Escolher o curso de graduação já não é tarefa fácil. E eis que, durante a faculdade, mais dúvidas surgem sobre o futuro da profissão que você escolheu. Já pensou em estudar ainda mais?! 😉

Pois então, seguir na carreira acadêmica tem sido uma opção para quem busca melhores oportunidades na trajetória profissional. Aos 28 anos, Tiago Cortinaz é Mestre em Educação pela UFRGS e já engatou um doutorado na área. Foi na busca por melhores condições de trabalho como professor que ele decidiu ingressar nesse caminho.

 

Também segui na carreira acadêmica porque acredito que a pesquisa e a produção acadêmica podem contribuir para a Educação no nosso país.”

 

A precarização da carreira de professor no Brasil não é mistério pra ninguém. Mas as oportunidades no ensino superior são bem melhores que as do ensino básico. Há universidades particulares em que é possível dar aulas apenas com o mestrado. Já na universidade pública, onde os salários e a estabilidade são maiores, é preciso realizar o doutorado para ser professor efetivo.

Incentivo?

Tiago acredita que, no máximo, 10% dos colegas da turma de graduação em Pedagogia da UFRGS optou pela carreira acadêmica: “Não há incentivo programático para todas as alunas e alunos”, diz.

1Tiago (de camiseta preta) na reunião de orientação com o professor Michael Apple, um dos referenciais teóricos dele. Arquivo pessoal.

O que fez com que ele tivesse um pouco mais de intimidade com a pesquisa foi ter sido bolsista de iniciação científica do CNPq por duas vezes (calma que a gente já explica o que é isso!). Porém, Tiago diz que a formação acadêmica ainda é deficiente no país: “A maioria dos estudantes aprende a fazer pesquisa na prática e o resultado imediato é a falta de rigor científico em muitas pesquisas”.

 

Para você se ambientar com o trabalho de pesquisador, é importante conversar com seus professores e se informar sobres as bolsas. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) disponibiliza bolsas de pesquisa através do programa PIBIC, do Governo Federal. – 

 

O PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) visa incentivar novos talentos entre graduandos de instituições públicas ou privadas. Os valores de remuneração variam conforme a região do país.

Estudo e mais estudo!

Você pode imaginar que a rotina de estudo é de muitas leituras. Imaginou?! Então imagina mais! Para embasar a pesquisa é importante apresentar muitas referências. Mas não desanime, ter uma bolsa de pesquisa durante a graduação ajuda muito na produção do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) mais adiante, já que você estará mais acostumado ao ritmo de leitura. 

Com temas bem definidos e com uma monografia bem feitinha, fica mais fácil a elaboração do seu projeto de mestrado. O anteprojeto, como é chamado, precisará apresentar o tema, a justificativa, o objetivo e o referencial teórico que irá embasar a pesquisa.

Além disso, o candidato ainda faz provas sobre leituras determinadas e de língua estrangeira. Mas, antes, também vale se familiarizar com a área que você busca:

 

Após concluir a graduação, me preparei durante um ano para a seleção e cursei duas disciplinas no Projeto de Educação Continuada (PEC) com o professor que almejava como orientador. Ao concluir o mestrado, repeti o processo [no programa de doutorado]”.

 

Toda essa produção requer quase que dedicação exclusiva, por isso o governo também tem bolsas para os pesquisadores conseguirem se manter, as chamadas bolsas da CAPES. “A bolsa de estudos possibilita dedicação aos estudos em tempo integral. Posso cursar disciplinas no meu programa de pós-graduação e em outros da universidade em quaisquer horários”, conta Tiago.

4Saiba que se você optar pela carreira acadêmica, sua rotina será de muitas (e muitas!) leituras Foto: pexels.com.

Em meio a revisões de literatura, pesquisas bibliográficas, entrevistas, análises, etc., em agosto Tiago também teve a oportunidade de apresentar a tese dele em um congresso em Pequim.

 

A pesquisa aborda o processo de elaboração da Base Nacional Curricular Comum e busca compreender as disputas em torno da definição do que será ensinado nas escolas. – 

 

Algumas das questões que ele apresenta é sobre quem está envolvido nesse processo, como foi organizado e como está transcorrendo. “A importância reside na contribuição para o campo do currículo e das políticas públicas em educação e também na afirmação da Educação como um campo científico em contrapartida a iniciativas conservadoras pautadas no senso comum, como, por exemplo, o Movimento e Programa Escola Sem Partido”, afirma.

2Tiago, o orientador dele e um colega em Pequim. Arquivo pessoal.

 – Ao concluir o doutorado, ele poderá trabalhar na iniciativa privada ou no setor público com ingresso através de concurso (mais estudo!). – 


Mas, para Tiago o cenário atual não é otimista: “Acredito que, nos próximos anos, com partidos de direita no Governo Federal, as oportunidades de ingresso nas universidades públicas serão cada vez mais escassas. Assim sendo, é provável que inicie minha carreira como professor universitário em uma universidade privada”, diz.

Dicas, pra que te quero!

Inspirado(a) no fôlego do Tiago?! Então confira as dicas que separamos para você:

  • Pesquise sobre os programas de pós-graduação que você tem interesse;
  • Procure se informar também sobre a linha de pesquisa que você pretende se candidatar;
  • Aproveite os referenciais teóricos do TCC para produzir seu anteprojeto;
  • Se você é graduando(a), busque conhecer mais sobre as pesquisas que seus professores realizam;
  • Produza artigos para revistas científicas: quanto mais textos publicados, mais chances de conseguir uma bolsa CAPES;
  • Para saber mais sobre bolsas de iniciação científica, acesse: http://cnpq.br/pibic; para conhecer mais sobre as bolsas oferecidas pela CAPES, acesse: http://www.capes.gov.br/bolsas/bolsas-no-pais

Escolha a sua carreira profissional sem crise e tenha em mente que tudo exige muito estudo e dedicação. Esperamos ter ajudado você nessa decisão! Até mais! 😉