A África do Sul é conhecida por sua biodiversidade e pela grande variedade de culturas, idiomas e crenças religiosas. Ex-colônia do Reino Unido, terra de Nelson Mandela, um dos líderes na luta contra o Apartheid, o lugar contém alguns dos mais antigos sítios arqueológicos e fósseis humanos do mundo.

 

É tanta diversidade que sua Constituição reconhece 11 línguas oficiais no país. Já imaginou fazer intercâmbio para a África do Sul? – 

 

Nesse post da Série Intercâmbios, conversamos com Henri Vanatable que fez intercâmbio social para a África do Sul. Ele tem 23 anos e é formado em Engenharia de Minas. Natural de São Paulo, se mudou para Porto Alegre sozinho para fazer a faculdade, concluída no final de 2015.

Henri tinha como principal objetivo praticar a Língua Inglesa. “Meu foco principal não era aprender inglês, mas sim treinar meu inglês, porque eu estudei o idioma praticamente minha vida inteira, só que aqui no Brasil é complicado, você acaba não praticando e perde a fluência se não praticar.”

10Esse é o Henri, com algumas das crianças do projeto onde ele trabalhou. Arquivo pessoal.

Ele estava em dúvida: passava 6 meses no intercâmbio e trancava o semestre da faculdade, ou procurava um intercâmbio mais curto, que coubesse nas férias de verão para não perder o período? “Eu acabei optando por fazer esse intercâmbio nas férias e comecei a procurar oportunidades.”  

Que intercâmbio escolher?

Entre as diversas oportunidades que encontrou em sua pesquisa, Henri curtiu a ideia de fazer trabalho voluntário na África do Sul, ao invés de fazer algum cursinho de inglês, por exemplo.

 

Eu comecei a pesquisar mais sobre o assunto, visitei agências, comecei a procurar na internet. Eu poderia fazer algo que ajudaria as outras pessoas, ter uma experiência de vida bem legal e treinar meu inglês, sem perder o período acadêmico. A partir daí fui procurar o tipo de trabalho voluntário que eu queria fazer.

 

5Mural pintado em um dos projetos nos quais Henri trabalhou como voluntário. Arquivo pessoal.

Henri organizou sua viagem com uma agência de intercâmbios de Porto Alegre, que fez todo o contato com os projetos onde ele trabalhou como voluntário, além de organizar as acomodações. Ele escolheu a agência pela referência de colegas que já tinham feito intercâmbio pela mesma empresa.

 

A agência de intercâmbio fez a ponte com as ONGs que eram responsáveis pelos projetos. Ele nos conta que as ONGs são bem rigorosas nos critérios de seleção: foi preciso mandar o currículo em inglês e uma carta de apresentação, contando sobre si e porque queria fazer trabalho voluntário. Além disso, Henri fez entrevista em inglês na agência de intercâmbios para mostrar que tinha condições de se comunicar em inglês. – 

 

Ele nos conta que o intercâmbio não foi tão caro, pelo pouco tempo que passou fora e também porque havia estadia e alimentação nos projetos. Quando ele viajava, tentava ficar em hostels para gastar menos e não optava por passeios muito exóticos. “O mais caro foram as passagens mesmo. No projeto eu só gastei com passeio e compras.”

Destino: África do Sul

Depois de escolher para onde queria viajar, Henri começou a pesquisa diferentes opções de trabalho voluntário e acabou optando por participar de dois projetos diferentes no período de 2 meses que ia permanecer no país.

“Em um projeto eu ficava responsável por cuidar de animais selvagens abandonados de um parque; no outro eu dava aulas de inglês para uma comunidade da região.” Os dois projetos ficavam na mesma região de Port Elizabeth, no sudeste da África do Sul.

Chegando lá…

No final de 2013, Henri embarcou rumo à experiência que ia mudar sua vida.

“Eu nunca tinha viajado sozinho, então, quando eu entrei no avião, eu já tava um pouco nervoso e ansioso por chegar lá. Quando cheguei em Port Elizabeth, eu não tinha plano de celular, então não tinha como me comunicar com ninguém, não tinha internet, não sabia usar o telefone público deles. Estava combinado que o pessoal do projeto ia me buscar no aeroporto. Esperei 10 minutos, 15 minutos, meia hora, e nada. E eu comecei a ficar preocupado. Aí eu pensei que a única coisa que eu podia fazer era esperar. Uma hora e meia depois o pessoal do primeiro projeto chegou pra me buscar e me deu um alívio. Era um cara muito gente boa (risos), mas não dava pra entender nada do que ele falava porque o inglês da África do Sul tem o sotaque muito carregado. Demorou um pouquinho até eu começar a entender.“

2Henri com amigos que fez trabalhando nos projetos. Arquivo pessoal.

Alimentar, limpar, tratar

O primeiro projeto que Henri trabalhou ficava no interior de Port Elizabeth, chamado Thornhill.

