Ingressar em uma faculdade federal já é uma grande conquista. E em Medicina, então, nem se fala! Mas tem gente que ainda consegue mais! Nesse post, a Série dos Mestres apresenta a história da Laureen Engel, que vivenciou a universidade e ajudou a transformá-la. 😉

Aos 25 anos, a porto-alegrense Laureen é formada em Medicina pela UFRGS. Mas, mesmo médica, ela continua indo até o campus. Sabe por quê? Porque ela segue atuando como uma das coordenadoras do Patas Dadas, um projeto de extensão de iniciativa dos alunos, que cuida de animais abandonados.

Os projetos de extensão costumam propiciar a integração da comunidade acadêmica com a comunidade externa, promovendo ações transformadoras e a troca de conhecimentos.

 

Eu nunca consegui me envolver pouco nas coisas; então, logo no início, já comecei a ajudar o máximo que podia. Dá muito orgulho de ver o quanto o Patas cresceu desde o surgimento e saber que eu faço parte dessa história!”

 

5A paixão por cachorros motivou a então estudante a integrar o projeto. Arquivo pessoal.

Um canil no coração da universidade

Como todo campus de universidade, o Campus da UFRGS, em Porto Alegre, concentra muitos cursos. O espaço aberto e a grande área verde favorecem o abandono de animais.

Em 2009, diversos cães foram abandonados no campus e iniciou-se uma série de envenenamentos. 🙁 Foi então que alguns estudantes se organizaram, construíram um canil e os animais começaram a ser vacinados, castrados e encaminhados para adoção.

“No início (e até hoje), temos problemas com a comunidade acadêmica devido aos latidos no canil, mas acredito que as pessoas a favor da existência do Patas Dadas são em número muito maior do que as que são contra”, afirma.

3O canil do Patas Dadas conta com a ajuda de voluntários para a manutenção. Arquivo pessoal.

De acordo com Laureen, a manutenção do canil é uma das dificuldades. O trabalho é voluntário e os gastos diários não acompanham as doações recebidas. Outra tarefa difícil é o trabalho de conscientização: “A população ainda tem muito a tradição de comprar cães de raça e não castrar seus cães, diminuindo as chances de adoção daqueles que já estão abandonados”, conta.  

O importante foi ter conseguido o apoio de outros mestres, no caso do Patas, dois professores da Universidade: o Renato e a Magali.

Os projetos de extensão necessitam de coordenadores responsáveis. – 

 

Renato, do Departamento de Genética, sempre foi apaixonado por animais e cuidava do Alegria, um dos cachorros assassinados no campus antes de surgir o Patas. Depois do episódio triste, ele topou ser responsável pelo projeto.

Já a Magali, do Departamento de Letras, sempre foi uma apoiadora. Ela entrou nessa e se tornou coordenadora quando o Renato precisou se afastar por problemas de saúde, assim a galera não perderia o vínculo de ação de extensão. 

Quero participar!

Qualquer pessoa com tempo disponível pode participar. “Só precisa gostar de bichos e ter um tempo mínimo disponível no mês”, diz Laureen. O projeto conta com voluntários de todas as idades, de todas as universidades de Porto Alegre, com trabalhadores, aposentados, enfim!

2O trabalho é grande, mas os sorrisos dos voluntários também! Arquivo pessoal.

Para manter o projeto, os estudantes se desdobram em campanhas de doações de ração, jornais, remédios e materiais de limpeza, além de vender calendários e agendas com os rostinhos dos catioros. 🐶🐶🐶

Festas juninas e outros eventos também são organizados para arrecadar uma graninha tudo com cardápios veganos, que respeitam os animais.

1As festas para arrecadação de fundos recebem muitos convidados, inclusive os cães. Foto: CuscoPics.

Aprendizado além da Medicina

Os anos de faculdade foram intensos para Laureen, um período de muito aprendizado e responsabilidade, não só pelos estudos, mas também pela participação no projeto: “A gente começa querendo ajudar porque gosta de animais e percebe que tem muita coisa envolvida pra que o cuidado seja o melhor possível”, afirma.

4Hoje, médica, ela não abandona o projeto! Arquivo pessoal.

Conscientizar amigos e familiares, estar sempre pensando em novas formas de arrecadação de doações e otimizar a logística dos voluntários para que mais atividades sejam realizadas são atividades que fizeram e ainda fazem parte da rotina de Laureen.

“Além disso, no Patas encontrei grande parte dos meus melhores amigos e pessoas sempre dispostas a ajudar não só os animais, mas qualquer ser vivo em situação de vulnerabilidade”, conta.

Dicas, pra que te quero!

Inspirado(a) pela iniciativa dos estudantes da UFRGS? Confira mais uns toques que a Laureen nos deu:

  • Encontre um professor com disposição para ajudar e que acredite no projeto;
  • Informe-se na Pró-reitoria de extensão da sua universidade para saber como iniciar um projeto;
  • Monte um grupo disposto a se doar de verdade para que o projeto aconteça;
  • No início é preciso vencer muitas burocracias e dificuldades de organização;
  • Não desista! Vale a pena ver os resultados;
  • Para saber mais sobre o Patas Dadas, clique aqui!  

Tem uma ideia bacana para iniciar um projeto de extensão?! Mexa-se! Iniciativas de estudantes costumam trazer muito aprendizado e integrar a comunidade. Esperamos ter pilhado você! Até mais!