As engenharias, e as Ciências Exatas como um todo, ainda são vistas como áreas masculinas, mesmo sendo quase 2018. Segundo o Censo da Educação Superior, em 2015 as mulheres representaram 60% dos estudantes que terminam alguma faculdade, mas apenas 41% dos universitários que se formaram em algum curso relacionado à ciência. Felizmente, isso está mudando. Cada vez mais mulheres entram em todo tipo de curso das Ciências Exatas e, consequentemente, em todo tipo de engenharia – até nas mais tradicionais, como a Civil.

Dados, para ajudar a entender

Na Universidade:

  • Somente 20,9% dos estudantes de Engenharia Civil eram mulheres em 2005. Em 2016, esse percentual é de 30,3%;
  • Nos últimos 5 anos, as mulheres representam apenas 27% do total de estudantes que ingressarem nos cursos de engenharia na USP, a maior universidade do Brasil;
  • Na primeira chamada do Vestibular de 2017 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), dos 110 convocados, 11 eram meninas;
  • Em 2000, as mulheres eram 22,1% dos estudantes que concluem algum curso de engenharia, em 2015 são – infelizmente, o apenas ainda cabe aqui – 29,3%.

No mercado de trabalho:

  • 23,9% do mercado de trabalho da Engenharia Civil era formado por mulheres em 2005. Em 2015, o mesmo mercado é formado por 26,9% de mulheres;
  • Em um total de mais de 1 milhão e 100 mil (1.187.150) profissionais registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), só um pouco mais de 195 mil (195.011) são mulheres. Aqui é bom ficar atento, pois o Conselho abriga duas áreas predominantemente masculinas: a Engenharia e a Agronomia.

via GIPHY

Tradução: “Eu não sou uma ‘engenheira mulher’. Eu sou uma engenheira.”

Dados específicos de alguns estados ajudam a ver o crescimento, apesar de uma clara desigualdade.

1. Paraná, segundo o Confea:

  • 8.413 engenheiras em 2011. Em 2017, 11.405.

Isso é um aumento de 35% na participação feminina. Bom, né? Mas, em comparação com a participação masculina, ainda há uma diferença muito grande: 79.035 engenheiros registrados no Paraná.

2. São Paulo, de acordo com o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, o SEESP:

  • 11% de engenheiras em 1995;
  • 15% em 2005;
  • 17% em 2008;
  • 19% em 2013.

De novo, ainda é uma categoria muito masculina na região, mas no mesmo período em que a ocupação masculina cresceu 72%, a feminina cresceu 128%.

E o que a gente pode concluir de tudo isso? 

Que inegavelmente o cenário tem melhorado, já que cada vez mais as mulheres buscam seu espaço e fazem de tudo para encontrá-lo. No Ensino Superior, isso já é mais claro. O número de universitárias na área das Exatas não para de crescer. O grande problema, no momento, é que o mercado de trabalho costuma ter uma reação mais lenta, então, apesar desse aumento, o número de mulheres no mercado ainda não é proporcional. Assim, mesmo com o progresso em uma parte, o caminho para igualdade ainda é longo e difícil. E, se você quiser uma inspiração, temos um post especial para isso: Mulheres na Engenharia: 5 profissionais que fizeram história.