Ele fazia uma graduação em uma Universidade Federal, tinha um emprego com carteira assinada, um bom salário e uma carreira pela frente. Mas percebeu que estava insatisfeito com tudo aquilo.

Nesse post da Série dos Mestres, a gente conta como o porto-alegrense Luciano Braga, 31 anos, largou o emprego em uma Agência de Publicidade para tirar seus projetos do papel. E como tudo isso deu MUITO MAIS do que certo!

2Braga ao lado da pintura de “Onde está Wally?” feita por ele na parede do apartamento de amigos. Arquivo pessoal.

Largando tudo!

Fim do Ensino Médio, escolha de profissão e vestibular. Para o jovem Luciano Braga tudo parecia muito claro. Escolheu o curso de Direito por causa da mãe, advogada. No primeiro dia de aula percebeu que estava no lugar errado. Mesmo assim, ficou por um ano.

Então escolheu a graduação de Publicidade e Propaganda porque gostava muito das propagandas que usavam humor, em pouco tempo, para contar histórias. “Todo mundo me falava que eu era criativo, que eu era engraçado, então me incentivaram a ir para esse caminho. E eu acabei aceitando.” Na faculdade, descobriu que propaganda era um saco. Braga gostava do humor, da comédia e de criar. O curso ensinava a ser um acadêmico.

 

Comecei a perceber que, talvez, eu não fosse um publicitário normal.

 

Em 2010 ele já trabalhava em uma Agência de Publicidade como redator. Tinha uma carreira promissora, mas não gostava. “Nunca seria 100% feliz trabalhando para empresas que eu não acreditava. Aquele emprego e a faculdade eram muito limitantes para mim”, conta.

Foi assim que o gaúcho largou tudo para tocar seus próprios projetos. Achava que seria mais feliz assim. E, de fato, era verdade.

Vai lá e faz!

Trabalhando de casa durante algum tempo, Braga começou a entender que não iria achar um cargo com tudo que ele queria em empresa nenhuma. Ao menos ele não conhecia um lugar que procurasse um criativo, roteirista, escritor, professor, palestrante, quadrinista e humorista para preencher a mesma vaga. “Tive que, eu mesmo, criar esse cargo para mim.” Foi assim que o porto-alegrense passou a se envolver em vários projetos.

3Esse é o Braga hoje! 🙂 Arquivo pessoal.

Impactando quem mais importa: as pessoas!

Quando largou a Agência de Publicidade, Braga já tinha se juntado algumas vezes a um amigo, que, depois, viria a ser seu sócio, para realizar ações que impactassem as pessoas, as cidades e as ruas de alguma forma. Nascia, assim, a Shoot The Shit.

A empresa ficou famosa nas redes sociais em 2011, quando usou o humor (que Braga tanto gosta!) para chamar a atenção da Prefeitura de Porto Alegre para um problema da cidade. Em um vídeo, ele e os amigos, vestidos como golfistas, jogavam golfe nos asfaltos esburacados pelos bairros da cidade. Em apenas uma semana foram 80 mil visualizações. E uma solução: depois de entrevistas nos principais canais de televisão, as autoridades taparam os buracos que apareciam no vídeo.

Confere o vídeo original da iniciativa aí! Divulgação Shoot The Shit.

Em 2012, outra ideia da Shoot The Shit parou Porto Alegre. Na época, nenhum ponto de ônibus da cidade tinha informações sobre os ônibus que ali passavam, o que dificultava a vida da população. A empresa, então, colou adesivos nos pontos de ônibus perguntando “Que ônibus passa aqui?” com um espaço em branco para que os próprios usuários do transporte público informassem as linhas que paravam em cada ponto.

O sucesso foi gigante! Tanto que, algum tempo depois, a empresa que cuida do transporte público da Capital, a EPTC, oficializou o projeto, instalando placas sinalizadoras nos pontos de ônibus.

 

A ideia já foi replicada em mais de 30 cidades! – 

 

6Que ônibus passa aqui? Divulgação Shoot The Shit.

Nem precisa dizer que a empresa vai de vento em popa! Hoje, a Shoot The Shit é um Estúdio criativo de comunicação para impacto social e Braga continua sendo seu Diretor de Criação.

