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Reabilitar, ajudar, integrar. Os verbos que definem a Terapia Ocupacional são carregados de envolvimento, tanto social quanto emocional. Já pensou em trabalhar na recuperação de crianças, adultos ou idosos?

Nesse post da Série profissões – nossa saga da escolha profissional –, vamos conhecer a trajetória do Heitor e da Paula pra descobrir um pouco mais sobre esse curso da área da Saúde. Bora lá!

Motivação pessoal

Heitor Vaselechen escolheu estudar Terapia Ocupacional (TO) por um motivo muito pessoal. “Perdi meu primo Lucas quando ele tinha 8 anos de idade. Desde bebê, ele foi diagnosticado com Displasia Ectodérmica, doença pouco conhecida e estudada.”

 

Por ter acompanhado esses oito anos de puro aprendizado e amor, ficou na minha cabeça a vontade de ajudar as pessoas.”

 

O paranaense de Curitiba conta que, quando pesquisou sobre o curso, viu que a Terapia Ocupacional era o que procurava: “Deixei de lado os planos de entrar para a área administrativa e tomei o rumo da Saúde”.

Cursando o 7º semestre na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o estudante de 28 anos explica que o curso é composto por uma grade básica, semelhante a todos da área da Saúde: tem (muita) Bioquímica, Fisiologia Humana, Anatomia e Patologia.

 

As disciplinas mais complexas são Cinesiologia, Ortopedia, Neurologia, Oncologia, Pediatria, Geriatria, Psicologia e Psiquiatria.”

 

Heitor curte o fato da TO ampliar o leque de estudos para outras áreas: “Temos aula de Psicomotricidade, Saúde do Trabalhador, Saúde Mental, Sociologia, Atividades da Vida Diária e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AVDs e AIVDs), exclusivas da Terapia Ocupacional”.

1Heitor (no fundo, de touca) com os colegas da disciplina de Saúde do Trabalhador. Arquivo pessoal.

 

É preciso fazer alguma especialização e se manter atualizado, acompanhando cursos e congressos, para não se tornar um profissional ultrapassado.”

 

Heitor acredita que o mercado de trabalho é vasto: “Podemos trabalhar com Neonatal, usuários de drogas e com problemas psicossociais, casa de repouso para idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social. Já fiz estágio em reabilitação física, no qual ajudei o paciente a assinar o nome, dirigir seu carro, iniciar uma faculdade e até jogar tênis de mesa”.

 

Não tratamos a doença, mas a pessoa.”

 

O curitibano alerta para o envolvimento com o paciente e sua família. “O preparo emocional é moldado, costumo dizer. Devemos respeitar a história de vida de cada um, sua religião, crença, gênero e meio social sem impor o que temos como certo. Nos casos mais graves, temos que nos mostrar fortes e não nos deixar abalar.”

E se ele está feliz com a escolha profissional? “Me sinto MUITO satisfeito. Eu realmente amo o que faço. Somos profissionais sem medo de ajudar o próximo. O curso é lindo! Poder ajudar a vida de outras pessoas é fantástico, pois você vai desenvolver um olhar mais humano e crítico em relação às desigualdades”.

 

Digo para todos quando me perguntam sobre a TO: o mundo está em nossas mãos, pois somos os responsáveis por dar mais vida aos dias e não mais dias à vida.”

 

Projeto de ouro

Heitor tem um projeto digno da nossa Série dos mestres. O Antes do Ouro nasceu do seu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC). “Eu via que tudo que é publicado no meio acadêmico se restringe aos profissionais da área e não para quem mais precisa. A ideia é mostrar, em um documentário, a Terapia Ocupacional no dia a dia de um atleta paralímpico.”

 

Quero provar para o Comitê Paralímpico a importância da Terapia Ocupacional para o esporte!”

 

2Clique do atleta de salto Flavio Reitz no CT Paralímpico, no Rio de Janeiro, em agosto de 2016. Foto: Heitor Vaselechen.

O projeto já existe desde 2013, mas saiu do papel em abril deste ano. Heitor passou a organizar uma série de eventos para arrecadar fundos: “Reuni paratletas para promover uma dinâmica com pessoas sem deficiência (para viver essa realidade) e com deficientes físicos que tinham a curiosidade de conhecer essa realidade. Nesse dia, tivemos esgrima, basquete, bocha e futebol 5”.

 

Quero trabalhar com os atletas paralímpicos.”

 

E foi nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro 2016 que ele ‘se jogou’: “Fui pro Rio na cara e na coragem. Comprei ingressos para o máximo de partidas que pude e, para poder filmar – com equipamento emprestado – ia me infiltrando. Eu ficava o dia todo nos locais de competição esperando uma oportunidade. Chamava os técnicos, falava do projeto e eles me ajudavam. Fui fazendo contatos ali mesmo para chegar perto dos paratletas.”

