A prática leva à perfeição. Ou, ao menos, a descobrir do que gostamos e no que temos aptidão. Quando você escolhe um curso na faculdade, como saber em qual área específica vai querer trabalhar? O estágio é um ótimo recurso pra obter essa resposta!

Nesse post da Escolha profissional sem crise, vamos falar como a experiência no mercado de trabalho pode abrir seus horizontes. Partiu?

Estagiar é preciso

Gabriela Fernandes fez nada menos que seis estágios durante a faculdade! Formada em Fisioterapia (confere aqui nosso post sobre essa profissão!) em 2015 pelo Centro Universitário Metodista – IPA, ela conta que sempre precisou trabalhar. “Tive bolsa integral pelo Prouni, mas, em função da minha mãe residir no litoral e não ter recursos para me manter estudando na capital, sempre trabalhei.”

Durante metade da graduação, ela fez os estágios curriculares pela manhã, trabalhou (em cargo administrativo em uma clínica dermatológica) durante a tarde e estudou à noite.

 

Somente no último semestre da faculdade pude realizar um estágio extracurricular, embora ainda trabalhando em emprego formal.”

 

A gaúcha de 29 anos faz questão de apontar tudo que fez e aprendeu em cada estágio:

1º – Saúde do Trabalhador, onde fazia atendimentos aos colaboradores do hospital. “Meu primeiro estágio! Foi muito boa a experiência de começar já falando em prevenção, que muitas vezes passa batido na Fisioterapia.”

2º – Fisioterapia Esportiva, onde realizava atendimentos ambulatoriais em árbitros, atletas amadores e ex-atletas. “Esse foi muito importante, porque me fez ter a real noção do que é o trabalho em um atleta de rendimento. O tempo para recuperação é pouco, o que não me atraiu muito.”

1Escolhida no 2º estágio como a funcionária do mês. Arquivo pessoal.

3º – Saúde da família, onde atendia a população em um grande posto de saúde. “Foi, sem dúvida, o estágio que mais gostei. A visita domiciliar – que agrega muito ao serviço –, os atendimentos em grupo – que auxiliam na integração dos pacientes – e todos os dados que coletei para pesquisas foram incríveis.”

2Festa de encerramento do estágio com os pacientes. Arquivo pessoal.

Esse contato com os pacientes, além de poder contribuir para a melhoria da comunidade, foi um grande aprendizado. Me identifiquei totalmente!”

 

5Em atendimento no posto de saúde. Arquivo pessoal.

4º – Fisioterapia Hospitalar, estágio dividido em três períodos: atendimentos em pediatria; a pacientes oncológicos adultos; pneumologia, cardiologia e UTI adulto.

 

Comecei com as crianças e foi bem, bem difícil emocionalmente. Nas duas primeiras semanas, chorei todos os dias ao chegar em casa. Nesse estágio eu descobri que a pediatria, definitivamente, não era a área em que eu gostaria de trabalhar.”

 

5º – Fisioterapia motora, com atendimentos individuais e em grupo, em solo e na água, casos de traumato-ortopedia, neurologia adulto e pediátrica, queimados, pré e pós operatórios de neurologia.

“Foram experiências bem enriquecedoras. Foi muito desafiador trabalhar com o paciente queimado que, embora em fase ambulatorial, demanda muito estudo. Acabou sendo ótimo!”

4Gabi (direita) pronta pra entrar na UTI! Arquivo pessoal.

6º – Fisioterapia hospitalar e ambulatorial em traumatologia e ortopedia, com atendimentos em pré e pós operatórios de tratamentos traumatológicos. “Esse estágio foi muito legal. A equipe da reabilitação me recebeu muito bem e me ensinou muito. Descobri que é uma área em que eu trabalharia.”

Vi, vivi e aprendi

 

Só depois que passei pelas experiências eu pude perceber minhas habilidades e minhas dificuldades.”

 

E pra que serviu esse monte de estágios? “Foi fundamental pra definir meu rumo na profissão. Passei a buscar concursos na área que mais me identifiquei durante a graduação: Saúde da família e da mulher. Inclusive, estou aguardando nomeação para atuar no município de Cidreira (RS), em um posto de saúde”, comemora a fisioterapeuta autônoma.

 

Foi um crescimento pessoal.”

 

6Gabi (de pé, canto direito) também realizou cursos de extensão, como formação em pilates (foto) e doula (acompanhante de gestante com foco na mulher). Arquivo pessoal.

As experiências vividas nos estágios também ajudam a construir a pessoa que nos tornamos. “Todos os meus estágios foram no SUS e, muitas vezes, com pessoas bastante carentes. Aprendi a escutar mais o outro, a criar melhores formas de me comunicar respeitando a diversidade.”

Fala, profe!

A ex-coordenadora do curso de Jornalismo do IPA e atual professora nos cursos de Comunicação da Uniritter (Porto Alegre), Mariceia Benetti, avalia que o estágio é uma fase que merece a atenção do estudante:

“É o momento de conhecer, na prática, o que está sendo visto na teoria. Essa é a característica do estágio: realizar e conhecer o ‘fazer’ da área que se está estudando. É extremamente importante ter isso em mente”.

 

Estágio não é um ‘emprego’, e sim um dos processos de desenvolvimento e conhecimento do que você quer.”

 

A também orientadora explica que, no Jornalismo, por exemplo, existem áreas de atuação bem diferentes – impresso, TV, rádio, assessoria – e cada uma delas requer o desenvolvimento de certas habilidades. “Há muitas áreas de atuação profissional que somente o estágio irá esclarecer para você descobrir onde vai se encaixar melhor.”

3Mariceia (direita, embaixo, de óculos) com seus alunos de Projeto de Pesquisa da Uniritter. Arquivo pessoal.

Mariceia alerta que o estágio deve ser um momento de formação. “Fique atento para não cair na armadilha da ‘rotina’ que faz com  que o estágio se transforme em uma função, onde você para de aprender e de questionar. Sempre mantenha o olhar crítico, tanto no estágio, como na faculdade.”

As experiências de estágio podem render bons frutos. “Tive muitos alunos que acabaram sendo contratados como profissionais. Além das novas relações que se estabelecem (networking), é uma interação riquíssima, não só para a vida profissional, mas também pessoal.”

Dicas, pra que te quero!

Confere as dicas da Gabi e da professora Mariceia pra mandar bem no estágio:

  • Tente as bolsas de iniciação científica. Tem muito trabalho bom sendo feito dentro da universidade e essa experiência contribui para o currículo;
  • Seja humilde e respeite as relações no estágio;
  • Observe bastante e aprenda o máximo que puder com os profissionais mais experientes que você;
  • Produza com afinco e dedicação quando tiver a oportunidade de mostrar seu trabalho;
  • Cuide-se: quando o estágio vira emprego, o aluno não é aprendiz, e sim mais um trabalhador, porém sem as leis trabalhistas a seu favor.

Viu só? Experimentar diferentes áreas de atuação pode ajudar muito na escolha do rumo profissional. Você já fez algum estágio? Conta pra gente! Nos vemos no próximo post! \o/