“Lá o negócio era bem simples: a gente dormia em umas cabaninhas de madeira, não tinha telefone; então, pra ligar para os meus pais eu tinha que caminhar um bom trecho pra chegar em um telefone público. Foi muito legal, eu não tenho nada a reclamar. Eu aprendi bastante lá.”

A rotina de trabalho era puxada: a cada 7 dias ele trabalhava 5 e ganhava dois de folga, trabalhando em escala com os colegas. Durante a sua permanência, ele trabalhava com 15 voluntários de diferentes nacionalidades, e era o único brasileiro.

“A gente trabalhava em duplas e em escala; trabalhávamos em várias funções diferentes: a gente tinha que alimentar os animais, limpar as jaulas, tratar dos animais feridos, lavar os pratos de comida. De manhã a gente acordava cedo pra preparar a comida dos animais, cortar as frutas, ração, carne, e aí todo mundo saía para cumprir as suas funções. A gente trabalhava das 7h até umas 17h.”

97Henri trabalhou cuidando de animais abandonados e feridos em uma reserva ambiental. Arquivo pessoal.

 

No projeto, os animais eram tratados, alimentados e depois soltos na natureza. Havia crocodilos, onças, avestruzes. Para quem curte Biologia e Veterinária, é uma grande experiência. Henri nos contou que o projeto ficava dentro de uma reserva ambiental, então era possível passear pela reserva e encontrar animais como girafas e zebras selvagens nessas caminhadas. –

 

De noite, as cabanas dos voluntários formavam uma espécie de pequena vila. Eles aproveitavam o momento para acender uma fogueira, conversar e se conhecer melhor.

Nos dias de folga, Henri conta que aproveitava para passear. Ele conheceu Jeffreys Bay, uma praia famosa para os surfistas, onde ocorre uma etapa da Liga Mundial de Surf. Além disso, aproveitou para fazer um safari e andar de caiaque.

Ensinando e aprendendo

O segundo projeto ficava na cidade de Port Elizabeth e tinha um pouco mais de infraestrutura. Os voluntários ficavam todos juntos em uma casa e, além das atividades do projeto, tinham que cozinhar e limpar as acomodações.

3Turma do projeto onde Henri trabalhou ensinando inglês. Arquivo pessoal.

 

Esse segundo projeto foi meio choque de realidade; a gente trabalhava em uma comunidade bem pobre. Os pais dessa comunidade saíam para trabalhar de manhã, para catar lixo, e os filhos ficavam na escolinha desde de manhã até quase de noite. Então eles recebiam café da manhã, almoço e lanche. Os voluntários ajudavam, alguns dando aula, outros preparando as refeições; no intervalo a gente brincava com eles.”

 

1“Só de ver uma pessoa diferente, eles [as crianças] já ficavam loucas, te abraçavam o tempo inteiro, não te largavam.” Arquivo pessoal.

A maioria das crianças não falava inglês, pois ainda estava aprendendo. Henri era ajudante da professora, ensinando às crianças o alfabeto e a se apresentarem. Lá, ele conta que trabalhava de segunda a sexta-feira, e que sábado e domingo ele e os amigos aproveitavam para passear.

Voltando para casa

Quando o segundo projeto terminou, Henri não voltou direto para o Brasil. Ele aproveitou para conhecer Moçambique, onde um tio morava, e também visitar a Suazilândia.

Ele garante que aprendeu muito durante seu intercâmbio e que, com certeza se tiver oportunidade e tempo, vai fazer de novo. “Se soubesse que seria tão legal, teria me programado para ficar mais tempo, até porque eu conseguiria fazer um trabalho mais sólido. Um mês no projeto passa muito rápido, mal dá tempo de conhecer bem o projeto e os colegas.”

 

Eu vou com certeza voltar pra lá. Tu acaba aprendendo muita coisa. Tu vê que às vezes um problema não é nada comparado ao que os outros tão passando. É importante sair da zona de conforto e perceber que dificuldades todo mundo tem.”

 

Dicas, pra que te quero!

Dá uma olhada nas dicas do Henri pra quem pensa em encarar essa aventura:

  • É importante saber pelo menos o básico do inglês para se comunicar, lá você pega a fluência do idioma;
  • Intercâmbios mais curtos são uma boa pedida para quem não quer trancar um semestre na faculdade: você aproveita as férias e ainda faz trabalho voluntário;
  • Além disso, um projeto mais curto também sai mais barato para o seu bolso;
  • Se você está em dúvida sobre que agência de intercâmbios contratar, procure amigos, colegas, ou grupos no Facebook para conseguir algumas dicas;
  • Você pode dividir seu tempo em mais de um projeto, ou ficar o tempo todo em um único projeto: dá pra escolher.

Curtiu conhecer a história do Henri? Que tal aproveitar e praticar um segundo idioma fazendo o bem? Nos conta o que você achou. ☺