“Meu nome é Gabriel Barbosa Rodrigues, tenho 18 anos e sou de Escorpião.” Assim começou o nosso papo com o Gabriel, informando de cara (e aos risos) que era muito importante que informássemos o signo dele, para deixar claro como foi árduo seu caminho até ser aprovado em Medicina na Universidade Federal de Roraima (UFRR). “É bem relevante para mostrar que o meu signo já dificulta a minha vida”, avisou ele.


Gatíneo de Escorpião, a título de exemplo. Giphy.com.

Esse escorpiano, nascido e criado em Boa Vista, Roraima, conversou com a gente para contar como foram seus estudos e sua rotina para passar em terceiro lugar (!) em Medicina no curso da Federal de seu estado. Ele traz dicas preciosas que descobriu durante sua preparação para alcançar a tão sonhada vaga. Partiu conferir?

O começo dos estudos

O Gabriel só descobriu que seu sonho era passar em Medicina quando estava no terceiro ano do Ensino Médio, em 2015. “Antes disso pensava muito em Direito porque a minha mãe trabalha na área, só que, conforme fui amadurecendo, percebi que não era o que queria para mim.”

 

Se você ainda está na dúvida e quer conhecer mais sobre o curso de Medicina, vem ver o post que fizemos sobre a profissão! – 

 

Para o Gabriel, foram dois anos na “saga em busca da aprovação”, como ele diz, com um “agravante”: queria cursar Medicina em uma faculdade pública e próxima de casa. “Só que aqui em Roraima só temos uma faculdade de Medicina, que é a Federal, então ela foi basicamente a minha única tentativa, ‘meu tiro único’, junto com o Enem e a Estadual do Amazonas, que fica relativamente perto daqui”, conta ele.

 

O primeiro ano de estudos, que Gabriel tentou conciliar escola + cursinho, foi um desastre! “Foi difícil conciliar e me organizar, eu estava entrando nesse meio de vestibular pela primeira vez para competir com gente que tá aí há muito mais tempo que eu, foi complicado e desestimulante.” –

 

Mas, no fim das contas, o ano serviu para ele se tornar o vestibulando que foi em 2016, muito mais maduro. “Em 2016, que foi o meu ‘ano da verdade’, eu tentei, desde o início, me conscientizar de que não seria fácil e que eu estava entrando em algo que eu não sabia quando terminaria. E acho que todo vestibulando de Medicina tem que ser assim, sabe? Muito consciente de que você pode levar um ano para passar ou que você pode levar cinco anos. Não vai ser fácil, você vai querer desistir muitas vezes, vai chorar e pensar ‘onde eu me meti?’, mas eu garanto que o final é recompensador”, diz.

 

No início de 2016 eu parei a minha vida para pensar ‘o que eu fiz de errado e por que não deu certo?’. Essa autorreflexão é fundamental para todo vestibulando, a gente sempre sabe o que não tá certo na nossa rotina, e o importante é ver os erros de um ano e absorvê-los como aprendizado, e foi isso que eu fiz!”, conta. 

 

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Esse é o Gabriel, todo sujo e feliz da vida como calouro de Medicina. Arquivo Pessoal.

Matérias fáceis x matérias difíceis

É comum que a gente goste e tenha mais facilidade com algumas matérias, mas isso não é motivo para deixá-las de lado na hora do estudo. No caso do Gabriel, essa disciplina era redação. “Sempre gostei de escrever. Só que a minha escrita, apesar de boa, nunca foi muito voltada para o vestibular, sabe? Que é um modelo de redação totalmente diferente”, explica.

Então, ele resolveu procurar uma professora particular, que o ajudou em 2015 e 2016. “No meu Enem de 2014 eu tirei 560 em redação e, em apenas seis meses de curso, melhorei essa nota para um 940 em 2015!”, diz.

 

O que eu quero dizer com tudo isso é: mesmo que você tenha afinidade ou facilidade com uma matéria, não se atenta a isso, busque uma orientação para você desenvolver essa facilidade!” 

 

Além de redação, o Gabriel se dava bem com Biologia e Química – aquelas que quase todo mundo que presta vestibular para Medicina já curte naturalmente. Em compensação, a área de Exatas era seu calcanhar de Aquiles. “Sempre fui um fracasso em Matemática e Física na escola e nos vestibulares e eram as matérias mais desafiadoras para mim.”

Ele resolveu essa equação buscando um equilíbrio, mas sem negligenciar nenhuma disciplina. “No meu caso, eu meio que estabelecia uma ordem de prioridade de matérias, uma espécie de peso, em que Matemática e Física (junto com as específicas) eram as matérias mais estudadas da minha grade de estudos, enquanto Gramática e Literatura (que eu achava mais tranquilas) eram com menor tempo.”

Como o Me Salva! ajudou o Gabriel

O Gabriel conheceu o Me Salva! lááá em 2014, quando ainda éramos um canal de Matemática e Física no YouTube – justamente as matérias que ele tinha dificuldade. “Eu buscava em todas as fontes algo que me fizesse entender, de maneira simples, objetiva e prática, os conteúdos. E assim encontrei o Me Salva!, nessa minha tentativa de sanar as dificuldades em Exatas, e nunca mais desgrudei. Virou meu canal favorito e me ajudou muito nesse meu processo de aprendizagem. Esse ano aliei o cronograma e as aulas de vocês, algumas aulas presenciais e um estudo individual efetivo, e foi uma receita de sucesso”, conta ele.

