Você já teve aquela ideia incrível e pensou que ela poderia se tornar um grande projeto? Pois saiba que você deve dar ouvido aos seus instintos e às suas paixões sim! Mas se liga: é necessário muito trabalho e disposição pra fazer acontecer. E como encontrar motivação?

É o que vamos descobrir nesse episódio da Série dos mestres, que conta a trajetória do Wellington, jovem empreendedor e um dos idealizadores do programa ProLíder, curso de formação de futuras lideranças. Bora se inspirar? 👊

Empreendedor precoce

Com apenas 22 anos, Wellington Trindade já acumula muita experiência no mercado de trabalho. Aos 8 anos ele começou a vender água e refrigerante na barraca do pai, na praia de Saquarema, Rio de Janeiro. Mesmo sendo de família humilde, ele conta que não trabalhava por necessidade, e sim, porque curtiu a ideia de ganhar seu próprio dinheiro.

 

Estimulado por essa possibilidade, aos 12 anos o carioca de Niterói começou a vender picolé no Batalhão da Polícia Militar. – 

 

“Fiquei lá durante três anos. Quando um novo coronel assumiu o comando, disse que todo final de bimestre eu tinha que mostrar meu boletim como condição para continuar vendendo picolé por lá.” 🍦

1“É muito legal trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. Isso desenvolve um senso de responsabilidade”, diz Wellington. Arquivo pessoal.

 

Passei a pensar de forma mais estratégica, a ter mais foco. Foi uma escola do que viria a ser a vida. Aprendi muito e adquiri maturidade por conviver com gente mais velha.”

 

Na mesma época, Wellington começou a tocar paralelamente um negócio de doces para a cantina de uma igreja. “Em um ano e meio, eu já fornecia para 23 lugares, produzindo cerca de mil doces por semana. Eu administrava a produção, comprava insumos e ajudava nas entregas.” 🍰

Em 2009, o pessoal do Batalhão conseguiu uma bolsa de 50% em uma escola para Wellington. “Com 14 anos, eu estudava e trabalhava pra pagar a outra metade.” No ano seguinte, ele passou em 4º lugar em uma escola técnica para um curso com ênfase em panificação. 💪 (ufa!)

 

Nada acontece por acaso.”

 

3Vestido a caráter na época do curso técnico em Panificação. Arquivo pessoal.

Wellington agarrou todas as oportunidades que surgiram pelo caminho. “Ganhei uma bolsa pra estudar em uma escola na Gávea com a ajuda de um executivo que conheci numa palestra. Como era muito longe de casa, uma ex-professora me fez uma proposta e passei a dormir em uma escola da zona sul, que ficava mais perto da minha.”

Decidido desde cedo sobre qual área ia seguir, o carioca se deu bem nos vestibulares no fim do ano em que concluiu o Ensino Médio: “Passei na Federal, na Estadual e tirei 1000 na redação do Enem”, conta o hoje estudante do último semestre de Administração de Empresas no Ibmec, com bolsa pela Fundação Estudar.

 

Nossa vida é feita de ciclos e temos que saber o momento de seguir outros rumos.”

 

Motivação para retribuir

O ProLíder é um programa gratuito voltado a jovens de 18 a 34 anos que tem como objetivo formar futuras lideranças públicas. O curso oferece aulas com especialistas sobre Educação, Economia, Ética, Ciência Política e Segurança, entre outros temas, além de debates, painéis, oficinas e um projeto final.

 

Sempre fui muito inquieto e sempre fiz muito, mas achei que poderia fazer ainda mais.”

 

Wellington revela a fonte da sua motivação pra criar o programa: “São poucas as pessoas que têm acesso aos lugares que passei e às experiências que vivi. Quero retribuir para a sociedade e acredito que a melhor forma de fazer isso é atuando na política. Acho que é assim que conseguiremos gerar impacto de forma positiva”.

O empreendedor conta que o estopim para a concepção do ProLíder veio em 2015. “Participei de uma palestra com Nizan Guanaes (mega empresário e publicitário) e ele disse algo que me marcou: ‘Pessoas que poderiam estar fazendo coisas não estão fazendo’. Saí muito incomodado com essa fala.”

 

Literalmente no dia seguinte à palestra, comecei a botar a ideia pra funcionar. Eu queria criar algo que gerasse engajamento político, pois precisamos de jovens comprometidos em mudar a sociedade.”

 

E pra dar esse start express, Wellington reuniu parceiros tão empreendedores quanto ele, ativou contatos que já havia colecionado na sua trajetória para atuarem como palestrantes e soube “vender” a ideia que tanto acreditava para conseguir apoiadores e patrocínio. A primeira turma de alunos rolou em 2016 e, daí pra frente, o projeto passou a ganhar popularidade e só cresceu.

4Wellington (no centro, de óculos) na formatura da primeira turma do ProLíder, em dezembro de 2016. Arquivo pessoal.

Mãos à obra!

Para levar uma ideia adiante, Wellington diz que não existe fórmula secreta. “A resposta é começar a fazer. Quem pensa muito desiste. Você cria uma série de variáveis e vai se auto sabotando. Então, validou a ideia e constatou que pode rolar, manda ver!”

Para o empreendedor, você não deve se limitar a questões financeiras antes de começar. “Você tem que trabalhar muito e não ter receio de se envolver. Se você está começando e consegue alguém pra investir, primeiro o investidor vai querer ver o quanto você mesmo está disposto a investir na sua própria ideia.”

 

Você tem que pagar o preço do esforço.”

 

2“É possível mudar”: Wellington (centro, de xadrez) acredita no potencial transformador da juventude. Arquivo pessoal.

Outra dica do carioca é encontrar bons parceiros. “Cerque-se de gente que te complemente. Um dia, um executivo me disse: ‘não existe ideia boa, e sim execução boa’. Se você demonstrar que é o empreendedor da sua ideia – e não apenas um empresário que visa o lucro – conseguirá atrair boas pessoas para trabalhar no seu time.”

Dicas, pra que te quero!

Se liga nas dicas do Wellington se você quer sair da zona de conforto e tirar uma ideia do papel:

  • Conheça-se! O autoconhecimento é uma busca constante, além de ser fundamental para a tomada de decisões;
  • Aproveite o fato de ser jovem e de poder experimentar até entender no que você é bom(boa) e do que você gosta;
  • Foque: tudo – ou quase tudo – que você fizer deve ter um propósito;
  • Trabalhe! Você vai ter que ralar, se dedicar muito e suar a camisa;
  • Procure estar cercado(a) de pessoas motivadas. A motivação é um sentimento contagiante;
  • Fique ligado(a): às vezes aquele concorrente pode ser um bom parceiro de negócios;
  • Faça algo que tenha sentido pra você!

E aí, o que você achou da trajetória do Wellington? Já pensou que incrível ser um agente de transformação? Não deixa de conferir outras histórias inspiradoras na Série dos mestres. Até a próxima!