Pensou em Irlanda, pensou em paisagens rochosas, cultura celta, Valente e U2. E que tal morar nessa ilha com altos índices de qualidade de vida? O país europeu é um dos destinos mais procurados pelos estudantes brasileiros pela boa remuneração, baixo custo de vida e visual de tirar o fôlego.

Nesse episódio, a Série Intercâmbios traz o relato fresquinho da Natália, gaúcha que está morando em Dublin, capital irlandesa, há três meses. Partiu? 👊


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Missão: sair da zona de conforto

A decisão da Natália Winter Pistóia de fazer um intercâmbio foi total impulsiva. “Um dia estava no carro, voltando da praia, e vi o post de uma amiga em Roma, na Itália. Pensei: ‘Eu também quero ir para o exterior! Não só passear, eu quero morar fora do país!’. Uma semana depois, minha viagem estava com data marcada.”

 

Meu principal objetivo é aperfeiçoar o Inglês, ganhar experiência de vida e ter um diferencial no currículo.”

 

Matriculada no 4º semestre de Jornalismo, ela teve que trancar a faculdade. “Tenho muitas dúvidas a respeito do meu curso. Não tinha certeza se era isso que eu realmente queria, então, acho que escolhi a melhor hora para o intercâmbio.”

Aos 20 anos, Natália conta que sair da zona de conforto era um grande desejo. “Quando a gente chega aqui, percebe que nossa casa é a melhor do mundo, nossa cama a mais confortável e nossos pais as pessoas mais pacientes. Mas de que vale uma vida monótona e sem desafios?

7Natália (direita), chegando em Dublin, em maio deste ano. Arquivo pessoal.

É uma mistura de sentimentos: alegria, tristeza, saudade, mas tenho certeza que essa experiência tem tudo pra ser maravilhosa e enriquecedora, em todos os sentidos.”

 

Estudar & trabalhar

Natália viajou por intermédio de uma agência, que oferece acomodação nas duas primeiras semanas e depois auxilia o estudante a encontrar moradia e emprego. “Eles me ajudaram com tudo: agendamento de passaporte, compra de passagens aéreas, seguro saúde (muito importante), matrícula na escola de Inglês. Se você tiver experiência, dá sim pra fazer por conta própria, mas, como sou marinheira de primeira viagem, não quis arriscar”.

 

Estou há três meses na Irlanda e, qualquer coisa que eu precisar, minha agência está sempre disponível.”

 

E por que a Irlanda? “A Irlanda é um país relativamente barato em comparação com a Inglaterra, Austrália ou Nova Zelândia. Outra coisa que pesa bastante é que não precisa tirar visto no Brasil, você faz o processo todo aqui. E mais: tem o direito de trabalhar 20 horas semanais. Você chega, arruma acomodação, abre conta bancária e depois tira o visto. Muito mais prático!”

5Pose ao lado do rio Liffey, um dos cartões postais da capital irlandesa. Arquivo pessoal.

O intercâmbio de oito meses em Dublin inclui aulas de inglês nas tardes, de segunda a sexta. “Faço trabalhos de faxina (aqui somos chamadas de cleaner) em várias casas. Como não é fixo, ou seja, não tenho dias certos pra trabalhar, o dinheiro não é certo também. Ganho 10 euros por hora e tem dado para me manter tranquilamente, sendo que ainda tenho boa parte do dinheiro que trouxe do Brasil.”

1Natália (no centro, loira de óculos) com os colegas do curso de inglês. Arquivo pessoal.

Sobre os gastos, ela avisa que são muitos. “Além da agência, você ainda tem que comprovar € 3.000 na imigração. O primeiro mês é o mais caro: o gasto é em torno de € 1.000 (cerca de R$ 3.650), pois precisa pagar aluguel, depósito, comprar algumas coisas como cobertor, travesseiro, chip do celular, mercado. Mas meus pais me ajudaram e pagaram 90% da viagem.”

Irish way \o/

Natália já observou algumas diferenças no comportamento e nos costumes dos irlandeses. “O pessoal aqui bebe muito! Não só sexta, sábado e domingo. É normal passar em frente aos pubs segunda, ao meio-dia, e ter gente bebendo cerveja. Isso é muito estranho pra mim.”


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Diferente do Brasil, o almoço não é a refeição principal: “O café da manhã (chamado de irish breakfast) é composto por bacon, ovos, salsicha, tomate, ou seja, é bem pesado. No meio-dia, eles comem um sanduíche ou uma torrada. Nada de comida”.

E se você pensa que vai ficar na balada até amanhecer, pode esquecer! “Às 3 da manhã, as luzes acendem e todo mundo vai embora, não importa o quanto a festa esteja boa”. Sacar dinheiro também é muito prático. “Você não precisa achar um caixa eletrônico do seu banco. Existem ATMs espalhadas pela rua onde você tira dinheiro e não te cobram nada a mais por isso. É uma maravilha!”

8Natália (loira de óculos), comemorando o aniver de uma das amigas que fez por lá. Arquivo pessoal.

Bike lover? Dublin é pra você: “O pessoal aqui não liga muito pra carro. É bem normal ver gente de terno andando de bicicleta. O DublinBikes funciona muito bem: o plano anual custa 20 euros e existem pontos espalhados por boa parte da cidade. E aqui, os ciclistas são muito respeitados!”.

O transporte público de Dublin ganhou o coração de Natália. “É Ma-ra-vi-lho-so! Tem ônibus, LUAS (bonde que transita pela cidade, com um design super moderno) e o DART, que é o trem. Os ônibus têm dois andares, wifi e painéis que indicam qual é a próxima parada. Não existe cobrador e o valor a ser pago é conforme o trecho: você diz para o motorista para onde vai, coloca o dinheiro numa caixinha e pega o seu ticket.”

