Você curte cultura? Tem curiosidade por entender e analisar o processo de criação de grandes pinturas, esculturas e até da arquitetura? É isso que você vai aprender na faculdade de História da Arte! 🗿📜

Mesmo ainda pouco difundida no Brasil, essa profissão tem uma carga de conhecimento incrível. É o que vamos descobrir com o Natiel e o professor Eduardo nesse post da Série profissões, nossa saga da escolha profissional. Vem!

Conhecimento: quero!

Natiel Silveira Nunes conta que História era sua disciplina preferida na escola. “Quando criança, sempre lia muito sobre mitologia grega, que realmente me fascinava. A arte me instigou quando eu ainda era muito jovem, principalmente o Abstracionismo.”

O gaúcho de 23 anos diz que sua intenção inicial era prestar vestibular para Música, mas ele não tinha as qualificações necessárias. Pensou então em Artes Visuais, mas também não possuía habilidades pra ser aprovado na prova específica. “Foi aí que me deparei com o curso de História da Arte.”

natielCurioso pela arte: selfie na sala de gravura do Instituto de Artes da UFRGS. Arquivo pessoal.

 

Pensei que seria muito legal poder andar pela rua e conseguir ver na arquitetura as influências estilísticas, saber que determinado prédio tem ornamentação Neoclássica ou Art Nouveau.” 🏛

 

Natiel acreditava que iria aprender sobre todos os tipos de arte (cinema, música, teatro, escultura) e isso pesou bastante na escolha. “Porém, o curso da UFRGS é, na verdade, focado em História da Pintura. Isso foi um pouco frustrante, mas ainda considero ter feito a escolha mais apropriada.”

O estudante do 7º semestre de História da Arte na UFRGS explica que a rotina do curso envolve muita leitura. “Temos muitos textos filosóficos. A maioria com uma linguagem bem rebuscada, que às vezes compromete a compreensão. Mas também fazemos visitas à exposições e recebemos convidados – artistas/pesquisadores – nas aulas.”

1Visita com a turma à Fundação Vera Chaves Barcellos – espaço de exposição e pesquisa sobre arte na cidade de Viamão -, em 2014. Arquivo pessoal.

 

As disciplinas práticas são as melhores, pois é quando realmente exercitamos os ensinamentos. Entrevistar alguém ou pesquisar em um acervo de documentos: isso é ser historiador, ser pesquisador.”

 

Uma disciplina que Natiel curtiu bastante foi História da Fotografia. “Como nosso curso é basicamente de história da pintura, essa cadeira abre outras possibilidades. A Fotografia é uma das formas de expressão mais relevantes e instigantes. Acho que deveríamos ter mais matérias com esse perfil no currículo.”

 

A estrutura das imagens se torna diferente. Você verá o mundo de outra forma, um mundo muito belo.”

 

Para Natiel, o mercado de trabalho para os profissionais da História da Arte ainda não é muito valorizado no Brasil. “Não existe um mercado de trabalho para um recém formado em História da Arte. Isso é triste, mas verdadeiro. Esse curso é totalmente voltado para uma carreira acadêmica. Para ser um historiador da arte, é preciso fazer mestrado e doutorado.”

Você pode, ainda, ser curador de exposições em galerias/museus, ou prestar algum tipo de consultoria, ramo que levanta outra questão: “Quem vai contratar um consultor/curador apenas com bacharelado? Eles chamam professores, doutores, legitimados pelo sistema. Outra possibilidade seria prestar concurso público para o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).”

2Visita da turma às ruínas Jesuíticas de San Ignacio Miní, na Argentina, em 2014. Arquivo pessoal.

O estudante acredita que, na escolha profissional, o mais importante é ter paixão por aquilo que você deseja estudar. “Para mim, essa graduação é parte de minha formação intelectual, não profissional. Não tenho muitas expectativas de trabalhar como historiador da arte, ao menos não fora da academia. Penso em estudar cinema ou fazer mestrado em História, mas ainda não me decidi.”

 

Sou feliz por tudo que aprendi nesses anos de formação.”

 

Fala, profe!

O professor de História da Arte e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS, Eduardo Veras, argumenta que o foco do curso é a formação de pesquisadores, oferecendo noções amplas de história das Artes Visuais, considerando o contexto mundial e brasileiro. “O curso aborda também questões da crítica, das teorias e das filosofias das artes.”

Para Eduardo, há muita pesquisa a ser feita no país. “A História da Arte é uma disciplina recente, com um universo amplo a ser explorado, quase inesgotável. A oferta de emprego, como em outros setores das Ciências Humanas, é bastante relativa e, no momento atual do país, um tanto instável.”

 

O empreendedorismo e as iniciativas independentes têm se mostrado alternativas promissoras nesse ramo.”

 

O professor alerta que, se você escolher História da Arte, terá que estudar bastante, ler muito, gostar de debater e exercitar o gosto pela pesquisa. “Você precisará gostar das Artes Visuais e dos debates que as acompanham. E nunca esqueça de que a decisão por um curso não tem caráter definitivo.”

Ele vê como um dos maiores desafios da profissão o desinteresse, o desconhecimento e a falta de estímulo das pessoas, instituições e governos que consideram as Ciências Humanas como uma área de menor valor. “A construção de conhecimento e, por consequência, a modificação da realidade, é fundamental para o desenvolvimento.”

3Professor Eduardo (centro, de camisa preta) com seus alunos durante uma aula aberta no Centro de Porto Alegre, próximo ao Instituto de Artes da UFRGS, em novembro de 2016. Foto: Jaqueline Sampaio.

 

A arte e o conhecimento histórico não apenas ampliam nossa visão de mundo, mas também costumam moldar, definir e atualizar nossa visão de tudo, mesmo que nós não percebamos.”

 

Onde vou trabalhar?

Se optar por cursar História da Arte, você poderá trabalhar com:

Curadoria – Conceber, montar e supervisionar exposições em galerias e museus;

Universidade – Lecionar no meio acadêmico (após concluir mestrado ou doutorado);

Crítica de arte – Analisar obras e emitir opiniões para veículos de comunicação/sites especializados;

Gestão – Administrar e propor ações em museus, galerias, centros culturais e institutos de Arte;

Pesquisa – Trabalhar em acervos de documentos em museus e centros culturais;

Consultoria – Ser consultor para a produção de filmes, peças de teatro e outros eventos artísticos.

Dicas, pra que te quero!

Se interessou pela História da Arte? Confere as dicas do Natiel e do profe Eduardo:

  • Procure se informar sobre o curso. Estude a grade curricular pra ver se é o que você quer;
  • Prepare-se para muita leitura;
  • Seja realista: esse não é um curso financeiramente rentável. As coisas podem mudar, mas essa é a realidade atual. É difícil atuar como historiador(a) da arte fora da universidade e, para trabalhar no meio acadêmico, você terá que fazer mestrado/doutorado;
  • Saiba que conhecer a Arte te dará diversos subsídios e recursos para entender a História.

O que você achou do curso de História da Arte? É cheio de conhecimento e desafios, né? Confere outros caminhos profissionais na Série profissões! Até o próximo post 😉