Brrrr! Neve, muito frio e mais neve. É isso que você pensa sobre o Canadá? Pois fique sabendo que esse é um dos países mais desenvolvidos do mundo e conhecido pela receptividade aos brasileiros. O segundo maior país em extensão (rá, adivinha qual é o 1º?!) tem dois idiomas oficiais, Inglês e Francês, o que pode ser mais um atrativo pra você passar uma temporada por lá. Quer descobrir como é viver como um canadense?

Nesse episódio da Série Intercâmbios, a Vanessa divide a experiência dela com a gente. Bora?

Busca implacável

Para a Vanessa Motta, a vontade de fazer um intercâmbio bateu já no início da faculdade de Relações Internacionais. “Após assistir a uma palestra sobre o tema, logo que entrei na universidade, fiquei com aquele desejo por muito tempo. Desde então, comecei a me planejar pra fazer o intercâmbio.”

CANADÁ1Cartão-postal: Vanessa na Vieux-Montréal, região histórica e um dos pontos mais visitados de Montreal. Arquivo pessoal.

 

Eu queria ter uma experiência diferente, algo que me marcasse muito. Eu estava em uma fase onde tudo parecia sem graça e procurava algo que me motivasse, que me desse mais vontade de viver.”

 

Vanessa conta que a busca pelo destino perfeito veio após muita pesquisa. “Milhares de destinos passaram pela minha cabeça: Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Peru, França, Canadá. Comecei buscando informações de todos os lugares que me agradavam em revistas de viagens, sites e blogs. Me informei sobre a segurança, modo de viver dos nativos e me baseei muito na opinião dos brasileiros que viviam por lá.”

Em 2013, quando estava no 4º semestre, a gaúcha acabou optando por fazer um curso de Inglês com duração de 12 semanas no Canadá, durante as férias. “Escolhi Montreal pela diversidade cultural da cidade, que tem as Línguas Francesa e Inglesa como oficiais. Eu poderia aprimorar ambos os idiomas, que eu já estudava em Porto Alegre, e também conhecer a neve, algo que eu nunca tinha visto antes!”

CANADÁ2Faceira no primeiro contato com a neve. \o/ Arquivo pessoal.

Vanessa viajou por intermédio de uma agência. “Sem dúvida alguma foi a melhor opção, pois me senti muito segura e amparada em todos os momentos da viagem”, diz, contando que teve grande incentivo da mãe para viver a experiência. “Economizei durante dois anos pra poder realizar o intercâmbio, mas também tive ajuda da minha mãe com as passagens. No fim, ainda voltei com um dinheirinho.”

Frio só no termômetro

O contato inicial com a neve foi meio enrolado: “Eu não sabia nem como parar em pé nela! É muito escorregadia”. Em um primeiro contato, a porto-alegrense de 26 anos achou tudo muito diferente. “Depois de alguns dias, comecei a achar algumas coisas parecidas com Porto Alegre, como a quantidade de parques e um grande rio que cruza a cidade.”

 

Todos vivem pacificamente, respeitando as diferenças, ou melhor, vivendo as diferenças. Acho que o respeito é o grande diferencial do Canadá.”

 

Por ser um país com muitos imigrantes, o Canadá possui uma infinidade de culturas estrangeiras que se mesclam com a cultura local. “Achei isso simplesmente mágico! Sempre que eu ia em um bairro típico de outro país, como a Chinatown, encontrava indianos ou asiáticos por toda parte. E os canadenses são receptivos com todos, sempre muito educados e dispostos a ajudar. Mas são especialmente apaixonados pelos brasileiros.” <3

CANADÁ3Vanessa (esquerda) com as amigas japonesas que fez no curso de Inglês. “Mantemos contato até hoje!” Arquivo pessoal.

Vanessa ficou hospedada em uma host family e diz que curtiu bastante a opção: “A casa era de uma senhora, a Johanne, que recebia estudantes, somente meninas. Ela foi muito querida, uma verdadeira mãe! Me ajudou a comprar roupas e calçados pra neve, me levou a festas, shows e ao teatro”.

CANADÁ4Garotos jogando hóquei no bairro onde Vanessa ficou hospedada, em Montreal. Arquivo pessoal.

A bacharel em Relações Internacionais avalia o custo de vida como atrativo, com oferta de produtos essenciais a preços relativamente baixos. “Porém, como o Canadá é um país que não produz muitos alimentos devido ao clima, quase tudo era importado. Os preços eram um pouco além do que os brasileiros estão acostumados, mas nada absurdo.”