3Heitor conseguiu ficar na casa de um amigo para poder assistir às Paralimpíadas Rio 2016. Arquivo pessoal.

 

Foi uma das maiores emoções que passei. Acordava e dormia chorando, tamanha era minha felicidade por presenciar aquele evento.”

 

4Heitor com os paratletas da esgrima Sandro Colaço (à esquerda) e Rodrigo Massarutt (com sua esposa, Karina Fernandes, no centro). Arquivo pessoal.

Após os contatos que fez nas Paralimpíadas, Heitor está acompanhando alguns atletas da seleção paralímpica e segue em busca de patrocínio. “Este trabalho é pioneiro aqui no Brasil, pois não existem terapeutas ocupacionais que usam o esporte como meio de reabilitação. Provei que devemos ser guiados pelos nossos sonhos. Só arriscando para ver.”

 

Este projeto vai ajudar pessoas com deficiência por meio do esporte e da cultura, além de possibilitar mais uma área de atuação na Terapia Ocupacional.”

 

Humanas, mas na Saúde

Quando estava no Ensino Médio, lá em Veranópolis, interior do Rio Grande do Sul, Paula Marin sabia que queria trabalhar com pessoas, mas não necessariamente na Saúde. “Lembro que fiquei interessada pela Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Serviço Social. No segundo ano, soube que uma conhecida começou a cursar Terapia Ocupacional.”

 

Pesquisei sobre TO e fiquei fascinada!”

 

Paula conta que fez testes vocacionais e conversou com uma psicóloga, mas sempre chegava a conclusões parecidas. “Meu pai sempre se preocupou com o futuro e minha mãe sempre defendeu que a gente deveria trabalhar com o que gosta.”

Após concluir a escola, a gaúcha de 30 anos fez estágio em uma escola municipal, onde teve contato com crianças com dificuldades de aprendizagem. “Pensei até em cursar Psicopegadogia e procurei me informar com pessoas que estavam cursando e atuando em Terapia Ocupacional. Me encantei mais e mais e tomei a decisão.”

 

Já me questionei se seguiria outro rumo, mas não me vejo fazendo outra coisa, pelo menos por enquanto.”

 

Formada pelo Centro Universitário Metodista – IPA, Paula já trabalhou em duas APAEs, na reabilitação de crianças e adultos com múltiplas deficiências. “Foi um período muito importante, de aquisição de experiência. Hoje, atuo na área de promoção à saúde, na Unimed, e tenho mais contato com o público idoso. É um trabalho bem diferente, pois nossa formação é assistencial e não corporativa.”

5Paula em uma atividade com um grupo de idosos no atual emprego, sobre prevenção de patologias. Arquivo pessoal.

Para Paula, a Terapia Ocupacional ainda tem pouca visibilidade. “Eu me pergunto se somos nós, profissionais, que falhamos neste quesito. Ainda me surpreendo quando as pessoas não sabem do que se trata a TO. E fico pasma quando, depois de explicar, me perguntam que curso eu fiz para tal qualificação, como se a TO fosse uma extensão de outra coisa. Isso me deixa triste.”

Onde vou trabalhar?

Se você escolher o curso de Terapia Ocupacional, vai poder trabalhar com:

Educação – Acompanhar o desenvolvimento de crianças com problemas psicomotores e promover sua inclusão nas escolas de ensino regular;

Gerontologia – Na reabilitação e na reintegração social de idosos;

Psiquiatria e saúde mental – Ajudar na inclusão social e ocupacional de portadores de distúrbios psíquicos;

Reabilitação funcional e profissional – Na recuperação de vítimas de acidentes e de portadores de deficiência física;

Reintegração social – Ressocialização de dependentes químicos ou pessoas em vulnerabilidade social;

Docência e pesquisa – Lecionar e orientar projetos;

Concursos públicos – Atuar em instituições públicas em esfera local, regional ou federal.

Dicas, pra que te quero!

Se liga nas dicas do Heitor e da Paula se você se interessou pela Terapia Ocupacional:

  • Gostar de ler;
  • Ter contato com o dia a dia da profissão: visitar universidades e instituições que oferecem o serviço de TO e conversar com profissionais e estudantes;
  • Ter/desenvolver resiliência, criatividade, empatia, persistência e flexibilidade;
  • Ser livre de preconceitos;
  • Gostar de matérias como Biologia, Química e um pouco de Física;
  • Gostar de trabalhar em áreas carentes e em hospitais;
  • Desenvolver o conhecimento por meio de pesquisas diárias.

Curtiu a realidade de quem escolhe a Terapia Ocupacional? Conta aí pra gente! E confere outros caminhos profissionais na Série profissões! Até a próxima 😎