O vestibular da UFRGS de 2018 acontece no dia 07, 08, 09 e 10 de janeiro. Um desafio comum de todas as provas são as Leituras Obrigatórias e na UFRGS ele fica ainda maior, pois o número de indicações costuma ser grande – esse ano, por exemplo, serão 9 livros, uma coletânea de 17 poemas, um álbum e três sermões (que são, basicamente, discursos). Para te ajudar nessa organização, preparamos uma aula e um mapa mental para cada uma das leituras.

O Chandler não parece muito feliz com as leituras

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A máquina de fazer espanhóis

Lançado em 2010, o romance de Valter Hugo Mãe (nome artístico de Valter Hugo Lemos, escritor angolano) narra a história de António Silva, um ex-barbeiro de 84 anos. Depois de perder a mulher, ele é entregue a um asilo e lá se vê sozinho. Sem sucumbir ao pessimismo, busca novas formas de conduzir sua vida e, assim, coloca suas ações em perspectiva. Dessa forma, António começa a perceber o sentimento e comportamento do povo lusitano. Uma curiosidade do livro é que ele não tem letras maiúsculas, somente pontos e vírgulas.

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Quarto de despejo

Essa é uma autobiografia de uma mulher, negra, favelada e catadora de papel: Carolina Maria de Jesus. Seu diário deu origem ao livro, relatando a triste e cruel rotina da vida na favela de São Paulo – ao todo são 20 cadernos narrando 5 anos, entre 1955 e 1960 (ano de lançamento do livro). A linguagem simples, o conteúdo pesado e suas reflexões são comoventes, especialmente devido ao realismo e olhar sensível de uma mãe de 3 filhos com um objetivo cotidiano: buscar comida.

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Elis & Tom

Essa é a indicação mais alternativa de todas, já que é um disco. Foi lançado em 1974, relançado em 1990 e, em 2004, uma edição especial de 30 anos foi lançada. Seu nome é uma referência a Antônio Carlos Jobim (o famoso Tom Jobim) e Elis Regina, os autores do disco. Seu gênero é a Bossa Nova (inclusive, Tom é considerado um dos criadores, junto com João Gilberto e Vinícius de Morais), suas músicas são sobre coisas simples da vida, como amor, e mesclam alegria e tristeza. Os professores responsáveis pela escolha das leituras justificaram a escolha assim: “Essa obra só vai passar a circular organicamente se for incorporada, como já tem sido, à rotina da educação escolar. Só por aí é que a generalidade dos jovens vai conhecer Noel Rosa, Ary Barroso, Nelson Cavaquinho e mesmo os ainda vivos Paulinho da Viola, Caetano Veloso e Chico Buarque.”

Razões para ouvir Elis & Tom:

  • Elis & Tom foi escolhido como 11º melhor disco de música brasileira pela revista Rolling Stone;
  • Águas de Março, o maior sucesso do álbum, ficou em 2º lugar numa lista, também, da Rolling Stone;
  • Tom Jobim foi considerado, também pela revista Rolling Stone, o maior nome da MPB (Música Popular Brasileira) de todos os tempos. Elis Regina ficou no 14º lugar;

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Diário da queda

Um dos colegas de João, o único nomeado no livro, narra o episódio em que o menino se machucou numa festa de aniversário, num claro caso de bullying. Esse fato causa consequências enormes na vida de João, como uma adolescência conturbada, uma mudança de cidade e um casamento em crise. Esse momento leva um um homem não nomeado a uma reflexão profunda sobre: o seu próprio passado (um escritor e alcoólatra), o de seu pai (um comerciante judeu) e seu avô (um sobrevivente de Auschwitz). Michael Laub é o escritor desse romance contemporâneo, lançado em 2011.

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O Continente

A primeira parte da trilogia “O tempo e o vento“, de Érico Veríssimo, foi lançada em 1949 – suas continuações se chamam “O Retrato” e “O Arquipélago”. Toda obra é considerada por muitos a principal obra literária do estado do Rio Grande do Sul. O romance é uma ficção histórica, narrando parte da história do Brasil com a visão da região Sul – da ocupação do “Continente de São Pedro” até 1945 (fim do Estado Novo), através da saga das famílias Terra e Cambará. Sua leitura é uma ótima forma de estudar a história do estado gaúcho.

