A hora de escolher o curso é cheia de dúvidas e incertezas. Além da graduação, você tem que pensar na universidade, localização, questão financeira, entre outros fatores que pesam na decisão. Por isso, é importante conhecer todas as opções disponíveis!

Nesse post da Escolha profissional sem crise vamos desvendar os mitos e verdades dos cursos de Ensino a Distância, os famosos EaD. Confere aí!

Pioneiro

Vinicios Wiltgen estava cansado do trabalho e das universidades privadas de Caxias do Sul. “Decidi ir para Porto Alegre e, por acaso, li um edital no jornal sobre o extravestibular promovido pela Universidade Aberta do Brasil e a UFRGS, em parceria com o Banco do Brasil. Como estava sem dinheiro para a educação privada, essa foi uma saída que deu certo.”

 

Vinicios foi aluno da primeira turma EAD de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – 

 

Formado em 2010, o gaúcho de 32 anos conta que o EaD foi uma grande surpresa: “Os professores nunca nos deram mole. Era uma carga de trabalho bastante grande, que me fez mudar de emprego para algo que eu pudesse estudar e trabalhar ao mesmo tempo”.

Vinicios explica que as disciplinas eram ministradas uma de cada vez: Matemática Financeira por seis semanas seguidas, Teorias da Administração na sequência, e assim por diante. “Tínhamos encontros presenciais a cada 15 dias (normalmente para provas), além de tarefas duas ou três vezes na semana. Toda essa carga e responsabilidade foi o que mais me surpreendeu.”

Além das provas presenciais, o sistema de avaliação envolvia trabalhos individuais e em grupo. “As tarefas com os colegas eram formidáveis, pois davam o sentimento de que o curso não era tão impessoal. Meu grupo (quase sempre o mesmo) se encontrava pessoalmente nas quintas à noite para estudar ou terminar trabalhos.”

 

A pessoa imagina que EaD vai ser moleza, mas a realidade é totalmente o oposto.”

 

1Vinicios (canto esquerdo, de branco e barba) e os colegas: pioneiros do curso EaD de Administração na UFRGS. Arquivo pessoal.

Antes do EaD, o administrador fez a faculdade presencial dos 17 aos 21 anos. “A grande diferença é que, na presencial, tem alguém ali tentando colocar o conteúdo dentro da sua cabeça e nem sempre a cabeça está ali para receber. Já no EaD, a imersão é muito maior, principalmente porque tudo depende mais de você do que do tutor ou professor.”

 

É um sistema que faz você estudar na marra e não só na hora da prova.”

 

Para Vinicios, a liberdade de administrar os próprios horários é um dos pontos positivos do EaD: “E também o fato de poder estar em casa com o feijão no fogo enquanto assiste à aula”. Mas ele avisa: “pode se preparar para muito trabalho, dedicação e responsabilidade com os horários”.

Hoje, o pai de Otto, dois anos, mora em Yucatan, no México, por conta dos caminhos da profissão. É gerente de uma linha de produtos na área de comércio internacional de uma empresa de refrigeração industrial. Sobre a escolha do curso, ele define:

Essa opção facilitou muito a minha vida. Durante os últimos anos do curso, já comecei a atuar no comércio exterior, então, podia assistir às aulas e fazer trabalhos mesmo estando em outros países ou em aeroportos. O aprendizado da responsabilidade foi o que mais marcou”.

 

Saí supersatisfeito e orgulhoso com o resultado!”

 

De olho no MEC

O ex-secretário de Educação de Canoas (RS) e ex-titular da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco, lembra que, como toda inovação, o início dos cursos EaD foi uma “terra de ninguém”:

“Não havia regulamentação, ocasionando abusos que comprometeram a imagem dos cursos a distância. Mais amadurecida, esta modalidade foi regulamentada e hoje, de um modo geral, tratam-se de cursos sérios, submetidos ao controle do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) e do Ministério da Educação (MEC)”.

Para o especialista, em um país onde o acesso à educação ainda é um privilégio, o EaD é um instrumento de democratização. “Hoje, o MEC disponibiliza todas as informações necessárias sobre as avaliações a que os cursos e instituições são submetidas. Pela minha experiência, existem até mais reclamações com relação aos cursos presenciais.”

Segundo o Censo da Educação Superior do MEC de 2015, mais de 1,3 milhão de pessoas no Brasil escolheram cursar uma graduação a distância. O levantamento também aponta que os cursos EaD têm apresentado maior procura que os presenciais.

Pacheco dá um toque para quem está de olho no EaD: “É necessário que o estudante tenha consciência de que disciplina e organização são essenciais nessa modalidade. Também é importante que ele se informe sobre a instituição na qual pretende estudar, procurando saber se ela é credenciada pelo MEC e autorizada a emitir certificação na conclusão do curso”.

TI EaD  \o/

Ariel Rosa da Silva está no último semestre do curso tecnólogo em Sistemas para Internet da Unisul. “Estava cansado de ter que ir a uma faculdade longe para aprender algo que eu já sabia, pois trabalho na área há muito tempo.”

O canoense de 27 anos fez a escolha com base na pesquisa e na recomendação de amigos. “O que mais pesou foi a facilidade de estudar quando eu quero e como eu quero. Tenho datas de trabalhos e provas, mas eu que decido meus horários.”

2Ariel curte a autonomia de fazer seus próprios horários de estudo. Arquivo pessoal.

 

Na TI, isso não faz diferença, mas vejo que pessoas de outras áreas (Jurídica, Saúde, etc.) fazem boca torta quando digo que estudo por EaD.”

 

O estudante conta que a faculdade tem uma ferramenta de fórum e mensagens, assim como o e-mail do professor aberto ao aluno. “Nunca fiquei mais de 24hs sem resposta. Sem contar que sempre tem um ou dois monitores por disciplina que te respondem rapidamente.”

 

O curso EaD libera o aluno para se empenhar o quanto ele acha que deve.”

 

E Ariel avisa: “você deve esperar a mesma cobrança de um curso normal. Recebo e-mails diários dos meus professores e monitores. As mesmas discussões que existem em sala de aula existem nos fóruns internos das ferramentas”.

Ele aconselha que você tente primeiro fazer um teste no curso presencial: “Acho que, para um jovem que ainda vai entrar no mercado de trabalho, o networking da faculdade presencial é muito importante. Caso ele não possa, pois já trabalha ou só pode pagar um EaD, é uma opção extremamente válida. Em ensino, ele não vai perder nada!”.

Vantagens

  • Horário flexível;
  • Estudar no seu ritmo;
  • Poder fazer as atividades do curso de qualquer lugar.

Desvantagens

  • Grande volume de conteúdo;
  • O feedback do professor pode demorar;
  • Pouca interação presencial.

É preciso ter

  • Responsabilidade com horários;
  • Capacidade de organização;
  • Dedicação.

Agora que você sabe um pouco mais sobre o EaD, qual a sua opinião? Não se esqueça, você deve pesquisar a reputação do curso e da instituição e avaliar se esse formato se encaixa no seu perfil e no que você quer. Até 😉