 

Quando eu era criança, meu sonho era trabalhar no Greenpeace. Quando a Shoot the Shit nasceu, essa vontade de fazer ações do bem reapareceu.

 

Projetos paralelos!

Mas, se você pensa que a Shoot The Shit era tudo, se enganou! Enquanto tocava a empresa, Braga ainda colocou no ar duas séries de quadrinhos, o Tiras Toscas e o Braga Comics, um desenho de “Onde está Wally?” gigantesco e uma Graphic Novel (um tipo de história em quadrinhos) publicada no Instagram chamada Feldman.

5Feldman, uma das primeiras graphic novels publicadas no Instagram! Arquivo pessoal.

Mas ainda não era suficiente. Em algum momento (nem ele lembra quando, exatamente), o gaúcho percebeu que sua experiência de vida era um conteúdo que ele poderia passar adiante. Como ser professor estava entre os projetos, não pensou duas vezes: “criei uma aula onde contava minhas experiências e vendi alguns ingressos para ver no que dava”. Depois da primeira aula, vieram palestras, MUITAS palestras. E depois um curso. Mas nem ele tinha pensado em um livro!

41Braga com seus dois livros já publicados! Arquivo pessoal.

Em 2015, ele financiou coletivamente o livro Projetos Paralelos e o Poder do Tempo Livre. No livro, o gaúcho ensina o leitor a usar o tempo livre para ir atrás dos seus sonhos. 333 Páginas Para Tirar o Seu Projeto do Papel também nasceu de um financiamento coletivo. Ao longo das 333 páginas, Braga e mais dois autores ensinam os leitores a planejar, organizar e escrever um projeto. As cópias físicas dos dois livros estão esgotadas, mas as versões digitais podem ser baixadas de graça aqui e aqui.

O próximo projeto de Braga inclui colocar em prática um Stand Up Comedy e começar a escrever um roteiro para uma sitcom (série de televisão com histórias de humor).

 

Por enquanto é isso, mas vai que amanhã alguém me convida para outra coisa? Eu gosto de dizer sim para novos projetos.”

 

E dá para sobreviver?

Você deve estar se perguntando se esses projetos incríveis dão dinheiro. O Braga nos contou que não é nada fácil e a pessoa que se arriscar precisa baixar o seu padrão de vida. “Se eu tivesse continuado na agência, ganharia mais do que ganho hoje. Mas isso é uma escolha que eu fiz. Não é fácil, mas é uma escolha que me deixou mais feliz.”

O que o gaúcho fez foi desenvolver o seu lado empreendedor. Aprender a pensar uma maneira de desenvolver os projetos e fazer eles darem dinheiro. “Em um emprego em uma agência, eu não precisava fazer isso. Só tinha que estar lá, chegar no horário e torcer para não ser demitido.”

Confere a palestra do Braga no TEDx! Divulgação TEDx Talks

Dicas, pra que te quero!

Se liga nas dicas que o Braga deu pra você que não está muito satisfeito com o que faz, tem projetos para serem tirados do papel e não sabe como, quer fazer do mundo um lugar melhor ou quer se tornar um empreendedor:

  • A faculdade não ensina tudo! Se joga no conhecimento disponível na internet: palestras, aulas, vídeos, canais do Youtube, Netflix, documentários. Eles podem ensinar mais do que seis semestres de faculdade;
  • Entenda que somos seres muito complexos para exercer uma única profissão. É muito difícil que uma profissão nos complete inteiramente;
  • Se o emprego não satisfizer suas vontades, vá atrás de outro ou crie o seu próprio projeto;
  • Não existe faculdade para quem quer ser blogueiro ou youtuber. Passe por cima dos preconceitos da sociedade. Se você quer fazer isso, faça. Vá testando;
  • Não tenha medo do fracasso. Quando errar ou fracassar em algo, tente novamente;
  • O mundo não está te esperando pronto, você precisa criar o seu caminho!

Quer saber mais sobre o Luciano Braga e seus projetos ? Acesse o www.lucianobraga.cc. Em breve, mais histórias de mestres, como ele, aqui no blog. Até o próximo post! 🙂