Se você acha que um Meteorologista só faz a previsão do tempo, está enganado: além de estudar os processos físicos e o comportamento da atmosfera do planeta, se você seguir essa profissão, vai aprender sobre desastres naturais de origem atmosférica (e como reduzi-los) e sobre planejamento ambiental e socioeconômico.

 

Apesar da sua importância, existem apenas 11 universidades no Brasil que oferecem essa graduação (saiba mais aqui). – 

 

Nesse post da Série Profissões, conversamos com a Natália e o William pra te contar um pouco mais sobre esse importante curso que ainda é pouco conhecido no Brasil. 🌦🌞⚡

Natalia Parisotto Sinhori tem 28 anos e se formou em Meteorologia pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas), no Rio Grande do Sul. Depois da graduação, fez mestrado na UFAL (Universidade Federal de Alagoas), em Maceió, e atualmente trabalha como bolsista de projeto no CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em Cachoeira Paulista/SP.

William Ferreira Coelho tem 26 anos e estuda na UFPel, onde é bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET).

1Esse é o William (primeiro à esquerda), com dois colegas que já se formaram. Arquivo pessoal.

Uma mistura de natureza com Exatas

Natalia conta que sempre gostou muito da natureza e sabia que sua escolha no vestibular teria que ser algo relacionado a isso. Ela optou pela Meteorologia porque viu que poderia estudar muita coisa da natureza no curso.

 

Tem a interação oceano-atmosfera, biosfera-atmosfera, biometeorologia (estudo da relação entre a Meteorologia e os seres vivos em geral), Agrometeorologia, poluição atmosférica, climatologia, previsão do tempo, etc. É um curso muito amplo que possibilita ao estudante entender a importância da atmosfera e as relações da atmosfera com o meio.”

 

William conta que, quando ingressou na faculdade via Enem, não tinha nota suficiente para entrar no curso que queria (ele estava na dúvida entre algumas engenharias). No entanto, tinha nota para entrar em Meteorologia e decidiu pelo curso porque as disciplinas poderiam ser reaproveitadas em caso de troca para alguma engenharia no futuro – como Cálculo e Física.

“A partir do primeiro semestre passei a gostar do curso, pois no começo basicamente se estuda Cálculo, Física e ALGA (Álgebra Linear e Geometria Analítica). Como eu tenho gosto pelas Exatas, me identifiquei com o curso, e decidi ficar mais algum tempo. Logo ingressei no PET e dali para frente, nem pensei em trocar de curso, fui cada vez mais me identificando e tomando gosto pela Meteorologia.

Natalia conta que o curso é exigente e que é preciso se dedicar e ter paciência:

“Quem não estuda não se forma. O curso possui uma grade curricular com Cálculos, Físicas, Programação, Álgebra, Estatística, Mecânica, fora as matérias específicas. Mas, apesar de ser difícil, é possível e muito interessante”.

Para William, essa graduação não é fácil, especialmente se o estudante não tiver afinidade com disciplinas exatas como Cálculo, Física e Programação. Ele explica um pouco sobre a grade curricular na UFPel:

 

As cadeiras específicas de Meteorologia, no começo, são bastante introdutórias, pois coincidem com as disciplinas de Cálculo (I, II, III, Equações Diferenciais, Numérico, ALGA) e Física (I, II, II, IV, Mecânica Geral, Hidrodinâmica Avançada). A partir do 5° semestre as disciplinas voltadas à Meteorologia são mais aprofundadas”.

 

O curso tem duração de 8 semestres, com uma média de 6 disciplinas por período letivo, além das cadeiras optativas. Ele afirma que um dos diferenciais é que as turmas são pequenas, o que facilita o contato com os professores para tirar dúvidas e trocar ideias.  

Natalia conta que, durante a sua graduação, a grade curricular estava desatualizada e ela sentiu falta de matérias mais atuais. No entanto, ela garante que a grade foi atualizada e que ela inclusive tem vontade de poder voltar e refazer algumas disciplinas.

 

Fora isso, gostei de toda a experiência, aprendi muito com meus colegas e professores, apesar do sofrimento com a dificuldade em algumas matérias, cresci muito durante a graduação e principalmente durante o mestrado.”

 

William conta que o que ele mais gostou foi o contato direto com os professores, a disponibilidade de computadores e salas para estudar a hora que fosse preciso e, acima de tudo, a qualidade do ensino.

