Passar em Medicina em qualquer federal já é difícil, né? E passar em Medicina estudando só um ano? E ter feito tudo isso no ano seguinte que você saiu de um curso de Biotecnologia na UFRGS, com só dois semestres para a formatura?

O Mateus Guilherme da Costa dos Santos, estudante do Me Salva! fez tudo isso – e um pouco mais, porque ele conseguiu entrar na UFRGS, UFSC, UFGD, PUCRS e na USP, pelo SISU. SIM, ele entrou na USP, em Medicina, depois de UM ANO de estudo.

Parece alguém interessante para se conversar e pegar algumas dicas, não? Foi exatamente isso que fizemos – o Mateus vai nos contar como foi o ano dele e como ele fez para passar em Medicina em todas essas universidades.

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O início

– As pessoas tentam se obrigar a estudar, eu tentei encarar de uma forma meio diferente. Pensei: ‘essa é minha profissão no momento, sou estudante e vou tentar tornar esse momento o mais prazeroso possível’ 

O Mateus nos contou que no início não tinha muita estrutura, que estudava “no cantinho da sala numa mesinha”. Que só com o passar do tempo foi ganhar do pai uma cadeira mais confortável, uma mesa mais legal e uma lousa. Só que para ele o mais importante foi criar uma rotina e fazer de tudo para seguir o planejado.

Todos os dias eu acordava num horário pré-determinado, fazia meu cafezinho e estudava todas as horas que tinha planejado anteriormente

Ele tinha um Plano de Estudos Personalizado, mas flexibilizava o plano dentro de suas necessidades, atividades e preocupações do momento. O mais importante, segundo o Mateus, é criar o hábito dos estudos.

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A rotina

Cada um tem o seu tempo e o seu momento. Não é porque o fulano passou só com 6 meses ou um ano de estudo que você precisa fazer isso também –

A ordem das atividades, sempre que possível, era: assistir a aula, fazer resumos e, depois, MUITOS exercícios (chegava a fazer uns 100 durante uma semana). E, na hora de revisar o conteúdo, o estudo era feito com resumos.

 Eu não fui um robô. Eu estudava de segunda a sexta – até a meia noite se precisasse. Mas sábado e domingo era Netflix, comer, dormir ou qualquer outra coisa

Durante a semana a rotina era bem puxada mesmo, tanto é que as saídas nos dias úteis foram exceção durante o ano todo. Mas uma regra do Mateus era não ultrapassar os próprios limites – ele podia chegar perto, mas não passava.

No meio do ano eu fiz uma pausa de um mês. Eu tava maluco, não tava aguentando mais e achei que ia enlouquecer. Fiz essa pausa para poder voltar com disposição

A rotina, essa força do hábito, é muito importante. Ela é a melhor forma de facilitar o seu dia-a-dia – o grande desafio é o início. 

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A motivação

Duas das palavras que o Mateus mais falou durante nosso papo foram sonho e perseverança. Ele fez vestibular em 2013 para Medicina, não se esforçou muito, não passou e desistiu. Foi assim que entrou primeiro na Biotecnologia e essa experiência foi a que fez ele dar uma enorme importância a ideia de perseverança. Com isso, Mateus aceitou que passar em Medicina era algo desafiador, mas decidiu que não iria desistir.

Quando a gente desiste de algo que queremos, de um sonho, aquilo vai ficar na cabeça o tempo inteiro. Eu assistia TV, eu ia dormir e esse pensamento de mudar de curso estava sempre comigo

Outra coisa importante é aceitar as suas dificuldades. Não precisa ser o geniozinho da classe para conseguir passar em Medicina – e o Mateus, segundo o próprio, é a prova disso.

Sempre tive facilidade em algumas matérias, como Química, Inglês, Literatura, História – sempre me considerei alguém de humanas. Matemática e Física, principalmente, foram um terror para mim no Ensino Médio. Só aprendi a gostar nesse ano de estudo

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As provas do ENEM

O Mateus deu duas dicas para as provas:

Lute contra o nervosismo, se prepare para não ficar MUITO nervoso, mas aceite. Eu me preparei muito, mas mesmo assim, quando vi a dificuldade da prova, fiquei bem nervoso 

Mesmo indo incrivelmente bem, ele ainda ficou nervoso e ainda achou a prova super difícil. E o que a gente conclui disso? Que é normal, que todo mundo sente e, o melhor que podemos fazer, é se preparar para que a tensão seja menor.

E qual foi a segunda dica?

Sem conclusões precipitadas. Comecei a fazer a prova e pensei ‘meu deus, estudei o ano todo para nada’. A parte de Ciências da Natureza quase me desestruturou, fiquei me sentindo mal, mesmo sem motivos 

E, no final das contas, a gente viu como ele foi no ENEM, né? Passou na USP, a universidade mais concorrida do Brasil.

Mateus e sua lindíssima faixa de bixo – Arquivo Pessoal