Samsung, Gangnam style, Taekwondo? O que passa pela sua cabeça quando falamos em “Coreia do Sul”? A realidade dos países asiáticos parece ser muito diferente, mas já imaginou que incrível viver uma aventura no Oriente? Nesse post da Série Intercâmbios, o Emílio nos contou sobre a sua jornada por esse que é um dos países mais desenvolvidos do mundo. Vem junto!

Ciência sem fronteiras, vem!

Emílio Cantú é bem sincero para descrever sua motivação em fazer um intercâmbio.

 

Já estava no 5º semestre e andava meio de saco cheio do curso. Só estudar e estudar, sem saber direito pra que eu usaria aqueles conhecimentos todos. Então, aproveitei a oportunidade para também reavaliar o jeito que eu levava a faculdade e pensar melhor na minha carreira”.

 

Foi assim que o estudante de Engenharia de Controle e Automação da UFRGS se inscreveu no Ciência sem Fronteiras (CsF), programa do governo federal que concede bolsas de graduação e pós-graduação no exterior. O processo seletivo é organizado pela universidade e tem o objetivo de aperfeiçoar a pesquisa científica, visando complementar a formação dos estudantes brasileiros. E o melhor, com TUDO pago \o/ (infelizmente, o programa está suspenso por causa da crise). Sobre a escolha do destino, o gaúcho de 23 anos é enfático: “Eu buscava um choque cultural. Queria me inserir em uma sociedade o mais diferente possível”.

 

FOTO1Emílio (no canto direito) e colegas brasileiros de intercâmbio. Arquivo pessoal.

Vivendo como um coreano

Entre 2013 e 2014, Emílio passou dois semestres (e duas férias) em solo coreano, estudando na Seoul National University (SNU), considerada a melhor do país. Também fez estágios, como na gigante automotiva Hyundai, onde se comunicava em inglês, assim como nas aulas. Tá mas, aprendeu a falar coreano?!

 

Aprendi apenas coisas extremamente básicas, como lidar com dinheiro e pedir comida, mas não consigo manter uma conversa sem mímicas. Aliás, no fim do intercâmbio, ganhei um campeonato de mímicas”. \o/

 

O estudante – que hoje é professor no Me Salva! – morou na região metropolitana da capital Seul. “O metrô é muito barato e extensivo, então, se pode viajar mais de 100km com cerca de 4 reais. O transporte público é 100% integrado e tem até paineis LCD na parada de ônibus dizendo quanto tempo ele vai demorar”. Mas nem tudo é um sonho. “Mesmo com um transporte público de qualidade, o trânsito estava sempre congestionado (talvez pior que no Brasil). A Coreia é um país bastante consumista, e acho que um dos maiores símbolos disso é o grande número de automóveis”.

FOTO2Curtindo a vida adoidado no centro de Seul, cidade com a maior região metropolitana do mundo. Arquivo pessoal.

 

Para encontrar acomodação, foi uma saga. – 

 

“No primeiro semestre do intercâmbio, eu não consegui entrar no sorteio do alojamento da universidade, então comecei a procurar opções fora do campus por conta. O problema é que encontrar qualquer coisa acessível na internet era muito difícil, porque eu não sabia uma palavra de coreano. Pedi ajuda para o pessoal da embaixada brasileira (que na Coreia é bem pequena, então é bastante acessível aos intercambistas), e eles me ajudaram a alugar um apartamento”.

FOTO3O estudante foi voluntário durante um festival para celebrar o aniversário de Buda, que reuniu monges do país inteiro. Arquivo pessoal.

Após passar aperto em apês caros e pequenos, rolou a sonhada vaga no segundo semestre. “Finalmente consegui o dormitório da universidade. Era bem maior, com três quartos, geladeira, ar-condicionado, aquecedor, internet – extremamente rápida -, escrivaninha, sacada, sofá. Uma mansão perto dos outros lugares que fiquei!”.

FOTO4Castelo antigo no centro de Seul. Arquivo pessoal.

 

Emílio alerta que, para os padrões brasileiros, a vida por lá pode ser bem cara. – 

 

“Alugueis em apartamentos minúsculos custam facilmente 1.000 dólares. Um apê com garagem, por exemplo, custa uma fortuna. As frutas e a carne também são caríssimas. Já os frutos do mar, são mais baratos”.

FOTO5Emílio ficou faceiro com a fartura de frutos do mar na culinária coreana. Arquivo pessoal.

Aventura em duas rodas

 

“Com mais dois amigos, passei uma semana pedalando e acampando pelo país em uma ciclovia de 600km”. E foi durante essa aventura que rolou uma das gafes mais marcantes. “Depois de um dia cheio de montanhas complicadas, um senhor coreano nos perguntou como havia sido. Com nosso pouco conhecimento do idioma, dissemos que foi horrível e que nunca mais queríamos fazer isso na vida”.

 

Emílio apenas atravessou a Coreia de bike! –

 

FOTO6Cruzada de bike! Emílio (centro) e os amigos atravessaram a Coreia do Sul sobre duas rodas. Arquivo pessoal.

Aí que veio a confusão. “Acontece que ele não estava falando das montanhas, mas sim, dos pedaços de carne de primeira que ele nos deu no dia anterior (e que estavam deliciosos). Percebemos o deslize dias depois, e só aí a cara de tristeza do homem fez sentido. Imagina: basicamente, um senhor nos fez uma gentileza que lhe custou uns 100 dólares e nós esfregamos na cara dele que havia sido uma porcaria”.

FOTO7Emílio acampou pelo caminho e curtiu paisagens como essa. Arquivo pessoal.

O que ficou pra vida?

Mesmo achando que a experiência de um intercâmbio é algo muito pessoal, Emílio dá a letra: “atravessar o planeta e ver como a vida segue por lá me deu uma noção de que as coisas são maiores do que a gente enxerga, e me fez reavaliar o quanto eu me importo ou não com determinadas coisas”. E recomenda: “todos deveriam ficar independentes em um lugar estranho por um período de tempo prolongado. No primeiro dia, você vai viver lições que não aprenderá em dois anos estando em casa”.

 

– “No primeiro dia, você vai viver lições que não aprenderá em dois anos estando em casa”. – 

 

FOTO8O antigo e o novo se misturam na sociedade coreana. Arquivo pessoal.

O que Emílio mais curtiu foi poder desembarcar em um lugar sem nenhum laço e criar uma “vida nova”.

 

Ao fazer um intercâmbio, ninguém conhece o seu passado e a sua história. Você é julgado apenas pelo que demonstra, e sentir o feedback disso é muito bom para avaliar a pessoa na qual estou me tornando e me ajudar a seguir no caminho que busco”.

 

Dicas, pra que te quero!

Vai pra Coreia do Sul? Então se liga:

  • Participe de grupos no Facebook sobre intercâmbio. A troca de informações é muito válida;
  • Planeje sua viagem. É possível organizar tudo por conta própria, pesquisando na internet;
  • Cuide o paladar! A comida tem MUITA pimenta e não se parece nada com a brasileira;
  • Tenha paciência para fazer amigos coreanos; além da barreira do idioma, eles são mais retraídos e cheios de protocolos sociais;
  • Compre um smartphone coreano, são ótimos;
  • Não se preocupe: nem toda música por lá é K-pop;
  • Prepare-se: o choque cultural está ga-ran-ti-do.

Já se imaginou vivendo em um país tão diferente como a Coreia do Sul? Diz aí o que você achou! Em breve, voltaremos com mais destinos interessantes pra você decidir onde irá fazer seu intercâmbio. Bye! 😉