisitos para se vincular à IFMSA. Quanto mais você participa de ações sociais e atividades acadêmicas, maior é o seu número de pontos.” Essa pontuação serve pra conseguir uma vaga no programa de intercâmbio gratuito, que fornece acomodação e uma refeição por dia, além do estágio na área médica.

 

Você paga apenas a passagem! – 

 

Camila ficou quase dois anos no comitê de organização da IFMSA na FURB, realizando eventos e ações sociais com a comunidade. Ela também aumentou seus pontos ao hospedar uma estudante de Medicina por meio dessa rede: “Recebi uma polonesa na minha casa por um mês. Foi demais!”.

O processo de inscrição e seleção levou cerca de um ano, até que, em agosto de 2014, Camila embarcou com uma amiga para Barcelona. “É muito difícil escolher o destino. Você vai pra onde tem vaga.”

Viva la vida

A acomodação foi em uma república de estudantes com localização privilegiada, bem perto da estação do metrô. “Ficamos em um prédio cheio de intercambistas da IFMSA do mundo inteiro: Estônia, Eslovênia, Alemanha, Suécia, Portugal, Egito, Taiwan.”

O quarto era pequeno, mas bem equipado: “Dormimos num cubículo com beliche, mas foi tranquilo. Nosso apê era perto de tudo, tinha banheiro, mini cooktop e internet a cabo. O terraço era muito lindo e dava pra ver toda a cidade”.

2Intercambistas reunidos no Bunker del Carmel, ponto turístico com vista pra toda cidade. Arquivo pessoal.

 

Toda noite, a gente comprava sangria (bebida típica espanhola à base de vinho, suco e pedaços de frutas) e ficava lá em cima curtindo a vista!”

 

No hospital do estágio, Camila e a amiga foram supervisionadas por um médico-tutor. “Ele era bem paizão! Pensa numa pessoa muito querida e atenciosa. Ele achou que a gente sabia Espanhol, mas não! E lá em Barcelona, o idioma é o catalão, que é supercomplexo, uma mistura de Francês com Italiano e Espanhol.”

 

Nos comunicávamos em Inglês, mas, ao final do estágio, eu já falava Espanhol.”

 

No primeiro dia, a estudante já encarou a prática de frente. “Nosso supervisor nos colocou pra dentro da sala de cirurgia, o que é bem diferente aqui no Brasil, onde só ficamos observando nas primeiras aulas. Nós assistimos a muitas cirurgias e até auxiliamos em alguns procedimentos. Foi um grande aprendizado”, diz, contando que a amiga inclusive optou por seguir esse ramo na residência.

3Camila (de óculos) com o tutor do estágio: “Foi um paizão!”. Arquivo pessoal.

Camila lembra que nem todo mundo tem essa sorte: “Conversei com pessoas que não tiveram experiências tão legais, ou porque ficaram hospedadas longe, ou porque o tutor não dava muita atenção”.

Diferenças, nem tanto

Para a moradora de Blumenau, tudo em Barcelona é muito parecido com o Brasil: “Eles também se atrasam e adoram fazer festa”. Já o transporte público é totalmente inteligente e funcional: “O metrô tem muitas linhas e leva você por toda cidade. Os trens são rápidos e também vão pra qualquer lugar”.

Sobre segurança, ela explica que, como em toda cidade grande, é preciso ficar esperto. “Conheci uma menina da Alemanha que foi furtada três vezes, mas estava sempre com a mochila pra trás. A gente andava sempre em grupos à noite, então era tranquilo, até porque lá escurece às 21h no verão.”

4Com os colegas de intercâmbio na praia de Barceloneta. Arquivo pessoal.

Ao visitar as praias, rolou um choque: “O pessoal troca de roupa na frente de todo mundo, ficam peladões! Não estão nem aí. Não existe o costume de se enrolar em uma canga ou toalha. Eles tiram a roupa molhada e se trocam, numa boa, sem esconder nada”.

#Instafood

Pode esperar por muitos frutos do mar, característica da comida mediterrânea. “Eles também comem muitas tapas e pães com molho de tomate. Outro prato muito consumido é batata frita com ovo frito (de gema molinha) por cima. Você corta e mistura tudo. Fica muito bom!”

Um restaurante que marcou foi o 7 Portes, indicação do tutor de Camila: “Esse lugar é lindo e maravilhoso! Comi uma paella incrível e deu cerca de 20 euros. Pode ir que a satisfação é garantida!”.

56A fartura é grande na La Boqueria, mercado municipal de Barcelona. Arquivo pessoal.