Rotina de estudos

Pedimos para o Gabriel nos contar mais sobre como era sua rotina de estudos na preparação para o vestibular de Medicina. Olha só como ele se organizou: “Eu tentava dividir o meu dia em janelas de quatro horas, em uma espécie de grade. Em determinados dias eu estudava as quatro horas da grade de uma só matéria (se fosse uma matéria que eu me identificasse, como Biologia), e em outros dias dividia a janela de quatro horas em duas de duas horas, quando eram matérias mais cansativas”, explica.

 

Mas o que eu tentava fazer para não cansar rápido era sempre fazer pausas: a cada 50 minutos estudados, dava 10 minutos de pausa, assim cansava menos. E nunca colocava matérias mais complicadas juntas no mesmo dia ou na mesma janela, sempre uma mais tranquila e uma mais difícil, intercalava.”

 

Mas o maior problema do Gabriel era com a concentração: ele dispersava muito fácil e perdia o foco.  Para isso, ele desenvolveu uma “técnica”: “Deixava água, lanche e tudo que eu fosse precisar próximo, para não ter que sair da bancada de estudo, e deixava o ambiente o menos poluído o possível, porque ter muita caneta, post it, resumos e afins próximos a você faz com que você se disperse rapidamente e perca a concentração”, avisa ele.


Aviso: gatos no ambiente também podem tirar sua atenção. 4gifs.com.

E a vida social?

Pode parecer contraditório, mas é impossível manter a mente saudável se dedicando a estudos e leituras durante todo o tempo que estiver acordado. No fim, você fica estressado e acaba absorvendo pouco conteúdo. Por isso, o Gabriel tentava equilibrar os livros com a diversão. “No meu horário de estudos eu incluía uma noite, normalmente sábado à noite, para sair com os amigos e tals. De vez em quando me permitia ir a uma festa ou show”, conta.

 

Vestibulando também é humano (mesmo que não pareça) e precisa viver, isso é saudável não só para sua vida pessoal, mas também para o seu psicológico, que é um aspecto muito importante na hora da prova e que muita gente não leva tão a sério.”

 

Alimentação, sono e ansiedade

Com a alimentação, o Gabriel até pegava leve: “Eu tentava comer bem, não era absolutamente saudável, mas também não era só trash food”. Se você é daqueles que têm muita fome enquanto estuda, aqui neste post tem algumas dicas sobre o que comer!


Não estude com fome! Giphy.com.

O sono, sim, era um problema para Gabriel: ele dormia, no máximo, de 6 a 7 horas por noite, já que sempre deitava tarde e acordava cedo. No fim de semana, tentava compensar ficando mais tempo na cama. E não sugere essa estratégia. “Quem puder dormir mais um pouco, recomendo muito, porque o rendimento sobe bastante.”

Aqui neste post você confere aqui 8 maneiras de espantar o sono na hora de estudar! 😉

Assim como vários de seus amigos, Gabriel também passou por momentos ruins causados pela ansiedade, essa danada que adora aparecer quando tudo o que você precisa é de um pouco de paz, não é mesmo? “Acho que a dica, nesse caso, é se abrir para os seus amigos e professores, porque muitas vezes eles funcionam como um porto seguro, quando você tá meio down mesmo. Mas é importante também, a partir do momento em que você percebe que a rotina de vestibular está te fazendo mal psicologicamente, buscar ajuda profissional”, ensina.

 

É importante cuidar a mente e não somente do conteúdo, porque vestibular não é só saber todas as fórmulas de Física e Química ou todos os presidentes do Brasil até hoje, é ter uma constância de estudos, maturidade, bom psicológico para não desabar com a pressão, esforço e até um pouquinho de sorte. Infelizmente não tem fórmula mágica, cada um lida com essa rotina como pode”, conta o Gabriel. 

 

Dicas que valem ouro!

No fim do nosso papo, pedimos para o Gabriel deixar três dicas para quem está encarando a preparação para o tão sonhado curso de Medicina. Dá uma olhada:

1.Não desista. Eu sei que está sendo difícil, que você se sente desestimulado, que tem gente duvidando de você, que nem sempre o seu esforço reflete no seu desempenho, que você sabe o conteúdo e na hora da prova não vai tão bem. Sei que você não vê a hora de ver seu nome na lista e que tem muitos amigos seus que já passaram, ou aquele tio que diz “ah, mas porque você não tenta algo mais fácil?”; Tudo isso faz a gente querer desistir, eu sei, mas se esse é o seu sonho, a visão do lado de cá é maravilhosa e recompensadora.”

2.Tenha equilíbrio. A rotina de vestibular é desgastante e a sua vida não pode ser só isso. Saiba quando estudar, quando se divertir, se conheça e pondere tudo. Sua vida não vai parar e a sua aprovação não vai ficar mais longe se você for ao cinema de vez em quando, sair com os amigos. Enfim, saiba moderar e equilibrar tudo. Antes de ser vestibulando, você é uma pessoa e, como já dizia Aristóteles, “o homem é um ser social e político’. Você precisa ter uma vida social como válvula de escape para essa rotina pesada que enfrenta. Equilibre-se e bola para frente.”

3.Você é mais que uma prova. O vestibular é só uma fase da sua vida, uma fase que dura mais para uns e menos para outros. Portanto, não se torne escravo de um resultado ou de uma aprovação. Sei que a gente fica eufórico querendo passar logo. Mas aquele velho clichê do “tudo tem seu tempo, seu momento” nunca se fez tão verdadeiro antes. A sua hora vai chegar se você não desistir, mas não se diminua se esse resultado demorar um pouco mais a chegar. :)”

 

Curtiu as dicas do Gabriel? Esperamos que ele tenha inspirado você! Seu sonho também é passar em Medicina? Dá uma conferida no nosso Plano Enem, tem um Extensivo especial para Medicina!  – 

 

E você? Como está estudando e se preparando? Divide com a gente nos comentários! 😉