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Gota d’Água

Já ouviu falar no Mito de Medeia? Uma mulher cheia de amor e ódio relacionados a um falso herói, Jasão, tomando decisões extremas. Uma lenda cheia de reis e feiticeiros – uma verdadeira tragédia grega. Gota d’Água é uma Medeia brasileira. A mulher da história é Joana, o falso herói ainda é Jasão, mas nesse caso é um sambista que começa a fazer sucesso (com uma música chamada Gota d’Água) e assim a história vai se desenrolando. Essa “quase adaptação” foi lançada em 1975, por Chico Buarque e Paulo Pontes.

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Morangos Mofados

Escrito por Caio Fernando Abreu, “Morangos Mofados” foi considerado o melhor livro de 1982. Seus temas são atuais até hoje, mas eram bem apropriados à época, como a redemocratização política (período em que o Brasil estava saindo do período de Ditadura Militar), homossexualismo, drogas, desesperança, desilusão, etc. Os contos são divididos em três partes: “O Mofo“, a mais sombria, em “Os Morangos“, momento de alguma esperança, e em “Morangos Mofados“.

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A Hora da Estrela

Mais um livro com temas contemporâneos, apesar de escrito em 1977. Sua escrita é intimista, com subjetividades e temática complexa, em especial, o universo das mulheres. Macabéa, uma alagoana que se muda para o Rio de Janeiro, é o prato perfeito para a opressão: mulher, nordestina e ignorante. E assim vive. A protagonista praticamente não tem voz ativa, tanto é que nem o próprio livro ela narra. Clarice Lispector, a autora, criou Rodrigo S.M., que narra os fatos ao mesmo tempo que escreve, pois essa história não poderia ser contada por uma mulher. Assim, Rodrigo assume o papel de autor.

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Coletânea de poemas de Fernando Pessoa

Um dos principais representantes do Modernismo Português, da chamada Geração de Orpheu, Fernando Pessoa trata sobre temas existenciais como morte, alma, eu, sensação, pertencimento, etc. nessa coletânea de poemas. Três de seus heterônimos (autores criados com características próprias – existências particulares) escrevem aqui:

  • Alberto Caeiro, o mais ligado ao campo, a natureza e ao sentir: o guardador de rebanhos;
  • Ricardo Reis, médico, solitário e árcade (que vem de arcadismo, uma escola literária européia do século XVIII, que tem como principal característica a exaltação da natureza);
  • Álvaro de Campos, o engenheiro, subjetivista e futurista.

Fica aqui a lista de todos os 17 poemas da coletânea de Fernando Pessoa:

  1. Autopsicografia;
  2. Isto;
  3. Pobre velha música;
  4. Qualquer música;
  5. Natal…Na província neva;
  6. Ela canta, pobre ceifeira;
  7. Não sei se é sonho, se realidade;
  8. Não sei quantas almas tenho;
  9. Viajar! Perder países!;
  10. Liberdade;
  11. Lá fora vai um redemoinho de sol os cavalos do carrossel… (poema V de Chuva Oblíqua);
  12. O maestro sacode a batuta (poema VI de Chuva Oblíqua);
  13. Padrão (Mensagem);
  14. Noite (Mensagem);
  15. O infante ( Mensagem);
  16. Mar português ( Mensagem);
  17. Nevoeiro(Mensagem).

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O Cortiço

Um clássico do romance naturalista brasileiro escrito por Aluísio de Azevedo em 1890. Traz uma forte crítica social às condições de vida dos moradores de habitações coletivas – como cortiços (que nada mais são do que casas nas quais os cômodos são alugados, servindo cada um deles como habitação para uma família). A obra também e baseada em teorias científicas como o Determinismo, que afirma que o sujeito é produto de sua raça, meio social e momento histórico.

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Dom Casmurro

Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos e “Dom Casmurro” é uma de suas principais obras – outro clássico, mas dessa vez do realismo. É uma crítica à sociedade da época (o livro foi lançado em 1899), chamada de “sociedade de aparências“. Bento Santiago (que também é chamado de Dom Casmurro) é o narrador em 1ª pessoa e marido de um dos maiores símbolos de mistério, paixão e traição de toda literatura brasileira: Capitu.

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Sermões selecionados de Pe. Antônio Vieira

Um sermão é um discurso oral, religioso e com a intenção de convencer, utilizando, até mesmo, de técnicas da retórica. Os três sermões de Padre Antônio Vieira selecionados pela UFRGS foram:

  • Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda, discursado em Salvador, em 1640, sobre a iminente invasão holandesa;
  • Sermão da Sexagésima, de 1655, em Lisboa, questionando a pouca conversão de fiéis e culpando pregadores;
  • Sermão de Santo António aos Peixes, de 1654, em São Luís do Maranhão, criticando a prepotência da população e visando impedir a corrupção.

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