A interação gastronômica também rolou com os colegas de intercâmbio: “Numa noite na república, fizemos o jantar das nações, em que cada um fez um prato típico do seu país”. Ela lembra que a galera pirou no brigadeiro. “Um menino da Bósnia até hoje me pede a Jurupinga (bebida que é uma combinação de vinhos).”

Tensão no metrô

Por falta de informação, rolou uma situação desagradável no metrô. Em Barcelona, você pode comprar um passaporte pra usar por várias viagens por um valor mais em conta. “Compramos no primeiro dia, só que, na hora de comprar na máquina, pediu um tal de DNI e a gente não sabia o que era! Achamos que fosse algum tipo de senha, então criamos uma. Não tinha ninguém pra ajudar.”

 

Camila e a amiga foram abordadas pelos fiscais do metrô com cães farejadores! – 

 

A fiscalização no metrô é bem rigorosa para evitar aqueles pulos sobre a catraca. “Os fiscais nos pararam e disseram que aquele não era nosso DNI (que descobrimos ser o número da identidade). Foram bem ríspidos. Tentei explicar mostrando na fatura do cartão que eu havia pago, mas não adiantou. Tivemos que pagar uma multa de 100 euros. Foi bem desagradável.”

Trips

Nos finais de semana, Camila aproveitou para conhecer a Catalunha de trem. “Uma das viagens mais especiais foi quando visitei uma amiga em Alicante. Era aniversário dela, com toda a família, e eles montaram uma decoração linda com uma mesa cheia de tapas no lado de fora da casa. No mesmo dia, era aniver da cidade, então assisti a um desfile e conheci muito da cultura. Foi belíssimo.”

7Desfile comemorativo na cidade de Alicante. Arquivo pessoal.

8Camila curtindo o visual incrível de Cadaqués, cidade de veraneio de Salvador Dalí. Arquivo pessoal.

Em outra trip, Camila alugou um carro com mais três amigos para conhecer Cadaqués, cidade onde o famoso pintor espanhol Salvador Dalí passava o verão. “Não compramos ingresso antecipado e não conseguimos entrar no museu. Então, fomos andando sem rumo até que encontramos um morro lindo com vista pra cidade. Vimos o pôr do sol ali e tinha até um cara, do nada, tocando guitarra. Foi mágico!”

Legado pra vida

O principal legado do intercâmbio foi que, agora, tenho uma pulga pra viajar o tempo inteiro! Eu queria viver a realidade de outro lugar sem ser como turista e acho que consegui realizar esse desejo.”

 

Essa experiência aguçou minha curiosidade pelo mundo.”

 

E o que mais? “Fiz amizades inesquecíveis e conheci culturas diferentes. Barcelona é sensacional, com uma arquitetura incrível que deixa você encantado. Acho que a única coisa ruim do intercâmbio foi ter que acordar cedo”. :p

 

Foi a viagem da minha vida!”

 

9As obras do arquiteto Gaudí, como a Igreja Sagrada Família, encantaram Camila, que adora arte. Arquivo pessoal.

E você recomenda essa aventura, Camila? “Nossa, com certeza. Mas lembre-se: você tem que ir de mente aberta. Pode ser que nem tudo dê certo, mas você deve tirar o melhor de cada experiência. Só depende da sua disposição”.

10Camila (na ponta direita) fez questão de conferir um jogo do Barça. Arquivo pessoal.

Dicas, pra que te quero!

Se liga nas dicas da Camila se você quer fazer um intercâmbio em Barcelona:

  • Anote aí: DNI significa o seu número de identidade! Você vai precisar disso se quiser comprar um passaporte no metrô sem ter problema com a fiscalização;
  • Vá no restaurante 100 Montaditos. Eles fazem sanduíches de tudo que é jeito por cerca de 1 euro;
  • Visite os monumentos de Gaudí, consagrado arquiteto catalão, especialmente a Igreja Sagrada Família;
  • Passeie na Rambla, rua principal onde fica o mercado municipal. Lá tem comidas deliciosas e você encontra até coxinha e guaraná;
  • Use o Google Maps pra se localizar, não tem erro;
  • Opte pelo Visa Travel Money: como o cartão de crédito tem muitas taxas, você pode carregar o VTM no Brasil com um valor em euros e usá-lo lá como cartão de débito;
  • Ande de metrô e trem para conhecer as cidades da região;
  • Faça walking tour pela cidade! É a melhor maneira de conhecê-la.

Curtiu a experiência da Camila em Barcelona? Comenta aí o que você achou. 🙂 Em breve voltaremos com mais destinos de intercâmbio pra você! Bye bye!