Além disso, as paradas possuem painéis eletrônicos informando quanto tempo falta para o seu ônibus chegar. E ainda existe o aplicativo Dublin Bus, que mostra a melhor rota, paradas mais próximas e a grade de horário.

 

O transporte em Dublin parece sonho! É moderno e realmente funciona.”

 

Sobre moradia, Natália dá o toque: “Fuja da região central. Quanto mais longe, melhor. No centro, a maioria das casas são feias, com mobília velha e carpete – e você paga caro por isso. Prefiro caminhar 20 minutos até a escola, mas morar em um apartamento com elevador, um bom sofá e não precisar dividir o quarto com seis pessoas. Detalhe: pagando mais barato”.

2O programa preferido de Natália é curtir no Phoenix Park, o maior parque fechado público da Europa, e que fica bem pertinho de casa. Arquivo pessoal.

Quando estava em busca de uma casa para ficar após morar por 15 dias na república da agência ela pensou: “‘Estou procurando um lugar pra morar pelos próximos oito meses, tenho que me sentir bem’. É bom morar perto de tudo, mas é uma questão de prioridades”.

 

Priorize o que é melhor para você na hora de correr atrás de acomodação.”

 

Pra achar emprego, Natália diz que é preciso ter determinação. “Vejo sempre muitas ofertas de trabalho (pubs, hotéis, restaurantes, au pair). Porém, conseguir uma vaga depende muito de você, do seu esforço e dedicação. Não adianta só mandar currículo por e-mail.”

3Alimentando veados no Phoenix Park, seu lugar favorito em Dublin. Arquivo pessoal.

O custo de vida depende muito de onde você quer morar e do que faz. “Divido o apê com quatro meninas e pago € 300 por mês de aluguel (cerca de R$ 1.096). Com € 20, você compra muita coisa no mercado! O meu plano de celular custa € 20/mês e tem internet 4G ilimitada (funciona de verdade e não recebo mensagem dizendo que atingi o limite da franquia!).”

A gaúcha diz que a vida noturna também não é cara. “A maioria das baladas não cobram entrada e uma pint (medida do copo de cerveja nas terras britânicas), cerca de 473 ml, custa € 6. O salário mínimo mensal é de € 733, então, acredito que seja o suficiente para um estudante se manter e ainda sobra um dinheirinho para o lazer.”

Vivendo e aprendendo

Natália demorou um pouco pra se acostumar com a mão inglesa. “Aqui, o volante fica do lado direito do carro. Consequentemente, o trânsito é invertido, o que foi um grande desafio pra mim no começo (tá, às vezes eu ainda fico um pouco confusa!). Você precisa esperar o sinal verde para atravessar, porém, um dia não esperei e quase fui atropelada. Depois disso, nunca mais atravessei no vermelho!”

6Natália (loira) na trip que fez com as amigas para Londres. Arquivo pessoal.

Em um fim de semana, ela e as amigas compraram passagens aéreas em uma promoção. “Pagamos € 10 o trecho, mas era pra Manchester. Pensamos: ‘Ah, de lá a gente pega um trem pra Londres’. Aí que veio a facada! Pagamos € 175 cada uma. Quase chorei”. Mesmo assim, Natália conta que viajar pela Europa é muito barato: “Comprei pra Escócia € 9 o trecho e Paris € 33 ida e volta. Vale muito a pena!”.

A estudante já consegue fazer uma avaliação da experiência que está vivendo: “Em casa, fui criada com minha mãe fazendo tudo. Quando cheguei aqui, não sabia fritar um ovo, mas aprendi a cozinhar na marra e hoje posso dizer que as panelas já não me intimidam tanto quanto antes. O intercâmbio ensina a enfrentar e decidir as coisas sozinha, sem ninguém opinando a respeito do que é melhor pra você. É uma ótima escola”.

 

Já sou outra pessoa. O intercâmbio está sendo o meu maior aprendizado, em todos os sentidos.

 

4Nos jardins do Powerscourt House, palácio no Condado de Wicklow, a uma hora de Dublin. Arquivo pessoal.

Para Natália, o mais difícil é a saudade dos pais e da sua casa. “Sinto falta de ter minha privacidade, de não precisar dividir quarto e guarda-roupa com ninguém. Eu não me importo em dormir na mesma cama que minha colega, mas, às vezes, a gente quer (e precisa) ficar sozinha. E aqui isso é quase impossível.”

 

Até as experiências ruins são boas: de alguma forma, servem de lição. Tudo é ensinamento.”

 

Dicas, pra que te quero!

Saca só as dicas da Natália sobre a Irlanda:

  • Pesquise no site E-dublin, muito buscado por intercambistas. Lá tem dicas sobre bagagem, clima, comida, cultura, eventos interessantes e muito mais;
  • Estude muito! Se você quer terminar o intercâmbio com o Inglês fluente, precisa ter foco. Só estar em outro país não é o suficiente. É necessário muita dedicação também;
  • Tenha sempre moedas para pagar o ônibus, pois eles não aceitam notas;
  • Dê gorjeta! Diferente do Brasil, a gorjeta na Irlanda é quase obrigação;
  • Procure emprego direto nos locais. Até exitem sites/aplicativos (indeed, jobs.ie), mas a melhor maneira é o face to face, pois a maioria dos estabelecimentos coloca um papel impresso na frente avisando se tem vaga;
  • Não deixe de ir ver os veados que ficam no Phoenix Park. Eles são muito fofos, ficam em bandos e adoram comer maçã! ❤

Curtiu as experiências que a Natália está vivendo na Irlanda? Conta pra gente! A Série Intercâmbios segue na missão de inspirar você a viver essa experiência. Até a próxima! 😉