Um país repleto de contrastes: das praias às savanas, das questões políticas às econômicas. Um povo com uma vida bem difícil, mas com alegria no rosto. Você iria para um país assim?! Pois o estudante André Cristian Boing não pensou duas vezes e partiu para um intercâmbio incrível no Quênia!

 

Às vezes, basta um click pra gente perceber que algo pode mudar a nossa vida! A experiência de um intercâmbio não estava nos planos do estudante de Engenharia Química da USP, até que… – 

 

Morador da cidade de Lorena, em São Paulo, André recebeu em casa dois intercambistas (um equatoriano e o outro marroquino!) que vieram ao Brasil participar de projetos sociais. “Conversando com eles e outras pessoas que já tinham feito intercâmbios, percebi que era totalmente possível realizar algo do tipo. Queria algo que mudasse a minha vida”, diz.

De analista químico a professor

Com a ajudinha de um “paitrocínio” e apenas as informações da internet sobre o Quênia, André foi em busca de novos aprendizados: conhecer outra cultura, outro idioma, morar com uma família do país e participar de um projeto social.

Depois de escolher pelo intercâmbio social da AIESEC, empresa que faz a ponte entre ONGs e jovens que desejam fazer trabalho voluntário, ele recebeu as instruções da agência sobre como proceder. André só conseguiu conversar com um rapaz que já havia estado no Quênia apenas três dias antes de viajar!

Mesmo assim, não faltou coragem: “Não me restou dúvidas de que era a coisa certa a se fazer e que eu deveria fazer isso o mais breve possível”. 🙂  

6André optou pela modalidade intercâmbio social. Arquivo pessoal.

Chegando na capital, Nairóbi, André foi confrontado com uma imensa desigualdade social. Ele explica que o centro da cidade se divide em DownTown e UpTown. Na primeira, há um mercado de frutas no chão, prédios sujos e muitos moradores de rua. Já na segunda, podem ser vistos prédios de luxo e grandes shoppings.

7Vista da capital Nairóbi. Arquivo pessoal.

Durante os 90 dias que esteve no Quênia, André conciliava atividades no hospital e na escola da favela Mukuru Kwa Njenga.

 

Pela manhã, desempenhava a função de analista químico no laboratório, executando testes para descobrir doenças em amostras de urina e sangue, por exemplo. – 

 

Depois, ia para a escola dar aulas para as crianças como professor de Matemática e Ciências. Ele ainda fazia as vezes de técnico de futebol da escola! “Participamos de alguns campeonatos entre as escolas da favela e alguns dos nossos alunos foram selecionados para jogar pelo time da cidade. Foi incrível!”, conta.

12Escola na favela de Mukuru Kwa Njenga, onde André dava aulas. Arquivo pessoal.

Ser estrangeiro não é fácil

Estar em outro país não é moleza! É importante estar preparado para encarar culturas bem diferentes da nossa. Em muitos momentos, André lembra de ter passado por situações desconfortáveis. Contas cobradas a mais nos restaurantes são um exemplo:

 

Grande parte da população queniana vê o homem branco como rico, milionário. Alguns acham que é dever do estrangeiro dar dinheiro se eles pedirem”.

 

A histórica instabilidade política do país desenvolveu cenários bastante complicados. Policiais fortemente armados, na região de DownTown, também não costumavam ser muito receptivos.

“Devo ter sido parado no mínimo umas 30 vezes por policiais na rua. Eles faziam muitas perguntas, mas, na verdade, o que eles tentavam era pegar o turista desprevenido e sem passaporte, para cobrar suborno.” Por isso, é importante estar bem informado sobre as diversas questões que envolvem determinadas regiões, para não ter surpresas.

 

– Apesar de toda a tensão, não foram os fuzis que mais deixaram o brasileiro triste. 

 

Durante um dia de trabalho no hospital, uma menina com cerca de 10 anos de idade apareceu com um requerimento de exame solicitado pelo médico. “Era teste de gravidez… em um minutinho já ficou pronto e percebi que tinha dado positivo. Mandei-a voltar ao doutor e ela foi saber da notícia que estava grávida. Acho que foi o dia mais triste da minha experiência no Quênia.” Mesmo com os momentos tristes, André afirma que nunca pensou em desistir.

35André como analista químico no hospital e como treinador de futebol na escola! Arquivo pessoal.

Uma manada de selfies e de búfalos!

Apesar de presenciar cenas bem difíceis, André conta que os quenianos lembram o estilo das pessoas no Brasil, sempre muito bem-humorados e sorridentes. Na escola onde dava aulas, as selfies com os alunos eram constantes (foi uma missão quase impossível selecionar fotos para esse post!).

 

Desde o momento do voo que peguei em Londres para Nairóbi, senti o clima caloroso dos quenianos. São muito parecidos com os brasileiros. Animados, brincalhões e muito contagiantes.”

 

Nas folgas, o estudante aproveitava para conhecer as praias paradisíacas e fazer safaris (o país tem muitas belezas naturais). Em um safari que fez de bicicleta, ele e uma amiga foram surpreendidos por uma manada de búfalos cruzando a rua. “Metade atravessou e a outra parou. Ficamos parados e sem saber o que fazer. Por sorte apareceu um carro na estradinha e a manada recuou um pouco. Foi um sufoco!”

De acordo com André, o turismo é sensacional e a comida – com influência árabe – muito boa. “São belezas que poucos imaginam que existem no Quênia. Tudo isso com um preço muito acessível”, diz.

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Nos intervalos das selfies com a criançada, rolou até safari. Arquivo pessoal.

De todas as belezas, o intercambista revela que o povo queniano é a parte mais positiva. Mais do que os sorrisos dos quenianos, André colheu o próprio sorriso: 

 

Descobri o que eu amo, o que me move. Hoje meu sonho é virar professor, melhorar a qualidade da educação, dar oportunidade a pessoas que não tiveram e talvez não terão uma na vida”.

 

4André diz que o intercâmbio mudou a vida dele. 😊 Arquivo pessoal. 

Dicas, pra que te quero!

Confira as dicas que o André separou pra gente e aproveite o intercâmbio ao máximo:

  • Seja intercambista e não turista!
  • Evite ir apenas em redes de fast-food. Coma comida típica na casa de um nativo;
  • Converse com pessoas diferentes, sobre assuntos que você não possui conhecimento;
  • Se importe com os outros e respeite a cultura do país;
  • Tente aprender idiomas nativos, não foque apenas no Inglês;
  • Faça um planejamento financeiro; no caso do André, o pai ajudou a tirar os planos do papel;
  • Para o intercâmbio social da AIESEC é necessário ter entre 18 e 30 anos, Inglês ou Espanhol básico e as habilidades requeridas para o projeto de destino.

Experiência incrível a do André, não é mesmo?! Se você está pensando em realizar um intercâmbio, informe-se e não perca a chance! Até a próxima. 😉