“Outro ponto interessante é que lá todos os alunos se conhecem, pois a cada semestre tem um número pequeno de novos estudantes, então a interação é praticamente instantânea. Um lado negativo, acho que a própria dificuldade do curso, que acaba tomando muito tempo e em certos momentos restringindo sua vida aos estudos.”

2William (primeiro à esquerda, fileira de baixo)com os colegas do PET Meteorologia. Arquivo pessoal.

E a vida pós-faculdade?

Natalia sabia que o curso de Meteorologia no Brasil tem um perfil mais acadêmico, e que depois de formada, teria que fazer mestrado e doutorado. Depois de terminar seu mestrado na UFAL, ela buscou experiência no mercado de trabalho:

“Consegui uma bolsa de pesquisa no CPTEC/INPE para trabalhar com algo totalmente diferente e que ainda não havia estudado. Ainda pretendo fazer doutorado. Mas minhas expectativas estão sendo superadas, a cada nova experiência eu me encanto mais com a Meteorologia”.

As expectativas de William também estão se realizando:

Acabei as disciplinas da graduação em dezembro e já fui aprovado em 3 seleções de Mestrado, uma em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, uma no INPE, em Cachoeira Paulista, e aqui na UFPel, aguardo ainda os resultados da USP. Sempre pensei em fazer pós-graduação e isso me deixa bem contente de saber que ainda não me formei mas já estou com os próximos 2 anos garantidos. Além dos meus colegas que também estão sendo aprovados em várias seleções pelo Brasil afora, provando que o curso daqui de Pelotas realmente é bom”.

Mercado de trabalho

 

– Natalia dá a dica para quem quer se dar bem no mercado de trabalho: mestrado e doutorado são fundamentais, já que a área é bastante acadêmica e contam bastante no currículo. –

 

Além disso, existem bolsas de pesquisas para trabalhar em projetos, normalmente em institutos e centros de pesquisas, além de concursos públicos para trabalhar em instituições federais.

Ela garante que o mercado privado está crescendo, com empresas de Meteorologia e também empresas de diversos setores como Energia e Engenharia Civil.

1Essa é a Natalia, que levou seu gosto pela natureza para a profissão. Arquivo pessoal. 

William também dá ênfase para a importância da pós-graduação e nas boas expectativas para o mercado no futuro:

“Conheço alguns alunos que foram direto trabalhar em empresas privadas, com bons salários, o que é difícil em outras áreas pela falta de experiência. Um ponto importante é que dificilmente algum meteorologista fica desempregado, ou está trabalhando ou está fazendo pós-graduação, e isso que o Brasil é um dos países que menos valoriza estes profissionais. Em resumo, acho que o curso possui um bom mercado e provavelmente tende a melhorar para o futuro”.

 

Natalia recomenda o curso, mas faz um alerta: “Quem pensa que Meteorologia é parecido com Geografia, engana-se. Meteorologia é Física aplicada na atmosfera, tem muito Cálculo e Física para estudar, programação em diversas linguagens computacionais”. –

 

Para ela, a área é muito interessante por ser interdisciplinar, mas requer muito estudo e dedicação, pois as oportunidades de emprego (e estudo) podem ser longe da família e amigos.

William recomenda a graduação e dá a dica:

 

Lembre-se que Meteorologia é um curso de Exatas, então espere isto dele, muito Cálculo e Física. E pra você que gosta de programação computacional, a Meteorologia é um prato cheio”.

 

Dicas, pra que te quero!

Saca só as dicas do William e da Natalia para os aspirantes à Meteorologista.

  • Meteorologia é um curso de Exatas: você vai ter que estudar muito Cálculo e Física;
  • Para quem curte programação computacional, a Meteorologia é um prato cheio;
  • Fazer pós-graduação é muito importante; esteja preparado para mais alguns anos de estudo depois da formatura;
  • São apenas 11 universidades que oferecem o curso no país, talvez você tenha que se mudar para poder estudar;
  • As oportunidades de trabalho e de pesquisa podem ficar longe de casa e dos amigos, já que não existem tantas opções de trabalho espalhadas pelo país;
  • As diferentes áreas de atuação são outro atrativo: você pode estudar Climatologia, Interação Oceano-Atmosfera, estudos de tempestades severas, Meteorologia Sinótica, Biometeorologia (interação entre a saúde e as variações do Clima), Poluição atmosférica, Agrometeorologia, etc.

Esperamos que você tenha curtido conhecer mais sobre o curso de Meteorologia pelos olhos da Natalia e do William! Quer conhecer mais sobre outro curso? Dá uma olhada na Série Profissões! Até a próxima 😉