Sobre o transporte púbico, só há uma reclamação: “O ônibus que eu pegava passava sempre no mesmo horário, nunca atrasou! Mas reparei que alguns, como o Street Car de Toronto (algo como um bonde, muito utilizado pela população), não tinham acessibilidade para cadeirantes, ao menos na época. Isso poderia melhorar”.

Saia justa

Vanessa curtiu tudo no intercâmbio, mas lembra de um episódio que causou tensão, logo na chegada a Montreal: “Peguei um táxi na estação de trem até a casa onde ia ficar. O motorista só falava Francês. Inicialmente, até que nos entendemos bem mas, quando chegamos no destino, ele não quis entregar minhas malas”.

O hábito por lá é de sempre pagar gorjeta, até para o taxista. “Eu paguei, mas não sei o que houve. Ele jogou o dinheiro de volta em mim e trancou as portas do carro. Começou a falar em Francês e fiquei muito nervosa, já não entendia mais nada.”

 

Abri a janela do carro e saí por ali mesmo! Corri até o porta malas e tentei abrir, mas estava trancado.

 

Após gritar sem parar em todas as línguas que sabia, Vanessa foi socorrida. “Os moradores da rua começaram a sair de suas casas, até que a minha host apareceu, conversou com o cara e pegou minhas malas. No fim, deu tudo certo, mas eu nunca entendi o que de fato aconteceu. Vai ver ele achou pouco dinheiro!”

Viajar é preciso

Vanessa passeou muito por Montreal e procurou evitar os roteiros mais tradicionais. Conheceu museus, bibliotecas e até esquiou (ou tentou). “Também visitei Toronto, as Cataratas do Niágara, Quebec muito linda –, além de pequenas cidades próximas a Montreal.”

CANADÁ5Museu de Belas Artes de Montreal. Arquivo pessoal.

CANADÁ6“Gostei muito de Toronto, uma cidade enorme, cheia de vida.” Selfie com a CN Tower, terceira maior torre do mundo. Arquivo pessoal.

O que ela não curtiu muito foram as acomodações durante essas viagens. “Fiquei hospedada somente em hostels, pois eram a opção mais barata. Mas, pra minha surpresa, também eram os mais sujos. Tinha ratos, banheiros em que não se podia entrar. Isso realmente ficou muito a desejar.”

CANADÁ7Visita às Cataratas do Niágara, na fronteira da província canadense de Ontário com o estado norte-americano de Nova York. Arquivo pessoal.

Balanço mega positivo

Para Vanessa, a experiência foi extremamente significativa. “O grande aprendizado foi viver com pessoas totalmente diferentes, com outros modos de ver a vida.”

 

O intercâmbio me levou a refletir sobre o que realmente tem valor. Passei a valorizar mais minha família, algo que estava em crise quando fui viajar.”

 

Ela conta que o curso fez uma grande diferença, principalmente na habilidade de audição do Inglês. “Recomendo demais essa experiência. É algo inesquecível, que todos deveriam ter a possibilidade de viver. O intercâmbio nos torna pessoas diferentes, nos deixa mais humanos e também mais respeitosos perante as diferenças.

Dicas, pra que te quero!

Vai fazer intercâmbio no Canadá? Confere as dicas da Vanessa:

  • Se organize: faça um planejamento detalhado de quanto tempo pretende ficar e quais locais deseja conhecer;
  • Pesquise sobre o destino escolhido em blogs, sites e revistas de viagem. Eles geralmente têm informações preciosas;
  • Economize! É muito importante se planejar financeiramente, pois sempre pode surgir algum imprevisto ou um lugar diferente pra conhecer, então, vale a pena ter uma reserva $;
  • Não sofra com a saudade. Curta a experiência em tudo que ela pode oferecer;
  • Atravesse a rua na faixa de segurança! Em Montreal, por exemplo, existe multa para o pedestre que atravessar no local incorreto e, se você não pagar, pode ser impedido de deixar a cidade;
  • Experimente o poutine, um prato típico canadense. São batatas fritas cobertas com molho e pedaços de queijo. Uma delícia!

E aí, você faria um intercâmbio no Canadá? Conta pra gente nos comentários o que você achou do relato da Vanessa! Logo, logo, voltaremos com mais histórias e destinos pra ajudar você a viver essas experiências. Au revoir!