A escolha profissional é um desafio pra todo mundo. Ainda mais quando temos diversas afinidades e habilidades. E porque não aliar o conhecimento da formação acadêmica ao desempenho de atividades diferentes? Aqui, na Série dos Mestres, a gente te mostra que é possível!

 

Aos 29 anos, Jaqueline Pereira é formada em Pedagogia. Desde 2007 ela é também ativista do movimento Hip Hop. Moradora da zona leste de Porto Alegre, periferia da cidade, ela é conhecida como a rapper Negra Jaque. – 

 

1Jaqueline, à direita, fez estágios em escolas e chegou a ser coordenadora na educação infantil. Arquivo pessoal.

Paixão pelo magistério

Educação sempre foi uma preocupação para Jaque. Vinda de uma família de mulheres donas de casa, estudar era a oportunidade de transformação.

 

Fiz o curso normal (magistério) e, paralelo a isso, conheci a cultura Hip Hop. Foi o que me motivou a buscar mais conhecimento na área.”

 

Isso porque a maior dificuldade da profissão, segundo ela, era levar as ideias de uma nova educação para a prática. “Eu gostaria de trabalhar, principalmente, em uma perspectiva de naturalização da diversidade”, afirma. No entanto, a realidade engessada das escolas não permitiu.

4Formada em Pedagogia, Jaqueline é conhecida como a rapper Negra Jaque. Arquivo pessoal.

Como professora, Jaque chegou a desempenhar a função de Coordenadora pedagógica em uma escola de educação infantil. Mas as duas rotinas acabaram sobrecarregando: “Este ano optei somente por fazer Hip Hop e produzir a cultura, pois ficou muito difícil desenvolver as duas coisas de forma integral”, conta.

Rap é compromisso!

O trabalho com a escola de educação infantil exigia muita dedicação e atenção, assim como o rap. Jaque tinha que trabalhar com uma agenda muito organizada, para conseguir dar conta do calendário escolar e do Hip Hop.

A cultura Hip Hop, oriunda das áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque é conhecida por integrar música, Djs, dança e grafite. Assim, além de cantar, Negra Jaque participa de oficinas, saraus e debates que destacam a cultura negra na cidade.

3Além dos shows, Negra Jaque ajuda a organizar diversos eventos culturais em Porto Alegre. Arquivo pessoal.

O retorno financeiro ainda não é totalmente satisfatório, mas ela se vira! “A parte de ser Mc ainda é muito desvalorizada, porém desenvolvo meios de empreender, como vendas de camisetas e discos, o que me faz desenvolver a cultura monetariamente”, revela. Apesar de estar mais voltada à carreira de cantora, Jaque ainda pretende se dedicar ao trabalho como pedagoga.

Quero trazer esses conhecimentos para a cultura Hip Hop, que também tem um olhar pedagógico. O Hip Hop desenvolve oficinas e é de fundamental importância que a educação popular venha ao encontro  dessas linguagens.”

 

 Dá uma olhadinha na Negra Jaque em ação 😉 Youtube.

Por escolha, hoje ela é a Negra Jaque integralmente. As músicas de Jaque cantam contra o racismo e pelo empoderamento da mulher. Seja qual for a atividade, as escolhas se complementam, pois ela continua ensinando muita gente!

 

Deixei a escola, mas assim consigo realizar minhas metas de vida, que são desenvolver a cultura e a educação em diversos aspectos.” Alguém duvida?

 

2Jaque leva muito do que aprendeu na Pedagogia para a profissão de rapper. Arquivo pessoal.

Dicas, pra que te quero!

Inspirado(a) por essa história? Então confere mais uns toques:

  • Se qualificar, em todas as áreas, é sempre importante;
  • Procure reconhecer bem suas habilidades, isso ajuda a escolher uma profissão;
  • Se arrepender, às vezes, faz parte;
  • Nunca deixe de acreditar em você, mesmo que mude de área; não desperdice aquilo que você já aprendeu;
  • Para conhecer o trabalho da Negra Jaque, clique aqui. 🎵

Conta pra gente o que você achou dessa história! Aqui na Série dos Mestres, muita gente vai te surpreender e, quem sabe, te motivar! Fica ligado(a) no próximo post! Até mais 🙂