É aquele ditado: o dia é deles, mas quem ganha o presente são vocês! 😛 –

 

Para comemorar o Dia do Professor, a gente conversou com os nossos mestres e mestras (parceiros, lindos, queridos e inteligentíssimos) para saber o que os inspira, alegra, relaxa e, claro, descobrir como eles se tornaram professores!

Vem conhecer a Camila Alexandrini, 31 anos, nossa professora de Português e Redação, e o Tiago Martins, 31 anos, mestre de Literatura. Confere aí:

Fãs de Português e Literatura – e de Pink Floyd!

Formados em Letras, a Camila e o Tiago entraram na graduação por motivos diferentes. Enquanto ela pensava na carreira de educadora desde o início, ele pensava em ser tradutor. Mas aí, um dia, lá pelo quarto semestre, o Tiago viu um cartaz de um Pré-Vestibular Popular que estava selecionando professores de literatura e redação e pá, já era!

 

Comecei a dar aulas e, depois da primeira semana, já tinha entendido que era um caminho meio sem volta”, ele conta.

 

Mas, se a trajetória dos dois até chegar no Me Salva! foi diferente, a trilha sonora que eles ouviam já era a mesma. A gente perguntou qual música eles seriam e descobrimos dois grandes fãs de Pink Floyd! O Tiago disse que seria High Hopes e a Camila foi logo escolhendo um álbum inteiro: Dark Side Of The Moon.

 

Queria ser lindamente emocionante como esse álbum. Ouçam, se ainda não ouviram!”

 

Relax, baby!

Rotina de professor é mó canseira, a gente sabe. Então, perguntamos o que esses dois mestres fazem pra relaxar.

A Camila tem um método bem simples, ficar sozinha. “Circulo por espaços sempre cheios de pessoas, em que é necessário sempre manter contato, diálogo, troca. Talvez por isso é que eu precise de tempo para estar sozinha e seja isso que me deixa mais tranquila”, conta.

camilaEssa é a Camila, nossa musa da redação! 🙂 Arquivo pessoal.

Já para o Tiago, falou em relaxar, falou em coisa séria. “Acho que a tranquilidade é um estado que tem que ser estimulado. Pra mim, meditar e treinar artes marciais mais meditativas tem ajudado.”

Uma janta com Mandela e Nina Simone

Quem nunca quis ter um papo reto com aquelas pessoas icônicas, tipo Einstein ou Shakespeare? Perguntamos para nossos professores com que figura da história eles teriam um jantar.

A Energia para mudar os espaços onde vivia, lutar contra a segregação racial, contra a ignorância social que gera desigualdade faz o Tiago querer um tetê à tetê com o Nobel da Paz Nelson Mandela.

tiagoProfessor Tiago, o craque da literatura do Me Salva! Arquivo pessoal.

 

Acho que eu ia ficar muito tímido nessa janta, e não ia conseguir perguntar nada decente.”

 

A Camila jantaria com a cantora e compositora Nina Simone. “Alguém que não tenha medo, é uma companhia assim que ando precisando”. Mas ela também curtiria passar um tempo com as escritoras Clarice Lispector e Hilda Hilst. “Moveram a minha vida e ainda provocam abalos sísmicos em mim.”

Só de ida!

Aquela passagem só de ida e para ir hoje. Para onde seria a sua?

A Camila iria para Nova Iorque. “Parece clichê, mas tenho fascínio por grandes metrópoles. Queria ir a um lugar em que eu pudesse renascer. Lá ninguém me conhece e eu teria essa oportunidade!”

 

Gosto muito da imagem que construí de Nova Iorque, por meio do cinema, das músicas, da comida enlatada.”

 

O vôo sem data pra voltar do Tiago seria para Madri. Viajar sozinho, aliás, mudou a forma dele de agir e ver as coisas. “Estar com pouca grana, mochilão nas costas e descobrir que a gente precisa de bem menos do que imagina (e do que nos fazem acreditar) pra viver foi uma experiência bem transformadora.”

Aprendizados: na vida e com os estudantes

Qual é o seu maior aprendizado? 

O da Camila está na rotina mesmo, às vezes contínua e cansativa. Essa vida diária, com tanta gente diferente, ensina muito a ela.

 

Não é papo. Eu aprendo diariamente, quero sempre aprender. Por isso, fico atenta a tudo e a todos.”

 

Já o Tiago vê a vida de professor como um grande ensinamento. “Aprendo com meus alunos. Aprendo a compreender mais o outro, a diversidade do outro; aprendo que a nossa mania de tentar colocar as pessoas em caixinhas, em rótulos, reduz muito a possibilidade e a originalidade do outro tentando enquadrá-lo em padrões.”

 

Na real, é uma profissão que te ‘obriga’ a estar sempre aprendendo e se transformando.”

 

Confere mais curiosidades sobre eles:

Qual o filme que você mais curte e por quê?

Camila: Betty Blue, um filme francês, da década de 80. Betty é intensa, é verdadeira, é indescritivelmente viva! A relação dela com a vida me faz lembrar do quão é necessário resistir ao marasmo dos lugares comuns, das experiências mornas, da vida que só passa, sem nada sentir.

Tiago: Não sei se é o que mais curto, mas O Palhaço, do Selton Mello, eu vejo e revejo e nunca enjoo. As coisas mais importantes do filme são as que não são ditas. Os personagens falam coisas cotidianas, mas o que importa mesmo tá nos silêncios. É um filme sobre pessoas simples com desejos simples. E eu gosto da simplicidade e gosto do silêncio. E também é um filme sobre vocação, palavrinha não muito falada hoje em dia, quando o status parece importar mais que um desejo mais verdadeiro.

 

O que você curte ouvir?

Camila: Eu curto ouvir tudo, tudo mesmo! Algumas coisas ouço com mais frequência que outras, mas é porque meu estado de espírito anda meio parecido nos últimos dias também. Agora estou ouvindo U2, a música Kite. Uma música linda que diz assim em algum momento: “[…] you need some protection […]”! Sim, todos nós precisamos!

Tiago: Gosto muito de música. As fases mais constantes são Nick Cave and the Bad Seeds, Neil Young, Radiohead e a carreira solo do John Frusciante. Admiro muito a Maria Bethânia e gosto muito do Criolo e do Rodrigo Amarante.

 

Qual a primeira coisa que você faz quando acorda de manhã?

Camila: A primeira coisa? Voltar a dormir um pouco mais, nem que sejam cinco minutos. Não dá para acordar e, logo em seguida, fazer o que quer que seja!

Tiago: Gosto de lentidão. Fazer tudo devagar. Tomar café com leite olhando o céu, ouvindo os pássaros, olhando as árvores.

 

O que você acha mais legal de ser professor?

Camila: A autonomia que tenho e que busco possibilitar aos meus alunos. Ser autônomo é fundamental nesse mundo em que vivemos. E só essa autonomia nos concede um pouco de liberdade.

Tiago: O fato de que preciso organizar meu pensamento caótico pra dar uma aula. Quer dizer, preciso dar uma forma mais ou menos ordenada às coisas que leio, estudo, penso e sinto pra expôr isso de uma forma que faça sentido. E, preciso dar, eu mesmo, sentido às coisas que vou falar numa aula, porque eu não consigo expôr nenhum conteúdo ou reflexão se não acredito/entendo o que estou dizendo. Isso é muito legal!

 E aí, curtiu conhecer melhor nossos professores? Logo, logo tem outros posts com mais curiosidades! Até a próxima. 😉