E aí, pensando em novas experiências? O Me Salva! vai te dar mais essa mãozinha: vamos conversar com estudantes que fizeram intercâmbio em diferentes países. Te liga que a oportunidade pode estar bem perto 😉

Foi na marra que a estudante Daniela Dhein aprendeu a pronunciar “sueño”, mas foi da melhor maneira que ela entendeu o significado. Em 2015, a gaúcha da cidade de Estrela viajou para um intercâmbio social na Bolívia, onde passou 90 dias e participou de um projeto com crianças durante oito semanas.

Viajar sempre foi o desejo da Dani. Afinal, quem não gosta, né?! Na cabeça dela, a vontade que rolava era conhecer o Canadá ou de repente Portugal. Mas quem iria imaginar Cochabamba?!

 

As pessoas normalmente pensam em ir para os Estados Unidos, aperfeiçoar a língua, e comigo foi diferente”.

 

Aos 23 anos de idade e formada em Gestão de Recursos Humanos pela Univates, de Lajeado, ela já estava fazendo uma pós-graduação quando a rotina de trabalho e estudo começou a ficar chata. Eis que, então, um papo sobre intercâmbios com um professor despertou a ideia, e lá foi ela pesquisar sobre o assunto.

ConteudoPraça central da cidade. Arquivo pessoal.

Larguei tudo e fui!”

Foi perguntando umas coisinhas aqui, outras ali, que a estudante conheceu a AIESEC, empresa que faz a ponte entre ONGs e jovens que desejam fazer trabalho voluntário. No início, o interesse da Daniela era por um projeto realizado no México, mas, como ela obteve poucas informações e o lance da segurança é superimportante, foi orientada a mudar o destino. Assim, ela acabou optando por uma oportunidade em Cochabamba, terceira maior cidade da Bolívia. “Larguei tudo aqui e fui”. E nesse caso largar tudo significou abandonar o emprego de assistente administrativa, se afastar da pós e terminar o namoro de dois anos e meio!

A vontade de novas experiências falou mais alto: “eu sempre tive as coisas muito fácil, então escolhi fazer algo diferente, algo que não tivesse retorno financeiro”. O que ela não sabia é que teria um retorno bem diferente, já que foi confrontada com uma realidade que muitas pessoas nem imaginam que existe.

 

Já em território boliviano, Daniela passou por uma semana de adaptação em uma ONG que realiza projetos com crianças em vulnerabilidade social – 

 

Campeonato de futebol para meninas e meninos. Arquivo pessoal. 

Ali, conheceu histórias de crianças muito novas que trabalhavam na manutenção de cemitérios, todos os dias, para ajudar as famílias. Os livros eram trocados pelas flores e a escola, pelas lápides. Um trabalho que rendia dez bolivianos por semana, cerca de cinco reais: “é um choque cultural bem difícil”.

Fora da zona de conforto

Já na segunda semana longe de casa, a experiência foi dolorosa. Daniela acabou sofrendo com uma infecção alimentar e, sem falar Espanhol, teve que se virar para que a médica entendesse o que ela sentia. “De cara eu já estava fora da minha zona de conforto, sem pai e mãe pra ajudar”. Você deve estar pensando ‘como essa menina viaja sem falar a língua?’. Pois então: para incentivar os intercâmbios sociais, a AIESEC pede apenas um conhecimento básico, o estudante precisa apenas entender a língua falada.

 

A comunicação com a família era tranquila; em média, as conversas por Skype rolavam uma vez por semana – 

 

Mas o episódio da infecção alimentar só foi relatado para a mãe depois que a Dani já estava recuperada: “Se eu contasse, era capaz de ela vir me buscar (hahaha)”.

Passado o susto, a rotina na cidade se tornou boa. Apesar de serviços precários como o transporte, ela conta que os custos são baratos. A passagem, por exemplo, custava cinquenta centavos de bolivianos, o que permitia conhecer bem o local, que é cheio de história e cultura. Além disso, fazer amizade foi fácil, tanto pela receptividade dos moradores como pela integração com outros intercambistas. O apartamento onde morava sozinha era, por diversas vezes, o ponto de encontro da galera (que beleza, hein?!). Rotina que dá muita saudade: “ah, foi muito legal, acho que me desenvolvi mais como pessoa”.

Atividades organizadas pela ONG. Arquivo pessoal.

Os sonhos dela e os deles

O desenvolvimento pessoal foi, sem dúvida, o maior retorno para Daniela. O trabalho feito junto à ONG proporcionou, além do convívio com as crianças, a realização de jogos e tarefas que buscavam, na medida do possível, humanizar a realidade delas. Além de formação de lideranças entre os pequenos, segundo a Dani, esse enfoque era difundido pela própria AIESEC.

 

Uma das melhores lembranças ficou por conta do relato de um menino que frequentava as atividades da ONG – 

 

“Ele contou que voltaria a estudar, porque queria ajudar a comunidade dele, em um país onde a saúde é muito ruim”. O reconhecimento e a troca de experiências fizeram com que Daniela recebesse convites de trabalho lá e com que hoje atue na AIESEC. “Eu sempre acreditei que poderia fazer a diferença, foi muito bom ir e aprender minhas fraquezas. Além de aprender que teria que mudar a minha forma de pensar”.

Depois de organizar campeonatos esportivos com as crianças, ainda sobrou um tempinho para conhecer a cidade de Oruro e a capital, Sucre. Foi a vez dela praticar esportes, como pêndulo, rapel e escaladas. O inesperado ficou por conta da neve.

 

Depois de quinze anos sem nevar em Cochabamba, Daniela foi contemplada com as montanhas branquinhas – 

 

sonho de ver os flocos foi realizado, cabe agora ao Canadá reservar novas surpresas.

montagemO desenvolvimento pessoal foi o maior retorno para Dani. Arquivo pessoal. 

Dicas, pra que te quero!

Dá uma olhada nas dicas da Daniela para aproveitar ao máximo o intercâmbio:

  • Questione se você está disposto a abrir mão das facilidades da sua casa;
  • Esteja disponível para o aprendizado de novas culturas;
  • Respeite o modo de vida das pessoas, ele poderá ser bem diferente do seu;
  • Informe-se sobre a cidade em que você pretende morar;
  • Faça um planejamento financeiro. Algumas agências pagam parte das despesas. No caso da Daniela, ela custeou toda viagem com grana própria;
  • Peça referências para amigos sobre a agência em que você está interessado;
  • No caso do intercâmbio social da AIESEC, você precisa ter entre 18 e 30 anos e Espanhol básico. Mais infos: http://aiesec.org.br/estudantes/cidadao-global/

Ansioso (a) pelo nosso próximo destino? Então fica esperto (a) nos próximos posts da Série Intercâmbios! Até mais!